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Diário de Bordo | A vida de um GEEK

25 maio 2020 0 Comentários

a vida de um geek

No dia 25 de maio o mundo comemora o Dia do Orgulho Nerd ou o Dia Da Toalha. E todo ano temos 24 horas em homenagem a nós, nerds, geeks e suas variações. Ser geek e nerd virou moda nessa última década e muitos desses agregados não levam essa vida a fundo, então me acompanhem porque eu venho falar sobre a vida de um geek. Sobre a minha vida.

Tudo começou há uns vinte e três anos atrás, quando eu virei fanboy do Capitão América e das histórias em quadrinhos, durante minha infância. Até então eu nem sabia que essa seria minha porta de entrada para a vida geek, que eu viria ter até hoje, nem tampouco que iria carregar isso comigo pelo resto dos meus tempos. Mas na infância era fácil, me contentava com pouco e esse universo era “normal” para uma criança.

Depois ingressei na pré-adolescência visitando a biblioteca da escola quase todo dia. Eu não tinha dinheiro para comprar meus livros, então meu refúgio era a biblioteca do colégio. Enquanto isso todos os outros garotos da minha classe estavam jogando futebol e as garotas em seus grupinhos. Eu era exatamente aquele cara que sofria bullying no colégio por ser nerd. Embora eu ainda não tivesse percebido isso naqueles tempos.

Sobrevivi ao bullying do ensino fundamental e fui enfrentar o do ensino médio. Agora a carga era maior, eu já havia acumulado animes, mangás, revistas sci-fi — sim, eu lia a UFO — e filmes mais incomuns à minha lista de “gostos esquisitos” que são razões para a zoação alheia.

Afinal, enquanto a maioria do colégio estava flertando e explorando seus hormônios adolescentes, eu estava sendo zoado por ficar em algum canto com uma HQ nas mãos, tentando entender a lógica dos multiversos, ou lendo “um gibi de trás pra frente”, mas eu ria demais da ignorância deles, era divertido em certo ponto. Por vezes, eu ouvia que meu caderno do Star Wars era totalmente infantil e que o chaveiro do Homem-Aranha pendurado na minha mochila era o motivo para eu não ter namoradas. Enquanto isso, eu me contentava em tentar decifrar através das aulas de física, como seria possível fazer um sabre de luz.

Em casa, meus pais reclamavam dos meus gostos e achavam que eu deveria deixar as “coisas de criança” para trás. Na igreja as pessoas falavam que eu acabaria no inferno por gostar de “coisas do diabo” e assim eu fui ficando um tanto paranoico e acabei passando a viver minha vida nerd, escondido, por um tempo, mas eu gostava da adrenalina disso.

Para piorar tudo, tinham aqueles montes de produtos e não tinha dinheiro para levar nenhum para o meu quarto, mas quando a gente é, não adianta evitar… fui enfrentando tudo e seguindo a minha vida como um geek!

a vida de um geek

Embarquei na juventude com toda uma história de superação dos anos anteriores e agora a vida começava a melhorar. Eu já trabalhava e podia comprar minhas coisas! Meu primeiro livro comprado, meu primeiro action-figure na estante… inesquecíveis! A galera da faculdade de TI tinha um gosto bem parecido com o meu, em certos aspectos, e aí eu já não estava mais tão sozinho nesse mundo.

Maaas é claro que a vida de geek não é fácil e começaram a surgir outros dilemas… como ter que ouvir aquele papo de sempre, que essas coisas parecem de “gente imatura”. Ou então usar camisas de personagens no trabalho e ter que ouvir que eu já estava me preparando para o carnaval. Afinal, quem usava camisas de super-herói com 20 anos, barba na cara e ainda por cima no trabalho? Ninguém, só eu. Mas nós geeks sempre conseguimos uma solução para tudo e então eu passei a usar minhas camisetas por baixo de uma camisa social que eu abotoava quando chegava no trabalho e tirava quando saía do prédio da empresa. Me sentia aquele personagem que sai do ambiente social e vai se despindo, com o uniforme por baixo, para salvar o mundo. A diferença é que eu só ia para a faculdade… enfrentando um trem lotado, professores malucos e o sono das aulas.

E não pára nisso… porque uma das coisas mais comuns da juventude é sair com os amigos, para fazer qualquer coisa, e aí estava mais um dilema para mim. Aparentemente as pessoas diziam que eu não era normal porque eu não estava nos padrões delas e não saía muito com meus “amigos” que não entendiam o que era ser geek! Qual jovem deixava de sair com os amigos para ficar jogando videogame, lendo, assistindo séries, filmes ou escrevendo num blog? Qual jovem tinha que fingir que não gostava de alguma coisa ou que não entendia de certo assunto para não ser taxado de maluco? Esse jovem era eu!

Mais alguns anos passaram e a vida me ensinou a ser mais durão. Além disso, hoje em dia as pessoas já estão mais a par do que é esse universo em que a gente vive. Minha mãe parou de reclamar dos meus action-figures e HQs. Também já não reclama mais quando estende no varal alguma camisa de super-herói nova e sabe que a coleção na estante sempre vai crescer mais. Algumas pessoas pararam de me encher depois de serem ignoradas um tanto de vezes, merecidamente! Mas ainda assim, vira e mexe, aparece uma criatura para criticar minha mochila blindada de buttons, eu só respondo com um “aham” e viro as costas. Ainda sou o único cara na empresa que vai trabalhar vestido como um geek, mas finjo que não reparo nos olhares para as minhas camisetas e meus All Stars. Ainda brigo com crianças nas lojas para levar o último item de algum personagem e saio de perto quando elas gritam pelas mães. Ainda compro minhas HQs e meus livros chegam constantemente pelos Correios. Uso com muito orgulho os meus pijamas de Stars Wars e tenho muito prazer em me cobrir com meu edredom do Batman. Adoro exibir minhas meias cheias de planetas e aliens e amo o meu escudo do Capitão América que fica preso na parede do meu quarto. A outra parede, forrada com páginas de HQs, é super aconchegante e sempre tem um pôster novo fixado em algum outro canto.

Ainda prefiro ficar jogando videogame no meu quarto do que sair de casa. Pra mim, Netflix é um dos melhores programas para os sábados. Tenho muito orgulho de entender mutio de sci-fi e assuntos complicados de tecnologia. E, sim, eu vivo muito bem a minha vida feliz de geek!

Então se você está começando essa jornada, se prepare para os problemas, seja Scott Pilgrim e esteja contra o mundo, encare tudo como uma partida de RPG que precisa ser vencida e siga em frente, vale muito a pena viver quem você é! Agora, se você já passou por isso e se identificou com algumas, muitas ou todas as coisas apresentadas aqui, deixe seu relato nos comentários, nós vamos te entender! Vida longa aos geeks e nerds!

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