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Alice In Borderland (1° Temporada) | Crítica

5 janeiro 2021 0 Comentários

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Surpreendente! É uma das palavras que define o que foi essa primeira temporada da série japonesa da Netflix “Alice In Borderland” que estreou em 20 de dezembro de 2020. Um produto muito bem acabado que teve oito episódios e uma premissa muito bem desenvolvida trazendo questões sobre humanidade, amizade e sobrevivência. A série é uma mistura de drama, ação, suspense e mistério que convida o expectador a mergulhar em um mundo surpreendente e que no final das contas consegue cativar principalmente por ter personagens interessantes e carismáticos.

A série é baseada num mangá de Haro Aso de mesmo nome, a narrativa segue a história de Ryohei Arisu (Kento Yamazaki) , um jovem que de repente vai parar numa cidade de Tóquio abandonada junto com seus melhores amigos Chota (Yuki Morinaga) e Karuse(Keita Machida). À medida que Arisu adentra a cidade, começa a descobrir que o fato de as pessoas terem desaparecido é o menor de seus problemas, quando ele se vê preso dentro de um jogo onde precisa lutar pela própria sobrevivência.

O piloto da série é uma das melhores coisas que assisti em 2020, exatamente por entregar aquilo que o expectador não espera, uma história muito bem montada, com personagens que cativam já nos primeiros minutos, além de um ar moderno e uma vibe que vai desde Jogos Mortais, com toques de Jogos Vorazes e O Cubo, isso para citar alguns exemplos. Aqui o roteiro costurado a três mãos por Yasuko Kuramitsu, Yoshiki Watabe e Shinsuke Sato consegue ser inteligente e efetivo em apresentar o jogo, suas regras e o que os participantes terão que fazer para sair vivo do lugar.

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Shinsuke Sato, além de assinar o roteiro, também dirige os episódios e se mostra bastante eficiente em criar tensão e explorar as vastas locações de uma Tóquio vazia, inóspita e perigosa. É complicado falar da série sem muitos spoilers, mas tentarei dizer pouco para não estragar a experiência de quem se interessar e for assistir. Outras palavras que define muito bem a série é a imprevisibilidade, à medida que a narrativa vai introduzindo novos personagens, ele não se retém apenas ao ponto de vista de Arisu e seus amigos, fazendo surgir figuras interessantes que estão também tentando sobreviver aos jogos.

Se no piloto a série é feliz em apresentar as regras e como os jogadores devem portar na competição, no segundo episódio a série começa a tomar mais liberdades e aumentar o nível de dificuldade das provas que os participantes precisam realizar. Tudo que você precisa saber é que os jogadores necessitam de vistos para continuar vivos no jogo e eles só poderão ganhar os tais vistos passando por provas perigosas que testam sua inteligência, astúcia e humanidade, só assim poderão manter sua permanência do jogo.

A trama deixa claro que é a realidade que Arisu se encontra é um jogo de vida e morte, onde vidas são realmente perdidas e não tem volta neste aspecto. Existe todo um mistério de como os participantes vão parar na competição com várias sementes deixadas para o público teorizar, mas que ainda permanecem uma incógnita ao longo da trama tendo apenas algumas poucas respostas. No episódio três e quatro, a série começa a ganhar um contexto mais dramático e aqui a trama não perde fôlego, mas se torna cada vez mais alucinante e difícil de prever.

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A entrada de personagens misteriosos como: Yusuha Usagi (Tao Tsuchiya), Chishiya (Nijirô Murakami), Shibuki (Ayame Misaki), Kuina (Aya Asahina) e outros de uma milícia que guarda a misteriosa instalação “A Praia” deixam a história rica, intrigante e bastante diversificada em termos de jogadores, cada um com uma personalidade interessante explorada no jogo de todas as formas possíveis. É claro que quando a história ganha seu respiro no episódio cinco, a narrativa perde um pouco de fôlego, mas por outro lado ganha por apresentar antagonistas perigosos e formidáveis.

Tudo volta a ficar interessante na série no episódio seis, quando alianças são formadas e o lugar que os participantes pensavam estar seguro começa a dar sinais que vai desmoronar. O episódio sete e penúltimo da temporada consegue juntar o de melhor que a série construiu até aquele momento, além de aprofundar na história de alguns personagens através de flashbacks enquanto a narrativa prepara um desfecho sangrento no episódio oito no melhor estilo “Battle Royale”.

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Em termos de produção, “Alice In Borderland” é uma produção muito caprichada, com uma fotografia magnífica com umas tomadas aéreas interessantes da cidade de Tóquio mostrando uma escala bastante grande do jogo, sem falar que os efeitos menores nas competições são bem decentes e as armadilhas criadas nas provas são muito bem elaborados num trabalho bastante bem feito que consegue equilibrar o antigo com moderno, aliás, a questão da tecnologia é muito bem explorada aqui, do celular usado pelos personagens até ausência de tecnologia que hoje praticamente faz parte da vida do jovem do século XXI.

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De uma forma geral, “Alice In Borderland” é uma série muito boa, não é o tipo de dorama que você está acostumado, você sente que é uma série que realmente consegue capturar a aura de um anime japonês, seja pelo visual, ou pelo figurino e caracterização dos personagens e isso não a torna piegas, mas com bastante personalidade. O seriado ganha pontos por deixar o expectador interessado do começo ao fim, além de ter uma reviravolta final que abrirá muitas possibilidades no futuro (a série já foi renovada para segunda temporada), sem falar que por ser imprevisível e violento, surpreende ao deixar você bastante apreensivo em saber que sobreviverá a este jogo mortal, sem falar que os mistérios que a história se alimenta são salpicados de várias referências ao conto da Alice no País da Maravilhas”, algo que a série gosta de brincar, mas o legal é você descobrir nos detalhes e enquanto está assistindo, mas já deixo claro, uma vez que você entrar no buraco do coelho, nada será como antes.

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