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BTS – BE | Distribuindo conforto grupo cria um porto seguro em plena pandemia

8 dezembro 2020 0 Comentários

Be - BTS album review

Talvez esteja um pouco atrasada ao escrever este texto, mas confesso que precisei digerir tudo o que senti quando ouvi BE, novo álbum do BTS, por isso já deixo avisado de antemão que alguns dos meus pensamentos ainda estão um pouco desorganizados, tamanha as inúmeras emoções que senti ao escuta-lo.

Já não é supresa para quem acompanha o blog de que sou fã do septeto  – caso seja sua primeira vez aqui, bem-vindo! – e sempre que posso tento escrever algo sobre eles ou pelo menos tento fazer uma análise de seus trabalhos. Esse será mais um daqueles textos intrapessoais, em que tento me expressar através de palavras todas as reflexões que tive com BE, e como este possa ser um dos meus álbuns favoritos do grupo. Dito isso, não irei focar em recordes, vendas ou na tecnicidade do álbum já que o objetivo é trazer uma visão mais pessoal sobre o projeto.

O que me fez gostar tanto do BTS foi a sua qualidade em contar histórias que criassem um certo círculo de intimidade entre artista e fãs. Obviamente, esse já é um conceito padronizado dentro da própria indústria do K-Pop onde idols são criados para serem a manifestação dos desejos de seus fãs, sendos perfeitos a todo custo e tempo. Contudo, com BTS foi diferente, eles pegaram uma ideia extremamente tóxica e conseguiram transforma-lá em uma rede de conexão onde puderam demonstrar suas dúvidas, carências e alegrias, sem que fossem vistos como seres perfeitos, mas sim cheios de falhas.

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E BE não é diferente, já que se propõe narrar o quaão frustrante é viver num mundo em plena pandemia. Essa não é a primeira vez que os integrantes falam sobre como o COVID-19 afetou suas vidas, tendo eles sempre sido bem vocais em relações as dificuldades de viver em isolamento. Por isso, não é surpresa que em BE essa temática seja a chave que movimenta todo o álbum, sendo ela dissecada em diversas formas.

Em um primeiro momento é possível notar a vulnerabilidade emocional do grupo. “Blue & Grey” é um perfeito exemplo, o que fez com se tornasse minha música favorita do álbum ao retratar a dualidade da nossa saúde mental em plena pandemia. Apesar de sua melodia doce, a música serve como um desabafo dos integrante – e consequentemente, nosso também – onde é possível sentir cada suspiro ao fim de suas notas. É muito próximo de tudo que senti, já que sua letra é enfática ao dizer como estes desejam se manter firmes, mesmo diante do surgimento de sintomas como ansiedade, depressão causados pelo momento que estamos vivendo. Uma música altamente reflexiva e que me fez perceber ao longo deste ano como pequenos atos ocupam espaços significativos em nossas vidas.

Tais atos são bem exemplificados em “Fly To My Room“, onde falam como seus respectivos quartos se tornaram o centro de seu universo, podendo estes serem uma fonte de segurança, como também, de sufocamento. O mesmo pode ser visto, em “Dis-ease” que possui um belo jogo de palavras, uma vez que,  quando combinada a palavra significa  doença, porém quando separada por um hífen, pode ser entendida como “mal-estar”. O prefixo “dis” é comumente usado em inglês para criar um significado oposto. Sendo assim, aqui o BTS usa sua criatividade para falar sobre as incertezas que os assolaram durante a pandemia e como se sentiram sobrecarregados durante esse processo.

Contudo, após nos confidenciar tais sentimentos BTS muda o tom de sua narrativa com “Life Goes On“. Fazendo alusão ao recente discurso do grupo na 75ª Assembleia Geral da ONU, os integrantes iniciam uma reflexão ao perceberem como é importante sair deste ciclo vicioso e por mais difícil que seja, eles – e nós – precisam volta a viver, sonhar e lembrar quem são.

É com essas pequenas doses de otimismo que BE vai se tornando um verdadeiro porto seguro para os ARMYs e qualquer um que ouça suas músicas ao distribuir palavras de conforto enquanto cantam sobre a esperança de dias melhores. Isso também pode ser notado na “Skit” que o grupo inseriu entre as canções, onde mostra a reação do septeto ao descobrir que conquistou o primeiro lugar na HOT 100 da Billboard. Alguns podem não entender o motivo de tal escolha, mas para mim é bem claro como o BTS quer fazer com que nós lembremos que nosso 2020, apesar dos pesares não foi um ano só de derrotas, mas também de pontuais felicidades em nosso âmbito pessoal.

Essa mesma sensação se perdura através de “Telepathy“e “Stay“. Duas músicas dedicadas ao fandom que possuem melodias agridoces. O que poderia ser algo melancólico ganha tons e sons mais vibrantes quando enfatiza que o distanciamento social não é o suficiente para enfraquecer a conexão entre o grupo e os ARMYs, pelo contrário, faz este laço se tornar apenas mais forte.

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Por fim, a alegria toma conta de vez ao ter “Dynamite” como a música que fecha o álbum. É com ela que Jin, SUGA, J-Hope, RM, Jimin, V e JungKook nos levam em uma jornada nostálgica enquanto cantam sobre irradiarmos energia e positividade durante tempos tão difíceis.

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