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Resenha: Cósmico

18 setembro 2017 0 Comentários



Hey, tripulação! Depois de uma Bienal do Livro maravilhosa, como já aclamamos por aqui, eu vou trazer vários posts literários para vocês, durante um bom tempo, e aqui vai a primeira resenha do saldo de livros novos gerados pela Bienal 2017 — hoje vamos falar de Cósmico, um livro que tem bastante a ver com nosso blog!


Durante a caça ao livros, nessa festa que terminou há poucos dias atrás, eu encontrei Cósmico — na verdade, prefiro dizer que Cósmico me encontrou —, aquele livro com uma capa prateada, brilhando no alto de uma prateleira de liquidação me chamou atenção. O reflexo não me deixava ver muito bem qual era, até que eu peguei aquele pequeno pedaço de traje espacial, com nada menos que um astronauta na capa. Pronto, eu já estava apaixonado pelo livro. Depois que li a sinopse, tive certeza de que eu precisava levá-lo para casa. No dia em que ele me encontrou, eu não pude levar, porque já estava levando muitas outras coisas e a fila da Companhia das Letras estava gigante. Mas eu precisava dele e então escondi um exemplar no meio de vários outros livros e voltei no dia seguinte para buscá-lo! Deu certo, ele ainda estava lá me esperando!

Mas vamos à história do livro! Cósmico vai falar sobre crianças, seus mundos e como os adultos agem e interferem nele.

Aos olho de Liam, um garoto prestes a chegar na adolescência, porém muito alto para a sua idade. Aos doze anos, todos o confundem com um adulto, afinal, ele já tem até barba!

Ainda sem muito juízo na cabeça e também sem muita compreensão da dimensão de suas atitudes, Liam resolve usar suas características para se passar passar por adulto em algumas ocasiões, sempre se metendo em confusão, e sempre fazendo uma comparação de como as coisas das pessoas mais velhas possuem uma enorme diferença quando são analisadas por uma criança. Por cada cenário de adulto que Liam interpreta, o personagem convidará o leitor a acompanhar um ponto de vista único e simples sobre as coisas que fazemos todos os dias, mas que nem percebemos. Até que em uma dessas suas confusões, ele acaba perdido no espaço, a bordo de um foguete, em uma aventura — literalmente — muito cósmica! Mas será que Liam vai conseguir voltar? Será que Liam gostaria de voltar? Qual será o espaço em que estamos e qual seria o que gostaríamos de estar?

Durante todo o livro, os capítulos criarão momentos reflexivos. Seja sobre nossas reações fúteis, seja sobre como complicamos tanto algumas coisas que podem ser simples, seja como desvalorizamos o que realmente tem valor em meio à correria e ao ambiente que molda a vida adulta.

“Estou falando sobre como não pirar. Não esquecer as coisas que são importantes, as coisas boas e verdadeiras na vida. Há algo encantador lá em cima. E talvez você precisa ter algo no seu coração, sabe, mais encantador. Para conseguir voltar para casa. Do contrário, pode acabar se iludindo.”

Cósmico vai nos mostrar como muitas vezes crianças poderiam ser melhores pais do que nós, pessoas adultas. É um daqueles livros que vai fazer o leitor desacelerar a vida e parar para rever os próprios conceitos. É daqueles que quando a gente termina de ler, quer indicar pra todo mundo. Cósmico é uma excelente aventura, com a leveza de infanto-juvenil, mas recheado de grandes lições que nós precisamos reaprender de tempos em tempos.


Título: Cósmico

AutorFrank Cottrell Boyce
EditoraSeguinte (2012)
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Autores nacionais que você precisa conhecer!

12 setembro 2017 0 Comentários
A Bienal 2017 acabou e por aqui o clima é de saudade. Mas se tem alguma coisa que ela deixou de herança — fora as dores no corpo e a falência — foi o conhecimento e a experiência literária incomparável — quer maior riqueza? 
Há algum tempo eu venho desconstruindo uma característica horrível que eu tinha e, apesar da vergonha, irei lhes contar: um enorme preconceito com autores brasileiros. Claro que conheço, respeito e admiro escritores antigos como Pedro Bandeira, Machado de Assis ou Clarice Lispector, por exemplo, afinal eles são autores aclamadíssimos e não há dúvidas da qualidade de suas obras, mas estou falando de autores de romances atuais, de literatura jovem, ficção e até mesmo fantasia. Eu não acreditava que existiam obras nacionais atuais que fossem boas, mas estava errada, melhor dizendo, erradíssima! E se tem uma coisa que confirmou ainda mais essa minha mudança de conceito, foi o privilégio de conhecer alguns desses escritores e suas obras de perto.
Então, após essa longa introdução eu lhes digo, hoje apresentarei alguns desses escritores que se tornaram autores excelentes e que talvez vocês já tenham ouvido falar, mas quem sabe também nunca deram atenção ou até mesmo não tiveram a honra de conhecer. Sem mais delongas, vamos às apresentações: 

Carina Rissi

Apesar dela ser uma das autoras nacionais mais populares, eu nunca tinha dado a chance para seus livros até pouco tempo. E tenho uma coisa a dizer: MARAVILHOSA! Carina tem um jeito de escrever tão envolvente que você não consegue largar seu livro. Uma dica: Nunca inicie um livro dela à noite, senão você com certeza não irá dormir até acabar!
Na Bienal, ela estava lançando seu novo livro, Menina Veneno, uma releitura de Branca de Neve contada pela madrasta, a Rainha — que afirma dizer que não é má. 

Frini Georgakopoulos

Essa aí dominou a Bienal inteira! Difícil era participar de algum encontro com autor que ela não estivesse mediando, foi a dona da coisa toda mesmo! E quem teve o prazer de conhecê-la, se apaixonou com certeza! Com uma simpatia e um bom humor contagiante, Frini conquistou inúmeros fãs — e eu sou uma delas. Sua obra é Sou Fã e Agora? e vai falar de situações e sentimentos que nós, apaixonados por livros, filmes e séries estamos muito acostumados a vivenciar, nos ajudando a refletir o porquê de gostarmos tanto das histórias e dos personagens. Claro, tudo com bastante bom humor. Impossível não se identificar! E aguardem, seu próximo livro será uma releitura de clássicos de terror, contando com quatro clássicos e quatro autores: Frini, Raphael Montes, Carolina Munhóz e Raphael Draccon. Detalhe, provavelmente será lançado perto do Halloween  já posso surtar? 

Iris Figueiredo

Uma das mais novas escritoras nacionais da editora Seguinte, lançará seu novo livro em breve. Ainda não se sabe o título, mas ela muito prontamente nos contou do que se trata sua nova obra. Nas palavras da autora, o livro “é sobre uma menina que está no primeiro ano da faculdade e tem muitos problemas com a família. Depois de uma briga com a mãe, ela sai de casa e vai morar na casa da melhor amiga. Só que o irmão da melhor amiga é a paixão dela desde sempre. Eles acabam se aproximando, mas nesse meio tempo ela tem crises graves em vários momentos que a paralisa e apesar de não saber muito bem o que está acontecendo, ela precisa lidar com todo esse turbilhão dentro dela. O livro vai falar bastante sobre família, amizade e saúde mental”. Já estamos contando os dias e juntando o dinheiro para o lançamento!

Paola Scott

Você olha pra ela e já vê que é uma Diva! Apesar de não estar acostumada com o gênero romance erótico, Paola me deixou com muita vontade de conhecer suas obras e me aventurar um pouco por esse gênero, até então, desconhecido para mim. Já começando pela sua motivação, ela sentia falta de romances com mulheres na fase madura, então decidiu escrever. Isso é admirável! Ou ela ficava sentada esperando alguém escrever algo que a representasse ou escrevia seu próprio livro. Que bom que ela escolheu a segunda opção! Ainda há muito preconceito com o gênero erótico no meio da literatura e isso é lamentável. Afinal, você não precisa gostar do gênero, mas não cabe desconsiderar. Paola escreve maravilhosamente bem, vem ganhando muitos fãs e tenho certeza de que você ainda vai ouvir muito seu nome por aí. 

Marina Carvalho 

Com oito livros publicados, Marina é uma autora que já conquistou um grande espaço no ambiente literário brasileiro e seu grupo de fãs só aumenta. Eu mesma saí da Bienal com três livros dela e já adianto que em breve haverá resenha rolando por aqui! Seu oitavo livro foi lançado na Bienal e se chama A História de Malika. Se você ainda não a conhece, não perca tempo! Pegue um dos títulos dela e pronto, vai virar fã!

Vitor Martins

Nessa onda de Youtubers escrevendo livro, Vitor veio pra mostrar que há literatura de qualidade nesse meio, sim! Quinze dias é o primeiro livro do cara e segundo o autor, o livro “conta a história de Felipe que é jovem, gay, gordo, melancólico e cheio de crises existenciais (ele é engraçado, eu juro).” Se eu comprei? Claro e em breve vocês lerão mais sobre ele, aqui na nossa transmissão.

Eric Novello 

Tivemos o prazer de conhecer esse escritor no encontro de leitores da editora Seguinte. Se você ainda não leu nenhuma obra de sua autoria, provavelmente já leu alguma das que ele traduziu ou editou. Pois é meus amigos, Eric é multitarefas! E seu mais novo livro, Ninguém Nasce Herói, já me chamou atenção pelo título, e ao ler a sinopse eu juro que até me arrepiei. Mas quem vai trazer mais detalhes sobre ele por aqui, será o Miguel, que ganhou o livro, autógrafo e selfie — e talvez eu esteja com um pouco de inveja!

A.C. Meyer

Essa mulher é poderosa! Sua série de livros After Dark vendeu milhares de cópias em todo o Brasil. Inclusive Encantada por Você, quarto volume da série, foi eleito o melhor romance de 2016, pelo iBooks. Seu novo livro se chama Cadu e Mari, que conta a história de um romance entre a secretária de uma grande revista de moda e seu chefe, abordando as dificuldades, preconceitos e intrigas que terão que vencer para vivenciar este amor.  

Raphael Draccon 

Eu sei, eu sei, Raphael dispensa apresentações para qualquer leitor ávido, mas caso você não habite no mesmo país que eu e ainda não tenha ouvido falar desse maravilhoso escritor, sinta-se apresentado. O cara é tão poderoso que foi considerado pela revista Isto É como um dos dez autores brasileiros mais influentes do atual mercado brasileiro literário. É muito poder mesmo! Miguel — que é um dos maiores fãs do escritor — também trará mais sobre as obras dele, em breve.

Carolina Munhóz

Falando no poderoso Draccon, eu não poderia deixar de mencionar a sua poderosa, carne e unha, alma-gêmea, maravilhosa, princesinha do pop — Carolina Munhóz. Eu juro que se você procurar simpatia no dicionário, verá a foto da Carol na definição. Ela é sensacional! Seu mais novo livro se chama Por um Toque de Magia e faz parte da Trindade LeprechaunImagine um mundo onde Leprechauns existem e inclusive são donos das marcas que você usa, comandam os canais de televisão que você assiste, criam os aplicativos de celular que você baixa… Que loucura não? E amor também!
Carolina consegue nos envolver em seus mundos ficcionais de tal maneira que quando acabamos o livro ficamos em desespero querendo mais!  Ah e tenho uma surpresinha para vocês, essa linda gravou um vídeo especial para nós, confira: 

Tripulação, essa foi minha breve redenção. Eu tenho ainda muitos outros autores maravilhosos para lhes apresentar, mas a matéria ficaria gigantesca, então em uma outra hora trarei por aqui mais maravilindos escritores que nos encantam e que nos fazem viajar e sonhar.
Por enquanto não perca tempo, adquira já as obras desses queridos que apresentei hoje e fique atento às nossas transmissões, pois muitas resenhas, desses e de outros brazucas, estão por vir.
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Livros que nunca terminamos

5 setembro 2017 0 Comentários
Sabe
aquele livro que você sempre quis ler, até começa, mas depois de algumas
dezenas de páginas não consegue terminar? Hoje vamos falar desse sentimento.

Sempre
tem um livro que você já começou a ler uma dúzia de vezes, mas por algum motivo nunca consegue terminá-lo. Às vezes não é o momento certo, ou então
você não consegue se concentrar na leitura.

Claro,
tem livros que são ruins mesmo. Mal escritos, não tem uma trama boa ou você claramente não se identifica com a história contada. No entanto, este não é o caso. Vamos nos ater a obras que consideramos boas, nos interessam mas por algum motivo não ‘nos pega’.

Eu
mesmo tenho um desses, é
O Mundo de Sofia de Jostein Gaarder, já comecei a
lê-lo umas 4 vezes, mas sem sucesso. O pior é que gosto dessas literaturas
filosóficas. Tem outro livro do mesmo autor que eu adoro, O Dia do Coringa. Baita
livro, super-indico.

Começo
a ler muito empolgado, saboreando cada página, viajando na filosofia que
Jostein nos traz, mas chega um momento em que dá um estalo no cérebro, que me
perco todo e a cada linha que passo os olhos, a vontade de terminar o livro vai
se esvaindo.



Acho que não serei o primeiro nem o último com essa falta de motivação em relação a uma obra. Como disse anteriormente não é o autor ou a história, mas apenas o momento. Fator este determinante em qualquer tipo de entretenimento que você tenha acesso. Contudo, penso que tal obstáculo um dia possa ser completado

Faz
anos que tentei completar essa jornada e creio que está na hora de tentar
novamente. Um famoso orador americano chamado Zig Ziglar uma vez disse “
As pessoas costumam dizer que a motivação não dura sempre. Bem, nem o efeito do banho, por isso recomenda-se diariamente”. Sim, essa associação pode parecer um tanto quanto estranha, mas exemplifica meu sentimento através destes texto. O simples ato de não completar uma leitura, assistir um filme ou até mesmo uma tarefa não quer dizer que futuras tentativas devam ser deixadas de lado. 

Você pode passar na frente outros 10 livros que você nunca leu e mesmo assim a vaga lembrança daquele livro inacabado sempre volta a assombrá-lo. Meu conselho? Devore todos os lançamentos e sequências que você ama sem medo.

A verdade é que todos nós um dia iremos ler os nossos “O Mundo de Sofia“, só precisamos estar no momento certo.
E
você, qual livro que você sempre tenta ler e nunca consegue terminar?
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Resenha: Atlas de Nuvens, de David Mitchell

26 agosto 2017 0 Comentários

De David Mitchell, o
impressionante Atlas de Nuvens chegou
finalmente ao Brasil no ano passado, mais de dez anos após sua publicação
original, em 2004. A demora provavelmente se estendeu por conta do desafio de
tradução que boa parte do livro impõe, já que, em diversos pontos da história,
a linguagem precisou ser recriada a e adaptada para explicar o jeito diverso de
viver de alguns personagens.

Numa impactante jornada cronológica
pelos temas mais fundamentais da condição humana, Atlas de Nuvens explora, através dos séculos, seis histórias
aparentemente desconexas, que, pouco a pouco, tocam umas nas outras, dando a
nós, leitores, uma perspectiva ampla e diversificada de um mundo tanto
ficcional quanto profundamente palpável.

Começando em 1850,
acompanhamos algumas passagens do diário de um advogado americano chamado Adam
Ewing, que parece se sentir cada vez mais doente e fraco ao longo de uma
exaustiva viagem pelo Pacífico. Enquanto tenta voltar para casa, para a rotina
e cuidado de seus dias em família, Adam precisa refletir sobre as relações humanas
num mundo onde a escravidão, por motivos raciais, ainda é uma realidade.

Em 1931, Frobisher, um jovem
músico, expulso das comodidades de sua família rica e tradicional, narra, numa
série de cartas para um amigo próximo, os terríveis contratempos de sua
carreira ainda começando. Atlas de Nuvens,
sua obra-prima, ainda está bem no comecinho. Enquanto ele compõe, encontra,
meio que por acaso, páginas dos diários perdidos de Adam Ewing.

A trama avança para 1975. A
jornalista Luisa Ray investiga o assassinato de um importante cientista
nuclear, Rufus Sixsmith. Não por coincidência, encontra, na cena do crime, as
cartas que Rufus costumava trocar com seu grande amigo Frobisher, além dos
detalhes sobre a composição de Atlas de
Nuvens
.

Algum tempo depois, um editor
decadente de uma editora pouco expressiva está analisando os originais de um
romance policial baseado na vida da jornalista Luisa Ray e suas investigações
sobre energia nuclear. Por algum tipo de ironia descabida e vingança tardia de
seu irmão mais velho, Timothy Cavendish acaba preso entre os cuidados forçados
de uma casa de repouso. Seu objetivo final é arquitetar uma fuga dali.

Dias distantes no futuro,
encontramos uma realidade de grandes corporações e hegemonia das grandes redes
de fast-food. A produção de clones como mão de obra praticamente escrava é a
base de toda a economia. Num mundo tomado pela tecnologia e praticidade,
acompanhamos o depoimento da clone Sonmi~451, que está prestes a ser
sacrificada como exemplo para extinguir uma revolução de direitos civis. Seus crimes:
descobrir os prazeres da condição humana, para além do trabalho exaustivo e
repetitivo da lanchonete, negar gratidão aos seus exigentes criadores,
encontrar alegria num filme antigo, que narrava a cômica vida de um editor
decadente de uma editora quase esquecida.

Muito tempo depois da
humanidade ter caído em desgraça e esquecimento, o que sobrou da raça humana
voltou as origens místicas e tribais. Sem civilização e pouquíssimos resquícios
do que um dia havia sido tecnologia, os pequenos povoados vivem em guerra
perpétua e violência para garantir a sobrevivência apenas do mais forte, nunca
do mais civilizado. Zachary, um ancião entre esses últimos homens, narra, ao pé
de uma fogueira sua juventude, sobre como sua fé na deusa Sonmi o protegeu da extinção
de seu povo quando uma mulher tecnologicamente mais avançada apareceu em sua
casa e mudou o panorama estabelecido das coisas.

Mudando frequentemente as estruturas
narrativas e os estilos de escrita para abarcar uma poderosa e surpreendente
visão de mundo, Atlas de Nuvens é uma
trama de genuína sensibilidade, que exige muito do leitor, mas que compensa a
paciência com sua cadência e qualidade literária. As quebras cronológicas e
mudanças de foco podem parecer a princípio arriscado, mas ajudam a não cansar a
leitura que se estende por mais de quinhentas páginas. Todas as seis histórias
são interessantes, todos os seis protagonistas são de alguma forma cativante,
de modo que as pausas não exigem demais da paciência de ninguém. As sutis e
mesmo assim significativas conexões entre os pontos são um gosto a mais, que
nos ajuda a não perder o contato com nenhum dos seis.



Com uma edição bem-acabada, bem traduzida e revisada, Atlas de Nuvens chega ao Brasil pela editora Companhia das Letras.


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Resenha: Para todos os garotos que já amei, Jenny Han

24 agosto 2017 0 Comentários

A Bienal 2017 se aproxima e nós por aqui estamos mega ansiosos! É contagem regressiva desde o dia 31 de Julho, é sorteio valendo ingresso para o evento (vish dei spoiler!) e muitos textos dentro desse vasto universo que é o dos livros. Por isso, hoje e escolhi trazer para vocês a resenha de “Para todos os garotos que já amei”, pois a autora Jenny Han estará aqui nas terras tupiniquins pela primeira vez, para participar da XVIII Bienal Internacional do Livro Rio, no dia 2 de setembro! Jenny virá celebrar o lançamento do terceiro livro da trilogia “Agora e para sempre, Lara Jean”. Para todos os garotos que já amei foi lançado em 2015 e conquistou inúmeros fãs. Confira o que achamos desse primeiro livro da trilogia.

Sinopse: Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa azul-petróleo que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou — cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos. Até que um dia essas cartas secretas são misteriosamente enviadas aos destinatários, e de uma hora para outra a vida amorosa de Lara Jean sai do papel e se transforma em algo que ela não pode mais controlar.


Lara é uma menina doce e bem romântica que vive com seu pai, sua irmã mais nova, Kitty, e a irmã mais velha Margot. Sua mãe faleceu quando elas ainda eram bem novinhas, então desde cedo Margot assumiu a posição de cuidar de todos da casa. Então, quando ela se muda para a Escócia, a fim de cursar a faculdade, Lara se sente insegura em assumir a posição da irmã. 

Lara nunca foi muito segura de si. Quando se apaixonava, mantinha o sentimento em segredo. Assim, ela adquiriu o costume de escrever cartas para seus amores platônicos, como uma forma de despedida, para se livrar do sentimento.

 “Não são cartas de amor no sentido mais estrito da palavra. Minhas cartas são de quando não quero mais estar apaixonada. São cartas de despedida. Porque, depois que escrevo, aquele amor ardente para de me consumir. Posso tomar o café da manhã sem me preocupar se ele também gosta de banana com cereal; posso cantar músicas românticas sem estar cantando para ele.”

Um dia, misteriosamente, todas as cartas que Lara Jean escreveu são entregues para cada um dos destinatários. Ela fica desesperada, pois um dos garotos que recebeu, é Josh, o ex namorado de sua irmã Margot. 

“Josh Sanderson, eu gostei de você primeiro. Você era meu primeiro. E, se tivesse sido eu, eu o teria colocado em uma mala e levado comigo, ou, quer saber? Nem teria partido. Eu nunca abandonaria você. Nem em um milhão de anos, por nada neste mundo.”


Um dia, misteriosamente, todas as cartas que Lara Jean escreveu são entregues para cada um dos destinatários. Ela fica desesperada, pois um dos garotos que recebeu, é Josh, o ex namorado de sua irmã Margot. Quando ela percebe que Josh virá questioná-la, tomada pela impulsividade ela cria um plano louco, corre e pula no colo de Peter K, um dos garotos mais populares da escola, tascando-lhe um beijão daqueles de cinema, na frente de todos! Assim, em um acordo mútuo, Lara e Peter iniciam um relacionamento fake, fazendo com que a vida dela dê uma reviravolta, trazendo experiências que nunca tinha vivido. 


O livro não explora somente o romance, mas tem um foco maior no amadurecimento de Lara Jean. Ela viveu toda a vida dependente de sua irmã mais velha, então quando é obrigada a se desgarrar dela, ela começa a viver uma vida diferente, uma vida no qual ela sempre teve medo e sempre se escondeu. E o livro narra muito bem esse crescimento, por mais que tenha uma escrita bem simples.


O livro é um clichê, como eu disse algumas vezes aqui no blog, é muito diferente quando já iniciamos o livro sem expectativas, sabendo que a história não vai surpreender muito e nem trazer grandes reviravoltas. Esse é um livro simples com uma história simples, porém é envolvente e fofo. Um livro que em poucas horas você devora! Vale muito a pena conhecer a escrita da autora e, se você gosta do gênero, tenho certeza que nos encontraremos na fila da Bienal para garantir o ingresso dessa fofa maravilhosa!

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Resenha: O Andarilho das Sombras

19 agosto 2017 0 Comentários

Há muito tempo eu não lia histórias descentes sobre as criaturas da escuridão, mas “O Andarilho das Sombras” veio para me levar de volta ao mundo bem mais fiel destes seres que a gente já conhece bastante.
Lançado em 2012, Eduardo Kasse, autor brasileiro, apostou nas trevas para alavancar a série “Tempos de Sangue” e já começou acertando em cheio!



A narrativa vai trabalhar mais uma vez a história dos seres pálidos, sedentos de sangue, que não brilham — Aleluia, irmão! E que temem apenas o astro rei que é invocado por todas as manhãs. Então na companhia de um personagem muito bem construído, Kasse nos leva por uma história dividida em dois tempos: presente e passado, sendo o “presente” no tempo do personagem, mas toda a história se encontra na nossa amada era medieval, aproximadamente a partir do meio desse período.



Não estranhe se você estiver lendo e de repente não entender nada e tudo parecer que voltou ao passado porque, sim, as alternações entre os tempos não terão aviso prévio, mas facilmente a gente aprende a identificar a transição e o autor ganha mais uns pontos por acertar em cheio, pois a dinâmica da leitura fica muito interessante.
O suspense e o mistério seguirão o leitor desde a primeira até a última página, então não se preocupe porque a leitura vai fluir muito bem e não há como ficar chata.



O ambiente também é muito bem construído nos aspectos ideais da Idade Média, exceto por alguns termos utilizados pelos personagens, que na verdade são “atuais” e/ou de culturas que destoam um pouco do cenário da narrativa, mas só isso não me faria tirar uma estrela do total da avaliação. Porém acredito que algumas cenas também têm uma quantidade muito intensa de heresias, não que essa interpretação me incomode, mas acho que algumas coisas deveriam estar, não diluídas, mas encaixadas nos contextos de outras páginas, sem se tornar menos impactante, invés de surgirem de uma vez só no final. Além disso, confesso que em um primeiro momento eu me decepcionei um pouco com o fato que originou a nova vida do nosso protagonista, não gostando da mescla de lendas e mitologias, mas algumas páginas depois a explicação para tal raiz é justificada de maneira mais plausível.



“Das sombras ele surgiu, com sangue na face, malícia no olhar e a sede tão intensa quanto a eternidade… E para as sombras ele retornou”



O final é tranquilo e muito bem terminado, fechando toda essa primeira parte da história e deixando um poderoso epílogo que nos chama diretamente para o segundo livro, porém pelo prazer da leitura e não pela falta de ar, como estamos acostumados a encontrar nas últimas páginas da maioria das obras que possuem continuações. Obrigado, Eduardo!



Leiam porque vale muito a pena e venham dividir as opiniões com a gente! Continuem acompanhando nossa transmissão porque os próximos volumes de “Tempos de Sangue aparecerão por aqui!

Título: O Andarilho das Sombras
AutorEduardo Kasse
EditoraDraco (2012)