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A Ideia da Série Executores

14 novembro 2020 0 Comentários

Série Executores

A Black Friday está chegando e muita gente — como eu — aproveita para encher mais as estantes com livros novos, mesmo tendo vários ainda não lidos. Então estou aqui para te convencer a ler a série Executores — assim você pode comprar na Black Friday e depois pode me agradecer, por eu ter indicado uma leitura tão boa, porque tenho certeza de que é impossível não amar!

Estamos vivendo um estouro do universo geek há pouco mais de dez anos e os super-heróis ocupam grande parte disso. Talvez a DC Comics e a Marvel tenham grandes parcelas nisso, por difundirem essa forte carga de super-heróis, que contagiou o restante do mundo, principalmente com seus últimos lançamentos para o cinema — sempre trazendo boas pessoas que possuem/recebem habilidades especiais, para defender as boas causas. Sempre existem os vilões, mas eles nascem apenas para exaltar os heróis, com toda a cultura americana de heroísmo e exaltação da defesa de ideais.
Do outro lado do mundo, podemos encontrar o anime/manga Boku No Hero, por exemplo, onde as pessoas começam a nascer com super poderes e então criam-se escolas para treinamento dessas habilidades e a consequente criação de super-heróis. Com o foco sempre pairando sobre a necessidade de representação de ícones de esperança e de que heróis surgirão para nos salvar das possíveis situações de perigo. No entanto, até onde os super-heróis realmente nasceriam, sem toda essa filosofia e com uma dose maior de realismo? Até onde as pessoas realmente deixariam suas ambições pessoais em segundo plano para salvar o restante do mundo? Essa foi a linha que Brandon Sanderson escolheu seguir para a série Executores.

“Onde existem vilões, existirão heróis — meu pai disse. Aguarde. Eles virão.
[…]
Nós ainda éramos esperançosos naquela época. E ignorantes.”

A série começa com o livro “Coração de Aço” e eu confesso que quando a editora Aleph nos trouxe esse título — lançado em 2013 —, eu logo imaginei algo sobre o Superman, por conta do nome e também da arte da capa, que aqui no Brasil tem um personagem que possui características muito parecidas com o Homem de Aço da DC Comics. Bom, a analogia é muito implícita, mas as semelhanças entre Coração de Aço e o Superman são mínimas.

Uma estrela, chamada de Calamidade, surgiu nos céus, e a partir disso algumas pessoas adquiriram poderes sobre-humanos, na maior diversidade possível, como já costumamos ver em histórias em quadrinhos — os Épicos.
Existem vários níveis de Épicos, desde classes baixas, com habilidades mais fracas, até classes altas, com poderes realmente grandiosos, como é o caso de Coração de Aço (sim, esse é o título do livro e nome do personagem).
Acontece que, com poderes extraordinários, esses Épicos não decidem se tornar super-heróis, pelo contrário, eles resolvem dominar e escravizar a humanidade, enquanto disputam os domínios entre si — muito mais coerente com o real cenário do nosso mundo real, não é mesmo?!

“Não há Épicos bons. Nenhum deles nos protege. O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente.”

Coração de Aço consegue despertar a sede de vingança de David, um garoto pobre e que perdeu tudo o que tinha, por conta do Épico vilão. A partir daí, ele inicia os planos de se tornar alguém que seja capaz de entrar para a equipe dos Executores — que nomeia a série — e destruir Coração de Aço.
Os Executores, a princípio, são pessoas — humanos normais — de um grupo que utiliza tecnologia e inteligência para encontrar os pontos fracos dos Épicos e matá-los, um a um. Tecnicamente, esses é que são os heróis da história toda.

O segundo volume da série recebeu o título de “Tormenta de Fogo”, onde as dúvidas da mente humana e as máscaras que alguém pode usar são os maiores vilões dos Executores, onde serão postos à prova a fidelidade, o trabalho em equipe, a confiança e a esperança que cada pessoa mantém para seguir a jornada. Uma Épica, aparentemente bondosa, mas que possui algo de estranho por debaixo das mangas, dará trabalho aos nossos protagonistas.

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“Calamidade” é o terceiro e último livro da série — já foi lançado —  e mostra que a fonte do verdadeiro perigo está muito além do que os Executores pensavam no início da série, fechando a história com chave de ouro. Uma corrida contra o tempo, com mais vilões e também aliados conquistados no decorrer dos dois primeiros volumes, somados com força de vontade e determinação. “Calamidade” não desperdiça tempo e o livro é de tirar o fôlego, inclusive com revelações sobre acontecimentos do primeiro livro — “Coração de Aço” — e que vão surpreender o leitor em um final, literalmente, épico!

Essa é a premissa da série, o que já é suficiente para conquistar muitos leitores, mas não é somente a isto que ela se resume. Aqui não temos apenas um vilão supremo, criado para destacar o ícone do herói que irá derrotá-lo. O que mais existe por entre as páginas escritas por Brandon Sanderson, são vilões. Desde sobrenaturais e até os mais simples e realistas, sem cair no “mais do mesmo” que já conhecemos sobre heróis e vilões.

Sanderson nos mostra um mundo onde a ambição e desejo de soberania da mente humana formam uma imensa população de vilões e deixa o restante das pessoas clamando por heróis que — mal sabem eles — são do tipo que está muito mais próximo da realidade, sem nada de muito extraordinário e especial além da própria essência de humanidade.

Ainda quer mais motivos para ler? Ótimo, pois estou aqui para isso!

Toda essa ideia seria jogada por terra, caso não fosse bem desenvolvida, mas os personagens são preciosamente construídos, do modo que Brandon sabe fazer com maestria. Tanto em cada uma das funções da equipe de mocinhos, quanto nas habilidades coerentes de cada vilão. A jornada do herói e a evolução da narrativa são perfeitas, e eu não consegui encontrar furos, nem pontas soltas em um ritmo espetacular.

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Como os protagonistas são humanos “normais” e “frágeis”, as cenas fazem o leitor prender o fôlego, sempre permeadas de adrenalina e pela excitação da análise inteligente das ações tomadas pelos Executores — muitas das vezes no improviso dos personagens, diante dos imprevistos inerentes. O leitor realmente “solta o ar” quando os personagens voltam a salvo para o refúgio — isso é, quando eles conseguem voltar…

Ah, é claro, também preciso destacar que além do cenário instigante, a série mergulha muito em ficção científica e os olhos dos fãs de sci-fi — assim como eu — vão brilhar demais com todos os elementos que permeiam o mundo da história e da essência de Executores.

Bom, se depois de tudo isso, eu ainda não te convenci, você também pode ler o primeiro capítulo de “Coração de Aço” (na Amazon, por exemplo) e então eu duvido muito que suas resistências ainda se manterão de pé!