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Animais Fantásticos e Onde Habitam: O que podemos concluir após o trailer.

12 abril 2016 0 Comentários

No domingo passado, durante o MTV Movie Awards, foi transmitido o segundo teaser trailer de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, levando a internet à loucura. Nos 2min15seg de trailer foram jogadas tantas informações e referências, que resolvi destrinchar alguns pontos importantes que talvez você tenha perdido devido a tamanha euforia. Assim sendo, confira abaixo, os pontos que chamaram mais atenção, como também, algumas sugestões do que podemos espera do filme.


1. A ação dessa vez será em Nova York, durante os anos dourados do Jazz.


Se preparem para a invasão dos bruxos americanos! A trama irá se passar na Nova York dos anos 20, conhecida também como a “Era do Jazz”. Neste período as pessoas queriam esquecer todo o sofrimento causado pela Primeira Guerra Mundial e aproveitar o que a vida dava a oferecer: Festas, Músicas Arte, etc. Se preparem para uma era bem glamour e boêmia, com figurinos riquíssimos e ambientações de tirar o fôlego.


Historicamente, a época também foi bem relevante devido a acontecimentos como A Quebra da Bolsa de Valores em 1929 e a conquista do direito ao voto da mulher e sua luta pela independência em 1920. Sendo interessante saber como tais temas serão retratados no longa, já que a própria J.K Rowling mencionou que o mundo mágico será influenciado pela cultura norte americana.


2. Newt foi expulso de Hogwarts.


Logo no início do trailer sabemos que o personagem foi expulso da escola de magia por “por em perigo vidas humanas por conta de uma besta”. Contudo, o mais interessante, é que certo professor chamado Alvo Dumbledore (nessa hora o coração de qualquer potterhead parou!) foi fortemente contra sua expulsão. A menção ao personagem nos faz crer que o diretor de Hogwarts, nos auge dos seus 40 e poucos anos, já era professor de Transfiguração na escola. Será que teremos uma participação especial?




3. Essa mala definitivamente não é confiável.


Assim que Newt põe os pé em NY, por óbvio, tem que passar pela alfândega. No entanto, podemos ter a noção que a mala de Newt é muito mais do que aparenta ser uma vez que está tem um sistema “Muggle Worthy”. Seria este um “Undetectable Extension Charm?” (igualmente usado por Hermione em Relíquias da Morte – Parte 1).




Outro fator, é que ao abrir a mala para ser fiscalizada, encontramos dois itens que chamam bastante atenção: o primeiro é um cachecol nas cores cinza e amarelo, o que so pode significar uma coisa, Lufa Lufa, deixando claro a qual casa Newt pertencia antes de ser expulso. O outro é um mapa com dois pontos marcados, o que cria mais mistério sobre a visita do personagem às terras americanas.




4. Nova York tem seu próprio Beco Diagonal e jornal.


Além de toda ambientação, podemos ver que Nova York possui seu próprio Beco Diagonal. Um fato interessante é que nos anos 20 existia a “Lei Seca” que proibia o consumo e a comercialização de bebida alcoólica em Nova York, porém J.K explica em seu conto sobre a América do Norte de que MACUSA permitia o consumo de bebidas alcoólicas entre os bruxos, o que para alguns críticos era sinônimo de problema já que um bruxo chamaria muito mais atenção em uma cidade cheia de “trouxas” sóbrios. Entretanto, segundo a presidente Seraphina Picquery, ser bruxo nos EUA já era bastante difícil. Podemos concluir, então, que neste framer Newt e a gangue vão curtir um pouco da vida noturna.




Como já mencionado, os americanos tem o seu próprio jornal, chamado “The New York Ghost” (nome já confirmado pelo site Mugglenet), sendo este uma homenagem ao “New York Gazette“, que foi o primeiro jornal de NY. Além disso, conseguimos ver manchetes como “A caça internacional aos bruxos se intensifica” e a foto de um homem na lista de procurados que atende pelo nome de Alberto Marcellarus. Será que teremos uma caça as bruxas no melhor estilo Bruxas de Salem ? Não sei dizer, mas é importante mencionar que J.K em seu conto “A História da Magia na América do Norte” fala que os bruxos americanos eram muito mais rígidos e isolados dos trouxas do que os europeus, podendo a exposição de magia e a caça à bruxaria um dos temas a ser desenvolvidos no filme.



5. Há uma instabilidade política em ambos os mundos ?


É perceptível a corrida política durante todo o trailer. Caso você não tenha notado, o nome Shaw aparece em algumas cenas junto a inúmeras bandeiras americanas e cartazes com o logo “SHAW: O Futuro da America” Quem é Shaw? Será que ele representa algum perigo ao mundo bruxo? Não sabemos, mas alguém usa um Deluminator bem forte, para interromper o evento do candidato. Com certeza, isso trará problemas ao mundo bruxo.


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No mundo mágico as coisas também não aparecem muito estáveis em MACUSA, já que podemos ver uma quantidade significativa de aurores correndo em direção há um lugar ou alguém. Logo após, vemos Tina e Newt com os rostos bem preocupados dentro do Ministério da Magia americano.


6. Percival Graves pode surpreender.


Um dos personagens menos divulgados (junto ao de Ezra Miller) foi Graves. Pelo que temos conhecimento o personagem é um poderoso auror e braço direito da presidente Seraphina Picquery, porém neste trailer é lhe dado um grande destaque. Começamos com o personagem narrando uma conversa que aparenta ser entre ele e Newt. Logo após, vemos ele lançando um feitiço dentro do metro de Nova York e falando com Seraphina em um tom alarmante. Será que Graves será o antagonista? Ou irá ajudar Newt e seus amigos na caça das criaturas? O que podemos afirmar, é que o auror vai ficar de olho em cada passo do nosso protagonista. Tendo talvez um papel bem importante na trama.


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7. Diga olá a Modesty.


Há algum tempo atrás, a Warner divulgou que tinha achado uma atriz mirim para interpretar o papel de Modesty. Segundo eles, a personagem é “uma menina assombrada que possui uma enorme força interior e serenidade. Tendo o poder de decifrar pessoas e entendê-las“. A personagem conhece Newt em Nova York, tendo ela por volta dos 8 a 12 anos no longa. Agora, qual será a sua importância no longa? Isso é um mistério.

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8. As criaturas serão realmente fantásticas. 


Caso você não tenha notado somos apresentados as duas criaturas no trailer. A primeira é o “Niffler”, ou Pelúcio em português. Introduzido por Hagrid em “Harry Potter e o Cálice de Fogo“, é uma criatura fofa que tem um verdadeiro amor por objetos reluzentes, sendo bastante útil para achar tesouros. Apesar de ser uma criatura mansa, é altamente destrutiva não devendo ser mantida dentro de caso, conforme é descrita no livro.


Niffler FB teaser trailer gif


A segunda criatura é o “Swooping Evil”, animal inédito já que não se encontra descrito no livro. Segundo o site Pottermore “é uma criatura grande, parecida com uma borboleta, que emerge de um casulo“.

Swooping Evil FB teaser trailer gif


9. Haverá muitos momentos “bromance” entre Jacob e Newt.


Já prevejo inúmeros shippers dessa dupla. O que foi aquela cena de Newt entrando na mala enquanto Jacob o olha com total perplexidade. Definitivamente irá garantir boas risadas, e sabemos o quanto David Heyman é bom nisso (sendo a escolha perfeita para viver o trouxa que é jogado no meio do mundo mágico).


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Certamente o trailer de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” causou alvoroço nos potterheads, mas devo dizer que aquela sensação de ansiedade que estava adormecida há algum tempo dentro de nós, voltou a todo vapor. Então nas palavras da querida J.K Rowling termino este post com um AVANTE A NOVA ERA!



Fonte: (1) (2) 

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Linha do Tempo | Johnny Depp

10 abril 2016 0 Comentários

Ator, diretor, músico Johnny Depp (52 anos) já interpretou um pouco mais de 50 personagens, cada qual com sua personalidade marcante. Pensando nisso, resolvemos embarcar em uma rápida viagem na linha do tempo para relembrar com vocês alguns de seus trabalhos. Apertem os cintos!


1984
A Hora do Pesadelo – sim, aquele filme de terror moderno com medonho Freddy Krueger que até hoje é um ícone do gênero no cinema – marca a estréia de Depp nas telenas na pele do adolescente Glen Lantz (e um breve spoiler na gif) ~ assista ao trailer.


1985
No ano seguinte, Depp, aos 22 aninhos, interpreta o seu primeiro personagem chamado Jack em Férias do Barulho, um dos filmes mais assistidos da sessão da tarde ~ assista ao trailer.
1990
Em 1990, Johnny Depp chega em mais um clássico da Sessão da Tarde: Edward Mãos de Tesoura. O marca a primeira parceria do ator com o diretor Tim Burton. E foi graças a esse filme que Depp passou a não ser mais visto como um simbolo sexual e sim como um ator de verdade ~ assista ao trailer.
Em Cry Baby, Depp está no auge dos seus 27 anos e já tomando seu próprio espaço em Hollywood. No filme, interpreta um bad boy que se apaixona pela menina do grupo rival ~ assista ao trailer.


1993
Em Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador, Johnny Depp interpreta o protagonista Gilbert, que tem dificuldades com a família e ao mesmo se apaixona por uma jovem andarilha ~ assista ao trailer.


1994
Ed Wood, marca mais uma parceria com o diretor Tim Burton. Depp interpreta o próprio Ed Wood, um produtor e diretor de filmes trash e ficção científica. O filme rodado em preto e branco se passa na década de 1950, mostra um pouco da vida do diretor que entrou para a história como um dos piores diretores de todos os tempos ~ assista ao trailer.

Em Don Juan DeMarco, Depp mais uma vez ganha o papel principal, se tornando o romântico, sedutor e lendário conquistador Don Juan, o rapaz por trás de uma máscara negra ~ assista ao trailer.

1999
Seria novidade dizer que esse filme é mais uma parceria com Tim Burton? Não! Pois bem, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça é um terrorzinho de cores frias, bem no estilo Burton, com direito a trilha musical composta por nada mais, nada menos que Danny Elfman. Depp interpreta o investigador Ichabod Crane, que é chamado para solucionar o mistério que assombra a cidadezinha de Sleepy Hollow ~ assista ao trailer.

2000
Chocolate entra na lista daqueles tipos filmes de romance de arrancar suspiros. Johnny Depp interpreta o cigano Irlandês, Roux. ~ assista ao trailer.


2001

Em Profissão de Risco, Depp interpreta George Jung, um dos principais importadores de cocaína do Cartel de Medelin. Durante anos, Jung foi um dos principais alvos do combate às drogas do governo americano e era quem fazia a conexão entre os EUA e a Colômbia. Esse foi o seu primeiro trabalho ao lado da atriz Penelope Cruz ~ assista ao trailer.



2003
Se você falar “Johnny Depp” para alguém, a mente automaticamente completa: Jack Sparrow. Chegamos a um ponto da linha do tempo que até minha mãe sabe quem ele é! A franquia fez tanto sucesso que está prestes a lançar o quinto filme da franquia. ~ assista ao trailer.


2004

Para quem gosta de suspense, Janela Secreta (adaptação de um conto de Stephen King) pode ser considerado um dos melhores trabalhos de Johnny Depp – que mesmo sendo reconhecido por outros personagens excêntricos e mentalmente perturbados – está incrível no papel de Mort Rainey, um escritor decadente, que após flagrar a traição de sua esposa, decide se isolar em uma cabana em busca de tranquilidade, até que John Shooter aparece e começa atormentá-lo, acusando de plágio de uma de suas obras ~ assista ao trailer.

No longa Em Busca da Terra do Nunca, Depp interpreta James Matthew Barrie, um autor de peças teatrais que apesar da fama, está enfrentando problemas com seu trabalho mais recente, que não foi bem recebido pelo público. O filme é maravilhoso. E o elenco incluí Kate Winslet (Titanic) ~ assista ao trailer.

2005

No remake de A Fantástica Fábrica de Chocolate de 1971, em mais uma parceria com o diretor Tim Burton, Johnny Depp aparece sem barba e quase irreconhecível no papel de Willy Wonka ~assista ao trailer.



2008
Em Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, Depp solta o gogó no musical dirigido por Tim Burton, interpretando o vingativo Benjamin Barker/Sweeney Todd. Quem também nos impressiona com sua voz é a magnifica Helena Bonham Carter (ex-mulher do diretor) e Alan Rickman (Snape – Harry Potter – R.I.P). O “trio-parada-dura” se encontra mais tarde, no filme Alice no País das Maravilhas ~ assista ao trailer.

2009

Em Inimigos Públicos, John Dillinger (Johnny Depp) é um criminoso audacioso e violento, mas que atraía a opinião pública ao seu favor, principalmente, porque dizia retirar das instituições financeiras o dinheiro que elas roubavam do cidadão. O filme é legal, ok, “assistível”, mas não foi um sucesso de bilheteria ~ assista ao trailer.

Já em O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus, o plano seria que o filme fosse todo protagonizado por Heath Ledger que infelizmente morreu antes de terminar as gravações. Para não perder a produção, Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell foram escalados para fazer as outras “faces” do personagem Tony ~ assista ao trailer.


2010
Em mais uma parceria com Tim Burton, Depp entra para o elenco da adaptação do clássico da Disney: Alice no País das Maravilhas, no papel do Chapeleiro Maluco ~ assista ao trailer.

No filme O Turista, Johnny Depp interpreta Frank Tupelo que durante uma viagem conhece Elise Ward (Angelina Jolie), uma britânica que intencionalmente cruza o seu caminho. O romance se desenvolve rapidamente à medida que ambos se envolvem num jogo mortal. O filme é mais um daqueles que entram na lista de “assistíveis”, mas sem grandes novidades ~ assista ao trailer.

2011
Em O Diário de Um Jornalista Bêbado, Depp interpreta o protagonista Paul Kemp, um jornalista itinerante, que cansa de Nova Iorque e viaja para Porto Rico para escrever para San Juan Star. Kemp começa o hábito de beber cachaça e fica obcecado com a mulher Chenault (Amber Heard), que está noiva de um colega jornalista ~ assista ao trailer.

2012  
Com tantas “faces” no currículo e para quem achava que só faltava Johnny Depp fazer papel de um vampiro, agora sabe que não falta mais nada! Apesar de o filme Sombras da Noite não ter tido uma boa crítica, Depp ficou com o papel de Barnabas, em mais uma parceria com o diretor Tim Burton ~ assista ao trailer.

2013
O filme O Cavaleiro Solitário se passa no Texas, em 1869. Onde John Reid (Armie Hammer) é um representante da lei que, após uma emboscada, fica ferido e é abandonado por seus inimigos. À beira da morte, ele é salvo pelo bom índio Tonto (Jack Sparrow, ou melhor, Johnny Depp), que passa a ser seu fiel escudeiro. Agora, Reid busca vingança e para isso, passará a usar uma máscara tornando-se o famoso Cavaleiro Solitário. Misturando ação e humor, esta aventura baseia-se na complexa convivência entre os dois heróis, e na impiedosa luta contra a corrupção e a ganância ~ assista ao trailer.


2014
Transcedence: A Revolução é mais um filme não muito bem sucedido, com bons atores e uma história mal abordada, mas como nem só de filmes bom vive o homem… Depp interpreta o Dr. Caster, um famoso pesquisador de inteligência artificial que está trabalhando na construção de uma máquina consciente que terá informações sobre todo tipo de conteúdo com grande variedade de emoções humanas. Após uma tentativa de assassinato, Caster convence sua esposa e seu melhor amigo a testar seu novo invento, só que nele mesmo ~ assista ao trailer.

O filme Caminhos da Floresta é uma visão moderna dos contos dos irmãos Grimm, cruzando as tramas de algumas histórias e explorando as consequências dos desejos de cada personagem totalmente como em musical da Broadway. Infelizmente, Johnny Depp é desperdiçado em cena, assumindo um papel pequeno como Lobo Mau ~ assista ao trailer.

2015
Há muitas divergências sobre o filme Mortdecai – A Arte da Trapaça, alguns acham engraçado e outros dizem ser o pior filme que Johnny Depp já fez. Apesar do esforço, Depp escorregou nas referencias, tropeçou no Jack Sparrow e caiu no papel do protagonista Charles Mortdecai, um conhecido negociador de arte que passa por dificuldades financeiras que o obrigam a vender algumas de suas preciosidades. O filme também conta com a participação de Gwyneth Paltrow, Paul Bettany e Ewan McGregor, que também não ajudaram muito ~ assista ao trailer.

E para recuperar do escorregão do filme anterior, Johnny Depp honrou o nome e carreira em Aliança do Crime. Fugindo dos personagens “clichês” e baseado em fatos reais, Depp é Whitey Bulger, irmão de um senador dos Estados Unidos, e um dos criminosos mais famosos da história do sul de Boston. Ele começou a trabalhar como informante do FBI para derrubar uma familia de mafiosos, mas foi traído pela agência, tornando-se um dos homens mais procurados do país. ~ assista ao trailer.

2016
E para esse ano teremos a volta de um dos personagens mais queridos de Depp, o Chapeleiro Maluco, na sequência Alice Através do EspelhoO filme estréia dia 26 de Maio ~ assista ao trailer.

2017
E para encerrar nossa viagem, abaixamos nossa âncora até a volta do Capitão Jack Sparrow no quinto filme da franquia Piratas do Caribe – Os Mortos Não Contam Histórias, que já tem data de estréia: 07 de Julho de 2017.


Ah, não se esqueça de deixar aqui nos comentários quais os filmes que vocês mais gostam, quais faltaram aqui e qual o melhor papel que Johnny Depp já fez.


Até a próxima viagem!
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Critica | Batman vs. Superman: A Origem da Justiça

24 março 2016 0 Comentários


Quando eu era criança e meus pais trabalhavam o dia
inteiro, eu sempre voltava da escola e passava as tardes na casa da minha avó. Eu
assistia TV o tempo inteiro na época, porque achava que era a coisa mais
especial que a humanidade tinha sido capaz de inventar. Estava passando o
Superman de Christopher Reeve, certa
vez, e eu lembro de ter levantado e ficado pulando de frente para a televisão,
acreditando, pela primeira vez, que um homem podia voar.

Muita gente se acostumou a pensar que nunca existiu o
gênero cinema de super-herói antes do
Homem
de Ferro
, em 2008. E não digo no sentido de que não saibam que outros
filmes existiram antes ou sua importância, é no sentido de que parece que
algumas pessoas pararam de admitir qualquer coisa fora do padrão estabelecido
pela Marvel.

No entanto, antes do universo compartilhado da Disney, que
todos aprendemos a amar (ou pelo menos a maioria), antes do sucesso indiscutível
da fórmula Marvel de fazer cinema, havia Batman e
SupermanE havia uma geração, como a minha, que achava que nada nunca mais
seria igual a emoção daqueles filmes.

Vamos avançar um pouco no tempo agora. Os efeitos especiais estão por
toda parte. Parece tão fácil e monótono. Ninguém mais acredita que o homem pode
voar. Nem se importa. Estamos em 2016.
No que Batman v. Superman nos faz acreditar? De minha parte, no futuro do gênero e
em sua capacidade de se reinventar.
Spoilers a frente…

É a primeira vez que o
cinema coloco esses heróis frente a frente. As expectativas do público estavam,
como o Superman, à prova de balas. Como já vimos nos trailers, temos Batman e
Superman em momentos muito específicos de suas carreiras. Esse Superman precisa
enfrentar as consequências da grande batalha de Metropolis, do final do filme
anterior, O Homem de Aço, não só
perante o mundo, mas, principalmente, diante de si mesmo. Ser o herói e a
esperança do mundo estão cobrando um preço muito mais alto do que a ingenuidade
dos quadrinhos da Era de Ouro nos fizeram acreditar. Como símbolo, este
Superman precisa arcar com os olhos de um mundo inteiro voltados para ele, para
admirar ou para julgar. Seu medo de atravessar a linha sutil entre um herói e
um tirano é o que dita o ritmo de todo o seu arco no filme. Ele tem medo de se
tornar o Batman. Ele tem medo, sobretudo, de viver num mundo em que o Batman
seja necessário. Ele precisa acreditar que os homens ainda são bons, que ainda
existe uma ética maior regendo as civilizações, porque sabe que no momento que
sua bússola moral deixar de apontar o Norte certo, ele será mesmo o deus
ensandecido que seus críticos tanto temem.

E seu maior crítico é o
Batman. Não era só marketing. Este é mesmo o Batman de Frank Miller. No visual,
na idade avançada, na desesperança. O mundo que Bruce Wayne enxerga é tão cinza
quanto as cores frias do filtro de Zack Snyder. Enquanto Superman se equilibra
numa moralidade tênue, Batman já atravessou a linha muitas vezes. E ele não acredita
mais que homens ainda podem ser bons. Esse é o cerne do conflito, o que a humanidade
significa para cada um deles.

Na verdade, não existe
uma razão única para o embate. O roteiro está o tempo todo propondo variáveis,
muitas vezes com sutilezas dentro dos diálogos, mas tudo sempre retorna para o
contraste moral entre a dupla de protagonista. O contraste entre a crença do
Batman de que todo homem (ou super-homem) pode ser corrompido, e os valores
ingênuos de um alienígena que quer acima de tudo estabilizar em si mesmo toda a
bondade humana.

O drama filosófico apontado e montado nas diversas sequências de jornais e televisão (também isso
um presente do Frank Miller) capta a essência dos dois personagens em cenas orgânicas
que conseguem ser explicativas sem ser monótonas, cobrindo um longo período de
eventos em poucos minutos. Assistir especialistas debatendo a existência do
Superman na televisão normatiza automaticamente essa existência. É um recurso
interessante e inteligente que consegue falar de muita coisa sem exaurir com
diálogos desnecessários.

Quando Bem Affleck foi
primeiro anunciado como Batman, eu também destilei meu desagrado pela internet.
Nada muito dramático, mas tenho certeza que há em algum lugar um tweet perdido, dizendo como eu estava pessoalmente
ofendido com a escolha. Eu estava enganado, é claro. Neste ponto, vou precisar
recorrer ao chavão famoso dos fãs do Morcego: talvez não o Batman que
queríamos, mas certamente o Batman que precisávamos. Nunca fui um entusiasta do
trabalho do ator, e talvez continue sem ser por mais algum tempo, mas devo a
ele a versão mais fiel, mais bem escrita e representada de um Batman para o
cinema. À Bruce o que é de Bruce. Este Batman tem, de fato, uma grande dívida
com Frank Miller, mas não só com ele. É, para mim, principalmente a versão
encarnada do Batman das animações clássicas de Bruce Timm, estrategista,
neurótico, muito mais focado no fim do que nos meios. Um homem adulto revivendo
o filme inteiro o trauma da perda de seus pais. Bem Affleck entrega, assim, um herói
cínico e sisudo, transitando entre o boêmio Bruce Wayne (a verdadeira máscara)
e o inesgotável e implacável vigilante das sarjetas sujas e escuras de Gotham.


Henry Cavill, por sua
vez, sem ter mais que lidar com a expectativa de seu primeiro filme, está muito
mais à vontade em seu papel, nos entregando um Superman menos amargurado que no
filme anterior, mais próximo da figura do escoteiro que consagrou o personagem.
Entre as maquinações de Luthor e a ameaça de um vigilante implacável, este
Superman ainda encontrou tempo para sorrir, revertendo o principal desagrado
dos fãs do personagem com o que vinha sendo mostrado até aqui nos trailers. Não
se preocupe, Clark Kent nem sempre é o sujeito carrancudo que o marketing nos
fez acreditar.

Mais do que um fã do
Superman, sou um fã de Clark Kent, o repórter. E aqui está algo que Snyder tinha
ficado devendo em O Homem de Aço.
Clark Kent, o repórter, no seu ambiente de trabalho, no seu relacionamento
estável com Lois Lane, nas suas conversas com sua mãe ao pé da varanda, numa
pacata fazenda em Smallville. Se você é fã desse Clark Kent, bem-vindo ao
universo cinematográfico da DC, porque ele está vivo de novo.

“Procurando o monumento dele? Olhe ao seu redor”.
Já Lois ainda tateia
pelas bordas. Sem dúvida, conseguiram lhe dar muito mais significado e
relevância neste filme, não só como jornalista, mas como o porto seguro do
Superman também. É um avanço em relação a como a personagem foi retratada em O Homem de Aço, onde ela me pareceu
forçadamente utilitária demais. Aqui, Lois investiga, como o Batman, e vai para
o meio dos eventos, como o Superman. Ainda que não consiga se libertar da
mesquinhez de uma donzela constantemente em apuros, ela consegue em certo ponto
salvar Clark também.

Se a donzela aparece
constantemente em apuros é por conta do Lex Luthor de Jesse Eisenberg. Sem
dúvida não é aquele com o qual estamos acostumados. Ele é excêntrico, estranho,
bipolar, muito mais jovem do que o esperado. Se veste como um milionário que se
disfarça de mendigo. Na verdade, está muito mais próximo do cientista louca das
suas primeiras versões do que do empresário bem-sucedido e megalomaníaco das
versões mais consagradas. A megalomania continua, é claro. Ele quer dominar o
mundo! Mais ou menos.

Se tirarmos todas as
camadas, no entanto, o que nos leva a reconhece-lo como o Luthor é a essência
principal de suas motivações: estamos diante de um homem incrivelmente
inteligente que nunca aprendeu a lidar com o tamanho do seu ego e
principalmente com o absurdo de sua inveja patológica de um Superman. Isso é
Lex Luthor, senhoras e senhores. Em qualquer versão do personagem, é isso que
prevalece e permanece, muito mais que um empresário ou um cientista louco, um
megalomaníaco invejoso, que nunca quis destruir o mundo, ele quer salvá-lo, só
que em seus termos, e antes do Superman.

A sua cena com o Superman
no clímax do filme, no momento mais marcante do segundo ato, consegue com
eficiência dimensionar um personagem gigante. Jesse Eiseinberg nos apresente
ali um Lex sem precedentes no cinema. Ele foi criado ali. Naquela cena, para
encenar aquele diálogo. E aqui, preciso creditar os diálogos ambíguos,
metafóricos e multi-significativos escritos pelo vencedor do Oscar, Chris
Terrio. O roteiro consegue amarrar a bagunça aparentemente desconexa do
primeiro ato com uma única cena, sem precisar forçar em nada a ação dos
personagens. O discurso de Luthor não é só uma explicação para quem não
conseguiu acompanhar o desenrolar de seu plano, são as palavras de um menino
mimado que passou o filme inteiro esperando pelo momento de humilhar aquela
espécie de deus.


Não que fosse difícil de
prever que era Luthor colocando os heróis um contra o outro, dá para ver desde
o trailer, mas é neste momento que o cinema começa realmente a vibrar. Dali em
diante, temos o tão aguardado embate. Algo que eu já não acreditava que um dia
fosse ver numa tela de cinema.


Mas não é só Batman
contra Superman. Muito mais importante que isso, no filme, é a origem da
justiça. Neste sentido, os pesadelos e ilusões eram um mal necessário. Foi o
modo mais orgânico que eles conseguiram propor para trazer a Liga da Justiça
para dentro do roteiro.

Mas tem que se admitir
que a confusão e estranheza geradas pela sequência do pesadelo no deserto, com
a subsequente aparição de um Flash do futuro, prejudicaram o andamento do
primeiro ato. Para quem vem acompanhando a produção desde seu início, não foi
difícil conciliar a aparição dos para-demônios e aquele Batman de uma realidade
distópica, mas o púbico mais geral provavelmente deve se sentir deslocado. Um
sonho dentro de um sonho, que na verdade é um futuro provável. Não parece tão
simples, não é?

As demais aparições dos
membros da Liga, no entanto, são um espetáculo à parte. É divertido ver o Flash
de Ezra Miller (outra escolha com a qual tive ressalvas) sendo flagrado pelas
câmeras de vigilância, e assombroso ver a imponência de Jason Mamoa como
Aquaman, surgindo como uma criatura das profundezas.


Visualmente o filme é
encantador. Zack Snyder é de fato um diretor muito visual. Mesmo os seus
críticos precisam concordar com isso. Não vou entrar no mérito de debater a má
vontade dos odiadores profissionais de Zack Snyder, porque o estilo do diretor
sempre me deixou entusiasmado. No entanto, algumas escolhas de filtro,
principalmente, em Gotham, prejudicaram o desenrolar da ação. Não é fácil acompanhar,
por exemplo, a longa sequência da perseguição com o Batmóvel. Em muitos
momentos, tive que perder de visto o carro ou as explosões. É o tipo de coisa
confusa que não se justifica meramente com estilo.

Dito isso, já canso de fazer o advogado do diabo e volto a falar do que é bom: nada estraga a
grandiosidade de um épico construído sobre as bases morais dos dois
super-heróis mais reconhecidos em todo o mundo e em todas as épocas. Poder
finalmente ver Superman e Batman lado a lado (ou em lados opostos) no cinema é
um mérito por si só.

O terceiro ato nos mostra
a ascensão do Apocalypse, que remete ao controverso arco A morte do Superman. É aqui que a mágica realmente acontece.
Garotos sozinhos, hoje em dia, não conseguem derrubar a grande ameaça de um
filme de ação, não é mesmo? Isso é um trabalho para uma mulher. Nem um pássaro.
Nem um avião. Nem mesmo um homem, é a Mulher Maravilha que rouba a cena na
execução das últimas sequências (aplausos para Hans Zimmer e a incrível trilha Is She With You, com guitarra e tambores
marcando o ritmo da ação ao melhor estilo Mad
Max: Estrada da Fúria
).

Embora, inicialmente o
jogo de gato e rato utilizado como introdução da Mulher Maravilha possa parecer
mera tensão sexual entre Bruce e Diana, o que realmente torna a inserção da personagem
interessante é o foco que o roteiro dá a ela na principal cena de ação (beijo
para Lois Lane).

Quão grandioso é poder finalmente ver a Mulher Maravilha,
par romântico de ninguém, perfeitamente desleal ao clichê da donzela em apuros?
O cinema começa finamente a pagar sua dívida com a maior super-heroína de todos
os tempos. Vida longa a rainha.
E estamos aqui finalmente
diante da trindade, em carne e glória.


Por
meses, o filme amargou campanha contrária e baixas expectativas de venda, mas
agora nada disso importa. Chega de espernear e bater os pés. As lendas estão
vivas. Estão aqui, andando entre nós.
E é isso que a
maioria dos críticos de cinema não vão conseguir entender. Porque é para os fãs
que esses personagens mais importam.

Se como obra
cinematográfica, Batman v. Superman pode até errar em alguns pontos (não é perfeito, é
quase perfeito…), como lenda, como evento de quadrinhos, é desleal comparar com
qualquer outra coisa.



E se isto não é uma resenha, pode chamar de carta de amor.


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Critica | O Quarto de Jack

24 fevereiro 2016 0 Comentários


Olá tripulação!

Estou de volta para continuarmos
nossa maratona pré-oscar. Dessa vez a crítica será sobre o filme
O Quarto de Jack,
longa que foi indicado em quatro categorias (“Melhor Atriz”; “Melhor Diretor”; “Melhor
Roteiro Adaptado” e “Melhor Filme”) no Oscar de 2016.

O longa é baseado no livro de Emma
Donoghue, que conta a história de Joy Newson que aos 17 anos foi sequestrada e
mantida em cativeiro. Dentro desta ótica engravida de seu sequestrador e tem
Jack, sendo este criado dentro do pequeno espaço e sob o entendimento de que
nada existe no mundo além daquelas quatro paredes.

A história se inicia sob a perspectiva de Jack, um criança que nunca
viu ou tem conhecimento do mundo real, sendo criada sob a fantasia de que nada
existe fora daquele lugar. Logo em seguida somos apresentados a Joy e
percebemos a situação em que ambos vivem e o esforço da personagem em tentar
criar seu filho da maneira mais normal possível.
É nesse momento que a direção de Lenny
Abrahamson brilha. No primeiro momento, pelos olhos de Jack vemos um quarto
grande/ infinito, sob a perspectiva de alguém que considera aquele pequeno
espaço seu mundo, sendo o personagem uma grande alusão ao “Mito da Caverna” de
Platão, onde aquele que nasceu na “caverna” só conhece a sombra do mundo e não ele
por completo. No entanto quando é dado o enfoque em Joy podemos ver um espaço
opressor, claustrofóbico, desesperador, por estarmos sob a perspectiva de uma pessoa que perdeu a
sua liberdade.




Essa visão divergente sobre um
mesmo ambiente é muito interessante e na minha opinião ocorre durante todo o filme, estando
ambas em constante conflito uma vez que diante da possibilidade de fuga Joy
precisa fazer com que Jack tome consciência de que o mundo é muito maior do que
10 metros quadrados, criando rupturas no que ele sempre acreditou ser real.

Durante toda essa trajetória – da
vivência em um cativeiro à adaptação no mundo real – a direção de Abrahamson
mostra as dificuldades e superações dos personagens, por meio de câmeras subjetivas (onde o espectador assume a
posição do personagem) ou por uma fotografia que se inicia escura e no decorrer do filme se torna cada vez mais clara e iluminada, conversando com o
espectador.
Outro grande fator, senão o mais
importante deste filme, e a relação entre Joy e Jack, interpretados com
maestria por Brie Larson e Jacob Tremblay. A atriz consegue transmitir ao
público a maturidade que teve que adquirir diante de sua situação, assim como, a
sua fragilidade diante do rancor pelo
tempo perdido. Já Jacob se entrega de maneira total ao seu personagem, aqui não
vemos uma criança que simplesmente chora ou grita, mas que transmite as
dificuldades de sua adaptação, conseguindo emular inúmeras emoções, de uma maneira
bastante natural e segura.



Contudo nem tudo são flores,
sinto que o filme possui um problema de ritmo e que alguns personagens e
questões poderiam ser mais desenvolvidas, como por exemplo, a não aceitação do
pai de Joy pelo neto, o destino do sequestrador. Outro fator é que a trilha
sonora que não se demonstra muito presente durante o filme, deixando certas
cenas apáticas.
Por fim, pode se dizer que o Quarto
de Jack se sustenta diante de uma direção segura e da entrega dos atores aos
seus personagens. Demonstrando não ser apenas um drama sobre abuso/sequestro,
mas uma história de amor entre mãe e filho e a lenta jornada de ambos pela recuperação.







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Critica | Deadpool

11 fevereiro 2016 0 Comentários
Olá Tripulação!
Ontem a noite fui a
pré-estreia de um dos filmes mais aguardados do ano, Deadpool. O personagem
mais zueiro dos
quadrinhos ganhou uma versão cinematográfica, mas será que vale a pena
assisti-la? Leia a crítica do filme e descubra se Ryan Reynolds tem uma segunda
chance em nossos corações.

Muito bem, para quem não
conhece a história deste anti-herói tagarela, aqui vai um breve resumo: Wade
Wilson é um ex-militar e mercenário que é diagnosticado com câncer em estado
terminal, porém decide fazer parte de uma sinistra experiência diante de uma
possibilidade de cura. Contudo as coisas não ocorrem conforme o esperado, uma
vez que a experiência acaba o desfigurando. Agora imortal e com poderes,
tornar-se Deadpool e busca vingança contra o homem que destruiu sua vida.

Agora que todo mundo já se
situou vamos à análise do filme. Primeiramente, devo confessar que estava insegura
uma vez que a Fox não é referência quando se trata em adaptações de HQs (sem comentários Quarteto
Fantástico
)
. Contudo
todas minhas dúvidas sumiram com os créditos iniciais, ali o filme já dizia o
tom e a sua proposta e posso dizer que Deadpool é incrível do começo ao fim. Lógico
que o filme não é perfeito, mas antes de apontar uns pequenos erros vamos falar
dos acertos, pois este filme está cheio deles.

Hoje em dia a indústria
cinematográfica está produzindo uma grande leva de filmes de super-heróis, praticamente
todo ano temos de dois a quatro filmes dessa temática, o que vem saturando um
pouco o público diante da estrutura entre eles serem bem semelhantes. Já neste
filme tudo que é considerado padrão é jogado pela janela e é dado ao
telespectador um novo tipo de narrativa. Entenda, os elementos básicos estão presentes, mas não são usados da maneira tradicional. Isso ocorre diante da brilhante edição de Julian Clarke (“Distrito 9”) que nos dá um filme com um ritmo
rápido, uma narrativa objetiva e uma trilha sonora muito bem inserida (daquelas que você quer chegar em casa e baixar de tão boa!)

O diretor estreante Tim
Miller, foi uma grata surpresa. Adorei ele não ter utilizado a famosa “shaky cam” nas cenas de
ação – o que particularmente me irrita – e ter optado por cenas claras onde você vê toda a ação acontecendo nitidamente, demonstrando o conhecimento dele sobre
o gênero. 

Os diálogos desse filme são
SENSACIONAIS! Gente, eu não estou de brincadeira, a quantidade de referências a
cultura pop, geek, aos anos 80 e 90 são inúmeras e tão bem inseridas que
para citar cada uma delas teria que fazer outro post. O texto é ácido, politicamente
incorreto e extremamente engraçado, fazia tempo que não me divertia tanto no cinema.
Se eu desse uma estimativa diria que cerca de 95% das piadas desse filme
funcionam e isso se deve há um roteiro muito bem escrito que conhece o personagem que
está retratando.

Por falar em personagem,
arrisco dizer que Deadpool é a melhor adaptação de personagem de histórias em
quadrinhos para o cinema. A produção captou sua personalidade e a trouxe para tela de maneira fantástica, fazendo com que ele fosse evento principal do
filme. Ai você pode se questionar “Óbvio
que ele é o evento do filme, ele é o personagem principal!”
O que quero
dizer é que o personagem é tão bem construído, que o espectador
fica mais focado em suas ações ou atitudes do que nas cenas de ação que
o filme possui.


gallery image

Grande parte desse sucesso
também se deve a Ryan Reynolds, devo dizer que nunca fui fã do cara, mas sabe
aqueles papéis que nasceram para uma pessoa, tipo como o Robert Downey Jr. nasceu
para viver o Homem de Ferro. Pois bem, Ryan Reynolds é Deadpool. O ator é carismático
e está muito bem no filme, completamente a vontade no papel e se divertindo
demais, fazendo com que todas as suas ações ou reações – até mesmos as exageradas
e caricatas – sejam orgânicas. Não incomodando em nada o espectador, muito pelo
contrário, fazendo este se envolver cada vez mais com personagem.

Lógico que nem tudo são
flores, o roteiro tem alguns furos e os personagens secundários não são bem
desenvolvidos como o principal. Contudo se há algum incômodo em relação ao
filme eu diria que foi o vilão Ajax. Simplesmente eu não senti força nele, é como
se ele fosse o capanga do verdadeiro vilão, aquele que fica lutando
para salvar a energia do chefe, sabe?



Apesar de apontar esses
probleminhas, isso não atrapalha em nada a experiência que você vai ter no
cinema. Até mesmo porque o próprio filme não se leva a sério. Com isso, concluo que Deadpool foi um filme
muito acima das minhas expectativas, pois consegue agradar gregos e troianos
com seu humor negro, uma narrativa diferente e com uma liberdade artística (diante de sua classificação etária) que nenhum filme de super-heróis
até hoje atingiu.

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Critica | Joy – O Nome do Sucesso

1 fevereiro 2016 0 Comentários

Olá tripulação,


Estamos iniciando
a nossa corrida pré-oscar com a crítica de
Joy: O Nome do Sucesso, onde
Jennifer Lawrence está concorrendo na categoria “
Melhor Atriz”.

Em seu novo projeto, David O.
Russel decidiu contar a história de Joy Mangano, inventora americana responsável
por criar o “Miracle Mop” (esfregão que possui um dispositivo que permite
espremer a água sem sujar ou molhar as mãos), tornando-a umas das empresárias
mais bem sucedidas da atualidade. Como se sabe, o EUA adora uma história de “self
made men”
, gênero muito popular entre o público e o circuito de premiações, contudo
será que a terceira parceria entre David O. Russell e Jennifer Lawrence mantém
o nível das anteriores? Ou será que é muito barulho por nada?

O que posso dizer é que “Joy: O nome do Sucesso” é um filme bem
mediano. Apesar de possuir uma ótima trilha sonora que é bem aproveitada
durante todo o filme e uma fotografia bonita, nada mais de positivo posso falar
sobre o filme.

Primeiramente a abordagem lúdica
que Russell dá ao filme me incomodou um pouco, caso fossem inseridas dentro do
contexto apresentado, poderia trazer uma leveza e um ar cômico.
Contudo sinto que o diretor quis preencher as lacunas de um roteiro fraco e sem
graça, jogando algumas cenas de cantoria e de devaneios em uma “soap opera
para dar movimento a trama. O roteiro escrito pelo próprio Russell possui inúmeras
saídas convenientes para os problemas da personagem, para que assim haja uma
carga dramática sobre esta. Outro ponto é a unidimensionalidade dos
personagens, sendo totalmente caricatos e não tendo nenhum tipo de
desenvolvimento durante a trama.
Acho que a única atuação que
posso dizer que me convenceu durante todo o filme foi das gêmeas Aundrea Gadsby
e Gia Gadsby, que na história fazem o papel da filha mais velha de Joy,
Christie. As atrizes mirins conseguem envolver o espectador e dar dramaticidade
ao seu personagem de maneira muito natural diferentemente do resto do elenco
que apresenta problemas. Os “queridinhos” de Russell (De Niro, Lawrence e
Cooper) já apresentam tiques em suas atuações, é como se você estivesse vendo
relances dos personagens interpretados por eles nos dois projetos anteriores. O
que cansa o público, pois parece que todo mundo sabe como serão suas reações.

Entretanto, o maior erro deste
filme é Jennifer Lawrence. Não me leve a mal, JLaw é uma ótima
atriz, porém ela é o maior “miscast” deste filme. Sua atuação não é ruim,
contudo não é digna de indicação ao Oscar, como também, não é merecedora do
Globo de Ouro que ganhou. Sua Joy não é carismática e nem convincente, sendo o
maior erro da produção escalar uma atriz de 25 anos para fazer uma personagem
10 anos (ou até mais) velha que ela. Muitos podem vir e falar: “Mais isso não tem nada a ver, pois ela e
talentosa
”. Gente, tem sim! Ela não consegue transmitir a emoção ou profundidade
necessária, pois não possui a experiência do personagem que ela retrata, não há
uma conexão/compreensão entre a atriz e o personagem. Caso tivessem escalado
uma atriz mais madura para o papel a abordagem seria totalmente diferente, além
de dar mais imersão ao espectador. Deve-se pontuar que escalar a “it girl” do
momento só para dar bilheteria enquanto em Hollywood existem tantas atrizes
talentosas para o papel (Jennifer Garner helloooo!) não cola.

Por fim, posso dizer que a direção
de Russell é repetitiva e sem personalidade, tornando o filme arrastado e sem
foco, uma vez que tudo é jogado ao espectador. Por isso, caso você esteja querendo
assistir esse filme, recomendo que espere que este saia em DVD ou veja por meio
de alguma plataforma de streaming, pois de inspirador esse filme não tem nada.