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Livros LGBTQI+ que vale a pena conhecer


Temos vivido tempos estranhos, para não dizer perigosos. Com as recentes ações de governos estaduais e até mesmo municipais na direção da censura de minorias, começando pela temática LGBTQI+, há pouco que possamos fazer, de maneira direta, para resistir a essas pressões e atentados, exceto ir de encontro ao que eles tentam vetar.

Com isso em mente, segue uma lista de vários livros, com a qual tentei ao máximo cobrir com pluralidade a temática LGBTQI+. Se você não sabe por onde começar, talvez esta lista te ajude. Se você já é iniciado, talvez encontre aqui aquela joia que faltava no seu acervo (ou na sua vida).

Um Milhão de Finais Felizes, de Vitor Martins



Um Milhão de Finais Felizes foi um dos livros distribuídos gratuitamente na Bienal do Livro. Segunda obra do autor publicada pela Globo Alt, UMDFF contra a história de Arthur, um jovem gay de família religiosa que se vê perdido entre livros que não consegue escrever, a transição da adolescência para a vida adulta e seu crush no garoto ruivo que aparece às vezes onde ele trabalha. Um Milhão de Finais Felizes consegue navegar com suavidade do humor ao drama, tocando temas sensíveis como religião e família e o conflito que estes podem ter com a sexualidade de um indivíduo, ao mesmo tempo equilibrando relacionamentos entre jovens adultos e a dificuldade de transicioná-los da adolescência para a vida adulta.

Enfim, Capivaras, de Luisa Geisler



Enfim, Capivaras é da Editora Seguinte, selo jovem da Companhia das Letras. Luisa Geisler também é autora de Luzes de Emergência se Acenderão Automaticamente, que pode facilmente fazer parte dessa lista, mas optei por Enfim, Capivaras porque, além de ser uma obra mais recente da autora, que estava na Bienal de 2019, também fala de uma parte quase esquecida do espectro sexual: Enfim, Capivaras conta com personagem assexual (ace). Ainda que não seja o tema principal do livro, é abordado de maneira bastante informativa e sem dramas. O livro segue um grupo que, cansado das mentiras constantes de um amigo, resolve sair em busca de sua última mentira: uma capivara de estimação que, coincidentemente, tinha sido roubada logo antes de eles chegarem para visitá-la.

Controle, de Natália Borges Polesso



Natalia Borges Polesso é autora também de Amora, livro de contos que ganhou o prêmio Jabuti, e seus livros são representatividade lésbica em sua forma mais brilhante. Em Controle, Polesso segue a trajetória de Nanda, uma jovem epiléptica que, por conta da doença, torna-se quieta, compassiva e conformada a uma vida sem grandes emoções. Na faixa dos trinta, percebe que não viveu, e é tomada aos poucos por uma inquietude e um desejo de mais.

A série Wayward Children (ou Crianças Desajustadas)



Escrita por Seanan McGuire e publicada no Brasil pela Editora Morro Branco, Wayward Children cobre personagens diversos não apenas na sexualidade e gênero, mas também em etnias e tipos físicos. A autora aborda com sucesso a coexistência não apenas pacífica, mas natural, de personagens assexuais, trans, latinos, gordos, asiáticos, muçulmanos, lésbicas e com deficiências físicas, sem que essas características sejam definidoras do que as pessoas são, e sim uma pequena parcela de tudo o que elas são e podem fazer. Além disso, todas essas pessoas coexistem em histórias fantásticas - tanto no sentido de “contém mundos e criaturas surreais” quando no sentido “muito bom”.

George, de Alex Gino


George foi lançado pela Galera Record no Brasil e conta a história de uma criança que, designada menino ao nascer, descobre-se menina ao longo do processo de ensaiar para uma peça teatral da escola, onde foi impedida de fazer audição para a Aranha Charlotte, protagonista feminina. George é um livro infanto-juvenil que trata da transexualidade com delicadeza, calma e, acima de tudo, respeito.

Todo Dia, de David Levithan


Todos os livros de David Levithan tem personagens LGBTQI+ e são voltados de maneira geral para o público jovem. Em Todo Dia, Levithan conta a história de A, uma pessoa que acorda num corpo diferente a cada dia. Ao viver por um dia no corpo do namorado de Rhiannon, A se sente compelido a procurá-la novamente nos dias que se seguem. Ao mesmo tempo em que constrói o relacionamento dos dois, o autor mostra os dias vividos por A em diferentes corpos: O garoto gordo, a pessoa viciada em drogas, a pessoa trans. Todo Dia é um bom exemplo do ditado sobre andar com os sapatos alheios - literalmente.

Ninguém Nasce Herói, de Eric Novello


Ninguém Nasce Herói não apenas conta com personagens representativos, mas também aborda uma temática cada dia mais atual: a opressão governamental. Passado no que cremos ser um futuro próximo, o livro narra a história de Chuvisco, garoto de criatividade ímpar que vive em meio a um regime religioso escancarado e tenta, por meio de ações simples, como distribuir livros (censurados pelo governo, quem diria), resistir a uma ditadura velada que avança a passos largos para fora do escuro. Ninguém Nasce Herói mostra, disfarçado de ficção, um exemplo claro do que acontece quando, ignorando todos os sinais, seguimos em direção a políticas excludentes na esperança de “uma sociedade melhor”.

Os livros citados são apenas uma pequena parcela do arco-íris, é claro. Atualmente, é extremamente comum contar com personagens LGBTQI+ em todas as mídias, seja como protagonista ou como coadjuvante, o que deveria ser normal há mais tempo, na verdade. A diversidade é importante para conhecer não apenas tudo o que somos como sociedade, mas também para vislumbrarmos tudo o que podemos ser e alcançar se abrirmos mão de podar as características e diferenças alheias.

A lista acima é um começo. Espero que, dada esta largada, você, leitor, se sinta compelido a buscar por mais conteúdo inclusivo e representativo. Ou, melhor ainda, espero que, mesmo sem precisar procurar, você o encontre.

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