Swift

Playlist | Be strong, believe #setembroamarelo


Estamos no Setembro Amarelo, uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio – que na verdade deveria ser o ano todo; um assunto delicado de comentar, mas necessário. Já fazia um tempo que eu não escrevia um post mais pessoal aqui no blog, então hoje resolvi contar um pouco do que passei e como me reergui e segui em frente. 

Por problemas pessoais, acabei me afundando em uma depressão que aos olhos dos meus familiares era tudo “frescura”. Eu tinha que engolir o choro todo santo dia. Não era nada de frescura e também não era falta de Deus. Era uma vida dando tudo errado. Fiquei doente, emagreci muito, tive reações alérgicas malucas. Minha “frescura” foi de inúmeras crises de ansiedade, pressão indo a 19x12 e diversos outros fatores. Até hoje nenhum laço sanguíneo sentou comigo para perguntar o que aconteceu e o que está acontecendo - quem dirá ler este postPara piorar tudo, quem eu chamava de “amiga”, virou as costas para mim. Eu me distanciei não porque eu quis, mas porque não tinha forças e nem vontade de sair de casa, de conversar ou qualquer coisa. Foi como se eu tivesse abandonado todo mundo, quando o que eu mais precisava era de um ombro amigo.

Eu frequentei psicóloga durante 9 anos da minha vida, e quando isso aconteceu eu não pude voltar por causa da tal “frescura” e infelizmente eu não tinha como bancar as sessões. O que eu sei é que passei e passo por tudo sozinha e como eu disse, hoje ainda fico oscilando entre estar bem e entre me sentir um lixo com vontade de dormir o dia todo e não olhar para cara de ninguém. Hoje, com essa campanha, você consegue encontrar diversos pontos de atendimentos gratuitos. E é muito importante a ajuda de um profissional neste momento. Veja se na sua cidade tem algum ponto, você também pode encontrar essa ajuda online no Centro de Valorização da Vida.

Eu não cheguei a cometer nenhuma tentativa de suicídio, mas todos os dias durante muito tempo (e ás vezes até umas oscilações atuais), as vezes isso me vinha/vem à cabeça. E lembrar disso dói! Porque é difícil não ver uma saída no fim do túnel. Como eu tento me segurar até hoje? Exatamente esse blog que você está agora. 

Vocês já devem ter percebido pelo nome, algo singular. Quase uma assinatura. O Eu, Astronauta começou com meu diário de bordo onde eu escrevia textos como estes, e algumas coisas relacionadas a cinema (para quem me conhece, sabe que eu respiro isso). Por aqui pude conhecer várias pessoas que passavam pelo mesmo que eu. Ao longo do percurso, o blog tomou outra dimensão. Eu conheci outras pessoas, que hoje são meus melhores amigos, e que me ajudam a administrar esta nave. O blog não é nada como no começo, mas sentar em frente ao computador, escrever um post e ter pessoas que tiram um tempo da sua vida para ler, me conforta, me dá um motivo para continuar. 

Outra coisa que me deu forças durante este percurso foi a música. Esses dias para trás fiz uma playlist no meu instagram (@raphaelavieiraa) e comentei como algumas músicas me seguraram nos piores momentos (deixei tudo salvo nos destaques “Playlist” para quem quiser ver). E por incrível que pareça, teve uma repercussão tão linda que eu resolvi vir aqui, me abrir com vocês e dividir toda minha trilha musical. Sinta-se abraço pelas melodias e se conforte com as letras.


Se você leu até aqui, se você está passando pelo mesmo, pode ter certeza que estou torcendo por você. Por mais dor que você sinta e por menos força que você tenha; é preciso tentar seguir em frente provando para si mesmo que você consegue. Olhe para tudo o que te deixa para baixo, você é melhor que isso. E por mais que você pense que não dá mais, lembre-se sempre dessa frase: “Precisamos da escuridão para poder brilhar, e por mais que a luz esteja fraca, ela ainda brilha.”. Não desista da vida, não desista de você. O que é difícil hoje, vai ser um orgulho amanhã. Orgulho de ter passado por cima de tudo. Seja forte, acredite! <3

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