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Crítica | Hebe - A Estrela do Brasil



Uma mulher forte, guerreira e à frente de seu tempo

Não se engane achando que ao assistir Hebe - A Estrela do Brasil você irá se deparar com toda a história de vida da apresentadora, como a maioria de filmes biográficos fazem. Nesse longa apenas uma parte da vida desta é contada, entretanto, extremamente significativa, já que traz ensinamentos importantes como ser uma mulher trabalhadora, independente e defensora de sua verdade até às últimas consequências. 

O filme se passa em 1985, logo após o fim da censura no Brasil com o término da ditadura militar. Mas, como todos sabem, a censura não acabou do dia para a noite e é nesse cenário que Hebe (Andreia Beltrão) irá crescer e se tornar a rainha do nosso país. A produção ainda mostra sua turbulenta passagem pela Rede Bandeirantes de Televisão (Band), sua consagração no SBT e o porque nunca foi para a Rede Globo.
créditos: Warner Bros Pictures Brasil 
Andreia Beltrão, que interpreta a figura icônica, demorou um pouco para convencer em sua interpretação. No começo é perceptivel que esta procura achar o denominador comum entre representar uma pessoa tão emblemática, ao mesmo tempo, que tenta dar uma autoralidade a sua atuação. Contudo, conforme a atriz vai se tornando mais confortável no papel, sua Hebe se torna orgânica e simplesmente brilha.

Assistir a este filme é pura nostalgia, já que traz às telas personagens marcantes da época e alguns muito bem representados por seus sósias. Além disso, a produção arrasa em recriar o cenários dos anos 80, como também, em trazer para tela todo o luxo dos figurinos e joias usados pela apresentadora. Detalhe, grande parte deles do acervo pessoal de Hebe.

Maurício Farias traz uma direção impecável. Ao se utilizar bastante do recurso de closes na atriz principal, bem como dá foco nos acontecimentos por atrás dos bastidores fazendo com que o espectador tenha intimidade com a história e crie boas cenas  dramáticas e de suspense. 
créditos: Warner Bros Pictures Brasil
A escolha da roteirista Carolina Kotscho em contar apenas um período da vida de Hebe foi um acerto, pois o filme não é cansativo e nem corrido, sendo trabalhado calmamente, mostrando um momento delicado do país e os dramas pelos quais a apresentadora passou. Através dele vemos o importante trabalho feito por Hebe ao trazer para TV pautas  importantes ao falar sobre a desmarginalização da AIDS, ao criticar abertamente governos, ao ser defensora de causas LGBTQI, entre outros. Temas que na época eram considerados tabus, mas que para a figura deveriam ser inseridos no diálogo da nossa sociedade.

Uma mulher forte, guerreira e  à frente de seu tempo, é assim que podemos definir Hebe. Se prepare para rir e se emocionar com um pedaço da história marcante dessa figura que fez parte da vida de muitos brasileiros. 

Texto por Talita Ferreira Nunes Caputo

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