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Crítica: A Forma da Água (sem spoiler)

31 janeiro 2018 0 Comentários

A Bela e a Fera – clássico da Disney – conta a história de uma bela jovem que após salvar seu pai das garras da Fera acaba se apaixonando por está e assim quebrando uma maldição antiga que recai sobre a criatura. Possuindo uma atmosfera que pode relembrar alguns traços do conhecido conto de fadas em A Forma da Água vemos que Del Toro sabe contar uma história semelhante de uma maneira ainda mais humana.

Com uma narrativa menos ingênua, mas ainda em seu contexto romântico, acompanhamos Elisa (Sally Hawkins), uma faxineira noturna de um laboratório do governo dos EUA, que por conta de ferimentos em suas cordas vocais perdeu a fala. Se comunicando apenas por gestos a personagem acaba criando vínculo com uma criatura (Doug Jones), trazida da América do Sul, pelo agente Strickland (Michael Shannon). Mas em uma das madrugadas ela decide querer descobrir mais sobre está, onde acabam se apaixonando.

Um conto de fadas não reprimido, onde a bela não é perfeita, a fera não precisa reverter o feitiço e o vilão não apresenta qualquer tipo de limitação para destruir esse amor “proibido” – e é onde vemos toda a avareza e arrogância de Strickland –. Tudo isso rodeado pelo clima obscuro já característico de del Toro.


Inclusive a parceria de Del Toro com Vanessa Taylor no roteiro diz muito sobre a história e a criação de seus personagens, trazendo um equilíbrio – seja com Giles (Richard Jenkins), o vizinho ilustrador, amante de tortas de limão e melhor amigo de Elisa; Zelda (Octavia Spencer), a amiga que adora falar durante seus turnos e também protetora; e Hoffstettler (Michael Stuhlbarg), o homem da ciência que se encontra preso nesse mundo político.



Contudo, mesmo com ótimas atuações, a direção incrível de Del Toro e a trilha sonora perfeita de Alexandre Desplat, ainda  há escolhas que  particularmente me incomodam.  Como o fato de ser sempre dado a Octavia – que poderia ser muito mais explorada – o papel de alivio cômico no meio do drama e alguns detalhes que podem acabar sendo previsíveis. No entanto, essas são considerações pessoais e que para ser sincera não afetam a trama em si. E com todos esses elementos se encaixando e não sendo um grande quebra-cabeça confuso, o telespectador consegue mergulhar na história e se colocar no lugar de Elisa.

Guillermo del Toro em A Forma da Água não faz só um filme, mas uma grande declaração de amor aos seus monstros. Mudando todo aquele conto de fadas por algo totalmente diferente e com mais alma, mostrando que para criar uma história nas telas deve existir muito amor por aquele mundo.

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Crítica: Sem Fôlego (Sem Spoiler)

26 janeiro 2018 7 Comentários

Todd Haynes sempre se mostrou um diretor muito inquieto e criativo com suas produções, mostrando que sabe arriscar na hora de fazer seus filmes – como foi com Não Estou Lá e Velvet Goldmine. Mas em seu novo trabalho, Sem Fôlego, apresenta algo diferente para o publico já que veste a imagem de uma fábula infantil, mas que foi reinventada para as telas de uma forma mais profunda, fazendo uma homenagem ao cinema e suas linguagens.
No longa acompanhamos duas
realidades em paralelo; O jovem Ben (Oakes
Fegley
) que é atingido por um raio que cai em sua casa, em 1977. E a garota
(Millicent Simmonds) que foge de
casa em busca de sua mãe, uma atriz consagrada, em 1927. E é dessa forma
contada que Haynes consegue criar uma narrativa cada vez mais significativa sem
diálogos.

  
O diretor usa a fonte do cinema
mudo como sua inspiração, construindo aos poucos uma linguagem visual de outro
mundo, com uma fotografia variando entre o colorido e o preto/branco, e onde os cortes da edição são bem sincronizados, fazendo com que as duas
histórias caminhem no mesmo ritmo junto da trilha sonora composta por
Carter Berwell – que traz a
representação de cada época nas canções, principalmente quando temos “
Space Oddity”, de David Bowie


Mesmo que seja contada de uma
forma excelente, a história em si acaba ficando em segundo plano. Temos uma
bela recriação dos anos 70 e 20, sendo demonstrado de forma estética na
ambientação. No entanto, a produção acaba se afastando de modelos diferentes de filmes
anteriores, puxando agora para o lado mais casual, fazendo apenas com que o
final tenha algo mais “diferentão”, principalmente na mudança das artes.



As crianças são de fato as
grandes estrelas do filme, tendo junto delas uma pequena participação de
Michelle Williams e também de Julianne Moore, que possui uma
importância gigantesca na narrativa, mas que não podemos entrar em detalhes por
motivos de
spoilers.


Sem Fôlego mesmo que saiba transpor a linguagem do cinema com
crianças de forma genuína, acaba se perdendo na construção de sua narrativa em alguns momentos, enquanto no quesito técnico demonstra uma qualidade
excepcional.


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Crítica: Artista do Desastre (sem spoilers)

24 janeiro 2018 6 Comentários

Há como fazer um bom filme sobre um péssimo filme? James Franco nos provou que sim! Artista do Desastre estreia dia 25 de Janeiro, mas nós já conferimos o longa e contaremos pra você o que esperar dessa homenagem à um dos piores filmes já produzidos. 


Todo mundo tem um filme ruim morando no coração, aquele filme que nós sabemos que é péssimo, mas que por algum motivo nos cativa. The Room é assim para muita gente. E quando é falado que o filme é péssimo, é porque não há palavra pior para defini-lo. 


Contudo às vezes o filme é tão, mas tão ruim, que chega a ser bom! É impossível assisti-lo e não gargalhar de suas falhas bizarras, se tornando uma ação viciante! E mesmo hoje, quase quinze anos depois, a produção — que conquistou o status cult — continua lotando sessões da madrugada nos EUA. 

Talvez tenha sido esse o sentimento que fez James Franco ter a vontade de realizar uma homenagem e dela nascer o Artista do Desastre. Baseado no livro escrito de Greg Sestero, melhor amigo de Tommy Wiseau, o filme explora como este conheceu o excêntrico Wiseau até os bastidores do pior filme ever


Dessa forma, o público e introduzido a este jovem que sonha se tornar um astro do cinema, e que ao conhecer o enigmático Tommy — que aparentemente tem muito dinheiro —, decide partir para Los Angeles com este, a fim de viver esse sonho. 


Porém as coisas não saem como o esperado e por meses os dois continuam falhando em conseguir um papel. Com isso, cansados dos obstáculos presentes na jornada da fama, decidem produzir o próprio filme e Wiseau acaba se tornando produtor, roteirista, diretor e ator do filme mais ridículo e legal já produzido. 

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James Franco conduziu muito bem a produção, dando um tom cômico na medida certa. Seria fácil transformar o filme em uma grande chacota já que o próprio Wiseau é bem caricato, mas ator escolheu uma boa narrativa para contar essa história, levando o espectador ao riso e à emoção. 


O mesmo pode se dizer de sua atuação, que é de alto nível. Caso você não conheça Tommy Wiseau e sua famosa obra, pode até ter a impressão de que James estava exagerando, mas quando o filme chegar ao fim, você verá o quanto este foi impressionante.

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No entanto, aqui vai uma dica: Você pode assistir ao filme sem ter assistido o homenageado The Room, mas acredito que as cenas dos bastidores serão mais engraçadas para aqueles que já conhecem o filme de 2003. Como também poderá notar o nível de comprometimento dos irmãos Franco aos seus respectivos “personagens”.


Artista do Desastre está concorrendo ao Oscar de melhor roteiro adaptado e é uma comédia divertida no ponto certo, conseguindo entregar o prometido, um ótimo filme sobre um péssimo filme.

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Crítica: Jumanji: Bem-Vindo à Selva (sem spoiler)

28 dezembro 2017 0 Comentários

Quando foi anunciado pela Sony uma sequência – ou o que seria para alguns um reboot – de Jumanji a maioria não levou fé. Contudo, parece que muitas línguas foram pagas, incluindo a minha, já que Jumanji: Bem-Vindo à Selva é incrível e arrisco dizer melhor que o estrelado por Robin Williams.

O novo longa com um jeito bem sessão da tarde começa com um pai encontrando o tabuleiro na praia e entregando ao seu filho, que prefere vídeo games do que os clássicos de dados. Sendo assim, no meio da noite, o jogo cria uma fita de Mega Drive na intenção de atrair o jovem, e é onde começa nossa história. A partir daí, somos levados  para os dias atuais, onde novos jovens estão destinados a viver essa aventura.

A ideia de transformar o jogo para algo atual – como um game – é genial, já que muitos não conhecem clássicos como Jogo da Vida, Detetive ou WAR. Dessa forma, o longa soube englobar duas gerações: aquela apaixonada pelo filme de 1995, ao trazer singelas homenagens, e este novo público que não possui familiaridade com a história, mas acaba achando interessante por esta ter sido adaptada para um contexto mais atual.

Os avatares, interpretados por Dwayne Johnson, Jack Black, Kevin Hart e Karen Gillan, são quem comandam a história dentro do game, possuindo características bem diversas dos jovens – o nerd que vira o musculoso e a menina popular vira um obeso de meia idade -, o que acaba rendendo boas cenas.

No entanto, o grande fator positivo desta produção é o elenco, tanto dos jovens quanto o dos avatares. Jack Black que interpreta o avatar de Bethany (Madison Iseman) é quem rouba a cena. E mesmo que algumas piadas as vezes sejam as mesmas – como sobre a falta de sinal de celular na selva – elas nunca cansam. 


É preciso mencionar também Karen Gillan, responsável por uma das melhores cenas do filme, mas que por algumas vezes acaba ficando um pouco apagada dentro da trama.

O longa tem ótimas cenas de ação e bons toques de comédia, como também traz uma mensagem bem interessante e universal, independente do espectador ser uma criança, adolescente ou adulto. Não estamos diante um filme maravilhoso, há falhas, Jumanji é um filme pipoca e não há nada de errado com isso, pois este cumpre seu objetivo que é entreter
Apesar de alguns pequenos defeitos, Jumanji: Bem-Vindo a Selva consegue vingar o original, trazendo o mesmo espírito, mas também sabendo se inovar igual o jogo, e que com toda certeza deixaria Robin Williams muito orgulhoso.

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Crítica: O Rei do Show (sem spoilers)

24 dezembro 2017 7 Comentários

Quando eu soube que haveria um filme sobre a história de P.T. Barnum, não consegui conter meu interesse sobre a produção. Ao descobrir que o protagonista seria Hugh Jackman, o tiro foi certeiro no alvo da curiosidade e já estava esperando a data de estreia, até que a convite da Fox Films, pude conferir o longa. Sendo assim, convido todos a acompanhar está análise — e podem ficar tranquilos, pois não contém spoilers.

Não tenho receio em confessar que fiquei com medo e julguei que o Wolverine provavelmente não se sairia bem em um filme de drama, interpretando um homem normal, longe da fúria selvagem do personagem mais aclamado de Hugh Jackman. No entanto, mordi minha língua e este comprovou mais uma vez que é um excelente ator e faz o que precisa ser feito em O Rei do Show.




Outros atores bastante conhecidos como Zack Efron e Zendaya também formam o elenco da produção. Contudo, embora tenha um papel maior que os demais, Efron não consegue se destacar no filme. Já Zendaya e os outros tantos atores ficam sem espaço e não há nenhum brilho especial além do nome.

Na verdade, o próprio Hugh não tem muito espaço diante da grandiosidade dos números musicais. As emoções transmitidas nas músicas foram feitas de forma correta pelos atores, só acho que deveria ter sido dado um tempo maior para o desenvolvimento dos personagens. Não que ser um musical tenha sido um erro. Acredito, até mesmo, que foi inteligente diante da história apresentada, além de ser um diferencial, uma vez que é baseado na realidade e muitos conhecem o roteiro de vida do protagonista.

Uma adaptação da vida de P.T. Barnum que foi muito bem retratada em alguns momentos, mas também muito adaptada em outros. Eu, mesmo conhecendo a história do mestre das artes fraudulentas, tive dificuldade em aceitar os protestos demonstrados no filme. Pouco se falou sobre as fraudes do protagonista — apenas um breve momento —, enquanto as retaliações perduraram massivamente até ao ápice da produção.

Outro fator, é que alguns efeitos me incomodaram bastante. Contudo, não ficou claro se a ideia era demonstrar as fraudes ou se foi o resultado de um possível baixo orçamento para o filme.


Uma história que fala sobre ambição, sobre decisões, sobre erros, acertos e suas consequências, sobre perdão, sobre humanidade, sobre a vida e essas mensagens ficaram muito bem encaixadas ao longo da trama, o que acredito que tenha sido o principal objetivo do filme. É muito difícil que ninguém se identifique pelo menos com um dos muitos momentos de vida apresentados em O Rei do Show.

Quanto às músicas, é praticamente impossível não querer levantar e dançar junto com os personagens, principalmente nas cenas em que todos eles estão cantando e dançando nos espetáculos. Todas muito envolventes e com letras tocantes — que eu espero que não estejam dubladas nas versões não legendadas da adaptação.

Um bom elenco, uma narrativa baseada em uma história real, uma mensagem para cada telespectador, um apelo pela humanidade. Com limitações aceitáveis para um musical que não pode ser comparado a uma grande produção, O Rei do Show não extrapola, mas cumpre seu objetivo e merece aplausos.

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Crítica: Roda Gigante (sem spoiler)

21 dezembro 2017 0 Comentários

Woody Allen com toda a certeza é um dos diretores mais ativos de Hollywood, pelo menos nos últimos 60 anos. Realizando um filme por ano, atualmente também decidiu se aventurar pelo mundo da TV com a série Crisis in Six Scenes. Sempre que lembramos da frase mostrada no começo de seus filmes e até em anúncios, “Escrito e dirigido por Woody Allen“, já sentimos um quentinho no coração e, mesmo que às vezes a história acabe mostrando algo repetido de outras obras, ele sempre consegue fazer com que o público mergulhe em sua narrativa.
Em Roda Gigante, mesmo com um roteiro muito bom, temos um fator que se destaca de tudo: a atuação maravilhosa e sem igual de Kate Winslet.

Muitas atrizes já conquistaram uma estatueta por papéis em filmes de Allen, talvez esse ano seja o de Winslet conseguir o mesmo. A atriz interpreta Ginny, uma ex-atriz que após seu fracasso no mundo da atuação trabalha como garçonete na região de Coney Island, praia que fica no Brooklyn, em Nova York.

Ela vive com seu segundo marido, que trabalha como operador do carrossel (James Belushi) e seu filho do primeiro casamento, e todos acabam tendo sua rotina modificada após a chegada de Carolina (Juno Temple), filha do primeiro casamento de seu marido. A jovem não tem contato com seu pai há cinco anos, mas precisa de abrigo depois de fugir de seu esposo chefe da máfia.

A trama toda é narrada por Mickey (Justin Timberlake), o salva-vidas da praia local, que durante o verão acaba se envolvendo com Ginny e se interessando por Carolina. O cantor interpreta o famoso arquétipo de Woody Allen, o sujeito fracassado que sonha com o sucesso se tornando um grande poeta ou escritor conhecido. Logo de início, já é dito por Mickey que este valoriza mais o melodrama do que os personagens, fazendo com que o espectador entenda as intenções do nosso narrador, ao deixar claro que prefere conhecer mais as histórias do que os personagens.

A fotografia do filme é aquela já esperada por Allen, sempre da melhor qualidade possível, com belas cores e cenas com grandes significados. Vittorio Storaro que trabalhou com Allen em Café Society retornou e foi ainda mais além em Roda Gigante. A fotografia do filme não é só algo estético, mas ajuda a contar a história e dar sentimentos para os personagens e suas cenas. Em muitos momentos, quando temos Ginny falando sobre Mickeyem seguida sobre seu marido, vemos a mudança de
cor em tela, sendo está usada como uma fonte para externar todo o sentimento dos personagens.



Filmes produzidos pela Amazon andam fazendo sucesso e, com toda certeza, isso também fez uma grande diferença para a liberdade criativa do diretor, ao entregar uma história que fará você se apaixonar pelos personagens, cores, música e grandes reviravoltas.

Roda Gigante nos apresenta uma trama simples, valorizando as boas atuações e mesclando muito bem o humor e o drama, com toda certeza é um filme que deixará os fãs de Woody Allen muito felizes. Será impossível não sair encantado da sala de cinema com a atuação magnífica de Kate Winslet que mostra como as emoções podem realmente funcionar como uma roda gigante.