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Resenha: A Sereia, Kiera Cass

10 agosto 2017 0 Comentários



Uma coisa é você começar a ler um livro cheio de expectativas e no final ele se revelar um grande clichê. Mas outra bem diferente, é você começar o livro sabendo disso e até mesmo escolhê-lo por esta razão. Com o título “A Sereia”, eu não poderia imaginar algo diferente, não só o comprei imaginando um clichê, mas também escolhi exatamente por ser assim, afinal todos precisam de um bom “clichezinho” de vez em quando. Mas Kiera Cass conseguiu me surpreender — dentro do possível — com sua narrativa sobre sereias. Quer saber mais? Continue lendo.

O livro narra a história de Kahlen, que deveria estar morta há 80 anos, devido a um “naufrágio” que o navio de sua família sofreu. Porém a sua salvação veio com uma sentença, ela se tornaria serva da Água, e sempre que esta estivesse com fome, Kahlen e suas novas irmãs sereias deveriam cantar e sua voz mortal lhes traria os humanos para a Água “devorar”.

Acontece que Kahlen nunca se acostumou com sua nova vida, mesmo que tenham se passado 80 anos de servidão, tirar vidas ainda lhe causa inúmeros pesadelos e muito remorso. Tanto que ela adquiriu o hábito de anotar o nome das vítimas e depois pesquisar sobre suas vidas. Onde, dentro dessa rotina na biblioteca, ela conhece Akinli. E por mais que Kahlen nunca tenha se dado a chance de viver normalmente, ele a faz se sentir diferente, quase que humana novamente.

“Era atemporal e temporário, válido e inconsequente. E pude fazer parte disso. Queria viver daquele jeito o tempo todo!”  



Só que nesse nessa possibilidade de um romance almejado por Kahlen, há um problema, a Água não aceita mães ou esposas por ser muito arriscado aos humanos terem uma sereia em seu convívio e por Ela querer devoção total.


“Uma menina misteriosa.
 O garoto de seus sonhos.
 A Água entre eles.” 



Kiera mandou muito bem — como sempre — no quesito de personagens. Eu achei Kahlen um pouquinho chatinha, mas confesso que quase sempre tenho problemas com as personagens principais. Mas o que eu achei mais interessante foi a Água ser uma personagem. Ela é quase como uma mãe para as Sereias, cuida delas, dá carinho, as ama, mas também as prende na sentença de 100 anos, e pune severamente, caso não seja obedecida de algum jeito. Dependendo da gravidade a sentença é a morte.

“Parte mãe, parte carcereira, parte chefe… Era uma relação difícil de explicar.”

Apesar de Akinli ser um fofo, não achei muita química entre ele e Kahlen. Não foi aquele romance que nos faz sonhar acordada não, foi fofo, mas nada arrebatador. Para os fãs de Kiera, não chega perto de América e Maxon.

Entendo que “A Sereia” é um livro único, então é difícil comparar com uma série como “A Seleção”, mas ainda sim insisto que a autora deixou um pouco a desejar.

No mais, o livro é muito gostoso de ler e não vai tratar somente de romance, mas também de amor fraternal, amor próprio e amizade. Não chega perto de ser o melhor livro da Kiera Cass, mas se você quiser uma narrativa leve para distrair, pode apostar nesse aqui. Por outro lado, se não gosta de clichês e tramas previsíveis, passe bem longe dele!




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Resenha – A História do Futuro de Glory O’Brien

7 agosto 2017 0 Comentários



A Editora Gutenberg nos forneceu “A História do Futuro de Glory O’Brien“, no evento de encontro de blogueiros, que já falamos por aqui. Agora é a vez de contar para vocês sobre uma das mais recentes obras de A.S. King.


O livro conta sobre a história de Glory, uma garota com seus dezessete anos, terminando o ensino médio, e que sofre muito com a perda de sua mãe, que se suicidou há alguns atrás.

Darla era uma excelente fotógrafa, mas isso a fez enxergar o lado ruim do mundo e passar a não suporta-lo mais. Agora, Glory faz da fotografia, um dom herdado de Darla, algo que a mantém um pouco mais próximo de sua mãe.

A protagonista não está sozinha no livro, Ellie é sua amiga mais próxima, na verdade única amiga, com quem Glory passa os dias conversando. Eu preciso dizer que achei essa amizade das duas um tanto esquisita. As garotas meio que “não estão nem aí” para o relacionamento delas. É meio raso.

Ok, mas você talvez esteja esperando a parte que fala do futuro, mencionado no título. O futuro, na verdade não existe no início do livro. Glory não tem perspectiva alguma de vida e só vai sobrevivendo na intenção de terminar o colegial, deixando as oportunidades passarem, como a de se inscrever na faculdade. Isso acaba por deixar o livro bem arrastado no início, com toda essa falta de atitude da personagem.

Mas o futuro não acaba aí. Após um certo acontecimento — no mínimo bizarro — as garotas ganham algumas habilidades e Glory passa a ter visões sobre o passado e o futuro das pessoas. A partir desse ponto, o livro ganha um fôlego, com uma premissa de um futuro crível para a humanidade e também com sugestões de coisas que não são impossíveis de acontecer aqui, fora das páginas. O problema é que a solidão da protagonista acaba estragando um pouco as coisas. Glory passa a usar as habilidades para motivos egoístas, com seus próprios dilemas, que trazem de volta o clima melancólico da leitura.
“Deixar de viver sua vida é como se matar, só demora mais tempo.”

Permeando todo esse cenário, a autora vai abordando diversos assuntos polêmicos, como feminismo, responsabilidade social, suicídio, e outros. Esses temas ficam bem construídos na narrativa, mas acabam sendo abafados pelo ritmo desmotivado.

A.S. King tinha tudo para fazer uma grande história, mas acredito que tenha pecado na personalidade da protagonista, que é quem leva a narrativa.

Outra coisa que preciso comentar é que não pude deixar de comparar o livro com o game “Life Is Strange“, do qual falei aqui no blog há pouco tempo. Desde as duas amigas, que lembram Max e Chloe, até a questão da fotografia, além das visões sobre o futuro e esse tema temporal.

Não sei se a autora teve alguma inspiração no jogo, mas acredito que todos que já jogaram, com certeza vão achar o ambiente bastante familiar.
Título: A História do Futuro de Glory O’Brien
AutorA.S. King
EditoraGutenberg (2017)
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Resenha: Os Garotos Corvos, de Maggie Stiefvater

5 agosto 2017 0 Comentários

O primeiro
de uma série de quatro livros, todos escritos pela autora norte-americana Maggie
Stiefvater, Os Garotos Corvos nos apresenta
uma trama aparentemente complexa e intrigante sobre adolescentes envolvidos com
o fascinante mundo do sobrenatural. Digo aparentemente complexa porque a
profundidade e maestria do estilo de escrita da autora tem mais mérito pelo
clima de tensão e segredo que a própria criatividade da coisa toda.
Protagonizado por um grupo de quatro jovens mais ou menos atormentados e no
geral bastante carismáticos, Os Garotos
Corvos
acerta facilmente no desenvolvimento e investimento emocional, mas
talvez segure demais as revelações da trama, prejudicando (para os leitores
menos pacientes e mais desinteressados) o interesse me relações às
continuações. Aliás, toda essa insistência da literatura fantástica
contemporânea em série e trilogias está me deixando cada vez mais velho e
rabugento. Às vezes, tudo que eu queria era poder pagar por uma única obra e
conhecer sua história até o final. Num único livro. De uma capa a outra.

Eu
não me considero impaciente. Também não diria que perco o interesse muito
facilmente. Mesmo assim, vou destacar ao longo dessa resenha que talvez o
grande ponto de desequilíbrio de Os
Garotos Corvos
, obra certamente cheia de méritos de estilo e de construção
de personagem, seja nadar demais num laguinho bem raso.

Na
trama, somos apresentados ao universo místico que ronda a cidadezinha de
Henrietta, no interior dos EUA, cujas ruazinhas parecem tumultuadas pela
presença de histórias de fantasmas e energias sobrenaturais. Blue Sargent vem
de uma família mediúnica, mas ela mesma nunca apresentou qualquer habilidade
muito especial. Sua mãe sempre diz que a presença dela ajuda todo mundo a ver o
sobrenatural mais claramente, como se ela fosse um farol, apenas guiando no
escuro, mas sem ver por si só realmente. Blue soube desde muito nova que ela
mataria seu primeiro amor, apesar das circunstâncias dessa morte nunca
aparecerem muito claras nas cartas.

A
história começa no ano em que Blue irá se apaixonar e a autora não parece muito
interessada em criar qualquer mistério a respeito do alvo de seus interesses,
mesmo que a silhueta de um inconveniente triângulo amoroso se desenvolva em
segunda plano.

Gansey,
um dos chamados Garotos Corvos do título, é o típico pobre garoto rico, que
cresceu nos privilégios de uma família abastado, mas que mesmo assim meio que
se sente um espírito aprisionado e incompreendido. Depois de uma experiência de
quase morte, uma voz inesperada lhe guia para a missão de sua vida: desvendar
os mistérios das chamadas linhas Ley, as veiais que carregam a magia do mundo e
seus segredos.


Como
companheiros de sua jornada, conhecemos também Ronan, grosseiro, perturbado e com
tendências violentas (outro pobre menino rico com problemas familiares), e
Adam, o rico menino pobre, bolsista na escola de elite da cidade, que sofre com
um pai violento e uma mãe inoperante, acreditando, com certo rancor e mágoa
contra seus colegas de escola, que seu esforço é ainda mais valioso porque saiu
direto da lama.

Esses
quatro personagens convergem em torno dos desdobramentos de um antigo
assassinato, da descoberta do amor na adolescência, das crises familiares
generalizadas que parecem assolar metade da população da cidade e do misticismo
que une suas vidas.


A
história, como propus no início do texto, parece confusa e cheia de desdobramentos,
mas a autora não vai muito além de nos mostrar um bosque de árvores falantes e
espelhos que ligam o mundo real a outras dimensões. Essa dependência de tramas
seriadas às vezes tenta justificar falta de profundidade como se todo primeiro
livro fosse só uma introdução. Apesar da proposta interessante (claro, com os
clichês apropriados de crises na adolescência, do amor proibido, etc), do
estilo quase poético e muito característico da autora, Os Garotos Corvos
conquista com carisma e qualidade literária, mas não convence realmente com
história de mistério. A força do texto de Stiefvater, que aparece principalmente
não sua justa, precisa e belíssima escola de palavras, na sua construção
cuidadosa de personagens carismáticos, na escalada paciente do suspense, só
falha ao não costurar uma trama realmente própria para o primeiro livro,
deixando tudo com um aspecto de introdução e um final que parece não ter ido de
parte algum para lugar nenhum.

adquiri as continuações, de modo que devo continuar a leitura da saga e esperar
pelo melhor.

Os Garotos Corvos, de Maggie Stiefvater, faz parte da nossa lista de temas
do Desafio Literário, que você pode conferir aqui.

Título: A saga dos corvos – Parte I: Os Garotos Corvos;
Autora: Maggie Stiefvater;
Editora: Verus Editora;



Ano: 2016.

                                          
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Resenha | Ciclo das Trevas: O Protegido

31 julho 2017 0 Comentários

Acredito que todos os leitores sejam apaixonados pelos livros da Darkside. Mesmo que não sejam atraídos pelas narrativas, as maravilhosas edições de capa dura dão um espetáculo digno de cada centavo gasto com eles.

O post de hoje é sobre um desses livros, mas a paixão não foi só pela capa, mas sim pela obra toda, que também entrou para a minha lista de favoritos.

O Protegido” é o primeiro livro da série “Ciclo das Trevas“, de Peter V. Brett. A capa e o título me chamaram bastante a atenção e, depois que eu li a sinopse, não tive mesmo como resistir nem segurar o bolso. Foi compra e leitura obrigatória!

A narrativa nos trará a humanidade refém, mais uma vez. E agora o perigo é que ao cair da noite, a única salvação para as pessoas são as proteções desenhadas em todos lugares possíveis, para que não sejam destruídas pelos terraítas, demônios que possuem habilidades de acordo com suas diferentes classes: terra, água, vento, fogo, madeira, pedra e areia.

O único objetivo dessas criaturas é consumir os humanos, num desespero de fome e sede de vingança. Mas, como sempre, nem tudo está perdido e chegou a hora de mudar as coisas. Três jovens resolvem se levantar contra esses demônios.

O livro pode assustar um pouco numa primeira olhada. É realmente grande, mas se divide nas histórias dos três personagens principais, começando pela vida de Arlen, ainda menino, mostrando tudo o que se passa em seu lugarejo e o que o levou à decisão de enfrentar os terraítas. Em seguida teremos a história de Leesha, uma menina que após ter seu sonho destruído, resolve se tornar uma mulher poderosa — e que mulher! Por último, veremos o que levou Rojer a também decidir se levantar contra essas criaturas que assolam o mundo.

“Arlen sabia que a maior arma dos terraítas era o medo. O que não entendia era que o medo assumia muitas formas. Em todas as suas tentivas de provar o contrário, Arlen ficara aterrorizado com a solidão. Queria alguém, qualquer um, que acreditasse naquilo que estava fazendo. Alguém para lutar com e por ele.”

Nesse primeiro livro, Peter consegue prender muito o leitor e a ansiedade fará com que as páginas sejam rapidamente devoradas. Tudo bem direto e sem enrolações. Outro aspecto que muito bom é que não dá para ficar tentando adivinhar o que vai acontecer. Sério, se você quiser tentar, garanto que vai errar bastante. Eu acertei pouquíssimas coisas do que supus para os capítulos seguintes.

Finais felizes. Ah, essas coisas quase nunca acontecem em “Ciclo das Trevas“. Não pense que vai ser aquele clichê de personagens principais que conseguem se superar na hora H, sobrevivendo e salvando o mundo. Eles falharão em algumas coisas e o leitor vai sentir a dor junto com eles.

Ainda falando sobre os personagens, a evolução deles é muito bem construída e, quando o livro chega ao final, é impossível não ficar satisfeito com a vida adulta de cada um. Não necessariamente com as escolhas de seus caminhos, mas por aquilo que eles se tornaram.

Brett se preocupa em explicar as coisas para modelar um universo crível, mas confesso que achei alguns pontos um tanto superficiais e talvez até mesmo alguns furos, principalmente em questão às proteções e habilidades dos demônios, mas talvez isso seja resolvido nos próximos títulos, então eu deixarei para falar mais sobre eles posteriormente.

“Há um mundo inteiro lá fora para aqueles que desejarem desbravar a escuridão.”


As últimas páginas não têm um plot twist para deixar o leitor desesperado pelo próximo volume, mas é muito persuasivo e com certeza despertará o desejo pela continuação da série. Preciso parabenizar o autor que se fez ganhar pelo conteúdo da história e não pelos ataques cardíacos dos leitores, gosto assim.

Aqui no Brasil já temos os dois primeiros volumes lançados e o terceiro — A Guerra da Luz — sairá ainda no final deste mês. Eu até comecei a ler “A Lança do Deserto”, porém precisei furar a fila com outras leituras que tinham prazo para resenha, então ainda não terminei. Mas esse fica para um próximo post porque com certeza eu voltarei a aclamar essa série por aqui!

Título: O Protegido (Ciclo das Trevas #1)
AutorPeter V. Brett
EditoraDarkside (2015)
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TAG – Todo Mundo Leu, Menos Eu!

29 julho 2017 0 Comentários

A TAG mensal da Aliança de Blogueiros Literários do RJ é “Todo Mundo Leu, Menos Eu”. Vem descobrir alguns dos livros que são famosos, mas que eu ainda não li e, sinceramente, não pretendo ler…

DIVERGENTE

Eu não li nenhum dos livros e, para falar a verdade, essas distopias atuais me dão bastante preguiça. É sempre tudo mais do mesmo. Não posso dizer que não é bom, exatamente porque não li, mas não me chamou a atenção.

GAME OF THRONES
Podem me julgar, mas eu odeio GOT. Li o primeiro livro e odiei o tipo da narrativa, embora os elementos sejam legais. Eu realmente não acho George R. R. Martin tudo isso que falam por aí. Na verdade, ainda não li nenhum livro dele que eu tenha gostado. Na época eu comprei os quatro primeiros livros e doei todos. Coloquei uma imagem da série porque existem milhares de edições dos livros, então eu não sabia quais capas escolher…

HARRY POTTER E A CRIANÇA AMALDIÇOADA

Foi um barulhão quando anunciaram “mais um livro do Harry Potter”. Confesso que eu também fiquei animado com uma nova história, mas quando vi que não era uma narrativa original da tia Rowling, perdi a vontade. Amo HP de paixão, mas não incluí esse título na minha lista.

Eu até poderia colocar uns tantos títulos mais aqui na postagem, mas a listinha ficaria bem grande. Além disso, com certeza já serei bastante julgado com esses três temas mencionados, não é mesmo?! Hahaha.
Se você já leu algum deles e gostou, pode até tentar me convencer, mas já adianto que será bem difícil porque muitas pessoas já tentaram!
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Resenha | O casal que mora ao lado

19 julho 2017 0 Comentários


Em Maio estive no Mochilão da Record, um evento do grupo editorial que viaja por algumas cidades do Brasil, informando os lançamentos previstos e novidades para o ano. 

Entre os diversos livros apresentados, o que mais me chamou atenção foi O casal que mora ao lado. Principalmente porque a pessoa que apresentou esse livro foi ótima, conseguindo instigar a curiosidade de todos ali presentes! 

Pois bem, não bastasse a bela apresentação, em pouco tempo de lançamento aqui no Brasil o livro já está causando um reboliço imenso — aí não tem mais como a curiosidade caber dentro de mim né. Sucesso de vendas mundial, O casal que mora ao lado é o tema da nossa resenha. 


Criou alguma expectativa? Sim! Eu estava transbordando expectativas quando resolvi ler e acabar de vez com a curiosidade. Talvez isso tenha me atrapalhado um pouquinho… mas vamos por partes. Primeiramente, precisamos dar uma conferida na sinopse e em seguida a gente conversa.

Sinopse: Tudo começou em um jantar… Um thriller psicológico surpreendente da autora best-seller internacional Shari Lapena. É o aniversário de Graham, e sua esposa, Cynthia, convida os vizinhos, Anne e Marco Conti, para um jantar. Marco acha que isso será bom para a esposa; afinal, ela quase nunca sai de casa desde o nascimento de Cora e da depressão pós-parto. Porém, Cynthia pediu que não levassem a filha. Ela simplesmente não suporta crianças chorando. Marco garante que a bebê vai ficar bem dormindo em seu berço. Afinal, eles moram na casa ao lado. Podem levar a babá eletrônica e se revezar para dar uma olhada na filha. Tudo vai dar certo. Porém, ao voltarem para a casa, a porta da frente está aberta; Cora desapareceu. Logo o rapto da filha faz Anne e Marco se envolverem em uma teia de mentiras, que traz à tona segredos aterradores.

O casal que mora ao lado é uma daquelas histórias que nos faz desconfiar de todos e criar altas teorias sobre quem pode ser o culpado. E um ponto positivo no livro, que nos ajuda um pouco com essas teorias, é que ele foi escrito em terceira pessoa com foco em diversos personagens. Então podemos ter uma melhor ideia do que cada pessoa pensa. 

Anne e Marco formam um casal que está passando por alguns probleminhas. Anne tem depressão pós-parto e desde que Cora nasceu, ela não tem sido a mesma pessoa com a qual Marco casou. Ele, em contra-partida, mantêm uma ótima aparência física e, durante a festa de seus vizinhos, tem flertado a noite inteira com Cynthia, sem aparentemente se importar com os sentimentos de sua esposa.

“No começo, Marco lhe trazia flores, chocolates, fazia pequenos gestos para melhorar o humor dela, mas nada funcionou. Ele parou de contar sobre o seu dia, sobre a situação da empresa. Ela não tinha como falar do trabalho, porque não estava trabalhando. Os dois não tinham muito assunto, com exceção da filha.”

Cynthia e Graham são vizinhos que moram, literalmente, ao lado de Anne e Março, sendo possível até ouvirem o que o outro está falando na casa ao lado. Como é aniversário de seu marido, Cynthia dá um jantar íntimo e convida nosso casal principal. Porém ela não gosta de crianças então pede aos pais que não levem sua filha. Isso não seria um problema tão grande para Anne e Marco, se em cima da hora a babá não precisasse cancelar o compromisso. Achando que fosse algo inofensivo, eles deixam a bebê em casa sozinha e se revezam para ir olhar de meia em meia hora e, além disso, levam a babá eletrônica — que a propósito está com o visor quebrado. 

“Marco achou que, se a gente levasse a babá eletrônica e viesse dar uma olhada nela de meia em meia hora, não teria problema. Nada de ruim aconteceria, foi o que você disse.”

Quando chegam em casa após o jantar ao lado, notam que a porta da frente está entreaberta, o que já causa desespero e só piora quando encontram o berço vazio e aí começa nossa trama. Com a chegada do detetive Rasbach, todos se tornam suspeitos e ele está determinado a descobrir o que realmente aconteceu. 

Será que Cora foi sequestrada? Será que um dos pais, que estavam bem bêbados, a matou e combinou com alguém para esconder o corpo? Quem está falando a verdade? Realmente há alguém mentindo?

“Desde o nascimento da filha, sempre soube onde Cora estava em cada minuto de sua breve vida, mas agora não faz ideia de onde ela se encontra. Porque é péssima mãe. É uma mãe horrível e emocionalmente instável que não amou a filha o suficiente. Deixou-a sozinha em casa.” 

Lá em cima eu disse que talvez eu ter criado grandes expectativas tenha me atrapalhado. Na verdade eu sei que expectativas destroem o coração, mas continuo criando e dobrando-as — quem nunca? Eu vi muitas pessoas compararem Shari Lapena com Gillian Flynn, aí você já pode imaginar minhas expectativas crescendo ainda mais, né? Mas não, não consegui ver a semelhança além do gênero de livro. Não quer dizer que eu não tenha gostado da escrita de Lapena, longe disso, ela me prendeu e me fez devorar o livro em poucas horas. Porém faltou originalidade, a história foi bem clichê e não surpreendeu muito. Exemplificando, foi um livro que tinha tudo pra ser Tela Quente mas se resumiu à Sessão da Tarde, entende? 

Os personagens foram bem construídos, o mistério é envolvente e a escrita bem fluida. É um daqueles livros que não tem como abandonar. Sem dúvidas um ótimo entretenimento, porém não espere ser muito surpreendido. 

Título: O Casal que Mora ao Lado
Autora: Shari Lapena
Editora: Record
Páginas: 294
Ano: 2017