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Resenha | O casal que mora ao lado

19 julho 2017 0 Comentários


Em Maio estive no Mochilão da Record, um evento do grupo editorial que viaja por algumas cidades do Brasil, informando os lançamentos previstos e novidades para o ano. 

Entre os diversos livros apresentados, o que mais me chamou atenção foi O casal que mora ao lado. Principalmente porque a pessoa que apresentou esse livro foi ótima, conseguindo instigar a curiosidade de todos ali presentes! 

Pois bem, não bastasse a bela apresentação, em pouco tempo de lançamento aqui no Brasil o livro já está causando um reboliço imenso — aí não tem mais como a curiosidade caber dentro de mim né. Sucesso de vendas mundial, O casal que mora ao lado é o tema da nossa resenha. 


Criou alguma expectativa? Sim! Eu estava transbordando expectativas quando resolvi ler e acabar de vez com a curiosidade. Talvez isso tenha me atrapalhado um pouquinho… mas vamos por partes. Primeiramente, precisamos dar uma conferida na sinopse e em seguida a gente conversa.

Sinopse: Tudo começou em um jantar… Um thriller psicológico surpreendente da autora best-seller internacional Shari Lapena. É o aniversário de Graham, e sua esposa, Cynthia, convida os vizinhos, Anne e Marco Conti, para um jantar. Marco acha que isso será bom para a esposa; afinal, ela quase nunca sai de casa desde o nascimento de Cora e da depressão pós-parto. Porém, Cynthia pediu que não levassem a filha. Ela simplesmente não suporta crianças chorando. Marco garante que a bebê vai ficar bem dormindo em seu berço. Afinal, eles moram na casa ao lado. Podem levar a babá eletrônica e se revezar para dar uma olhada na filha. Tudo vai dar certo. Porém, ao voltarem para a casa, a porta da frente está aberta; Cora desapareceu. Logo o rapto da filha faz Anne e Marco se envolverem em uma teia de mentiras, que traz à tona segredos aterradores.

O casal que mora ao lado é uma daquelas histórias que nos faz desconfiar de todos e criar altas teorias sobre quem pode ser o culpado. E um ponto positivo no livro, que nos ajuda um pouco com essas teorias, é que ele foi escrito em terceira pessoa com foco em diversos personagens. Então podemos ter uma melhor ideia do que cada pessoa pensa. 

Anne e Marco formam um casal que está passando por alguns probleminhas. Anne tem depressão pós-parto e desde que Cora nasceu, ela não tem sido a mesma pessoa com a qual Marco casou. Ele, em contra-partida, mantêm uma ótima aparência física e, durante a festa de seus vizinhos, tem flertado a noite inteira com Cynthia, sem aparentemente se importar com os sentimentos de sua esposa.

“No começo, Marco lhe trazia flores, chocolates, fazia pequenos gestos para melhorar o humor dela, mas nada funcionou. Ele parou de contar sobre o seu dia, sobre a situação da empresa. Ela não tinha como falar do trabalho, porque não estava trabalhando. Os dois não tinham muito assunto, com exceção da filha.”

Cynthia e Graham são vizinhos que moram, literalmente, ao lado de Anne e Março, sendo possível até ouvirem o que o outro está falando na casa ao lado. Como é aniversário de seu marido, Cynthia dá um jantar íntimo e convida nosso casal principal. Porém ela não gosta de crianças então pede aos pais que não levem sua filha. Isso não seria um problema tão grande para Anne e Marco, se em cima da hora a babá não precisasse cancelar o compromisso. Achando que fosse algo inofensivo, eles deixam a bebê em casa sozinha e se revezam para ir olhar de meia em meia hora e, além disso, levam a babá eletrônica — que a propósito está com o visor quebrado. 

“Marco achou que, se a gente levasse a babá eletrônica e viesse dar uma olhada nela de meia em meia hora, não teria problema. Nada de ruim aconteceria, foi o que você disse.”

Quando chegam em casa após o jantar ao lado, notam que a porta da frente está entreaberta, o que já causa desespero e só piora quando encontram o berço vazio e aí começa nossa trama. Com a chegada do detetive Rasbach, todos se tornam suspeitos e ele está determinado a descobrir o que realmente aconteceu. 

Será que Cora foi sequestrada? Será que um dos pais, que estavam bem bêbados, a matou e combinou com alguém para esconder o corpo? Quem está falando a verdade? Realmente há alguém mentindo?

“Desde o nascimento da filha, sempre soube onde Cora estava em cada minuto de sua breve vida, mas agora não faz ideia de onde ela se encontra. Porque é péssima mãe. É uma mãe horrível e emocionalmente instável que não amou a filha o suficiente. Deixou-a sozinha em casa.” 

Lá em cima eu disse que talvez eu ter criado grandes expectativas tenha me atrapalhado. Na verdade eu sei que expectativas destroem o coração, mas continuo criando e dobrando-as — quem nunca? Eu vi muitas pessoas compararem Shari Lapena com Gillian Flynn, aí você já pode imaginar minhas expectativas crescendo ainda mais, né? Mas não, não consegui ver a semelhança além do gênero de livro. Não quer dizer que eu não tenha gostado da escrita de Lapena, longe disso, ela me prendeu e me fez devorar o livro em poucas horas. Porém faltou originalidade, a história foi bem clichê e não surpreendeu muito. Exemplificando, foi um livro que tinha tudo pra ser Tela Quente mas se resumiu à Sessão da Tarde, entende? 

Os personagens foram bem construídos, o mistério é envolvente e a escrita bem fluida. É um daqueles livros que não tem como abandonar. Sem dúvidas um ótimo entretenimento, porém não espere ser muito surpreendido. 

Título: O Casal que Mora ao Lado
Autora: Shari Lapena
Editora: Record
Páginas: 294
Ano: 2017

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Resenha: Fangirl, Rainbow Rowell

8 julho 2017 0 Comentários

Rainbow Rowell é uma escritora maravilhosa! Desde que li Eleanor & Park no escuro — nunca tinha ouvido falar da escritora — me apaixonei! Quando li Ligações, achei que a história deixou um pouco a desejar, mas em todo caso a escrita da Rainbow continua sendo cativante, por mais que você não esteja gostando tanto da história ela vai conseguir te prender. Simplesmente não consigo abandonar um livro dessa mulher! E hoje eu vim falar de Fangirl, que na minha opinião é o livro mais fofo dela! Vem comigo e vamos conhecer um pouco dessa história!


Sinopse: Cath é fã da série de livros Simon Snow. Ok. Todo mundo é fã de Simon Snow, mas para Cath, ser fã é sua vida – e ela é realmente boa nisso. Vive lendo e relendo a série; está sempre antenada aos fóruns; escreve uma fanfic de sucesso; e até se veste igual aos personagens na estreia de cada filme. Diferente de sua irmã gêmea, Wren, que ao crescer deixou o fandom de lado, Cath simplesmente não consegue se desapegar. Ela não quer isso. Em sua fanfiction, um verdadeiro refúgio, Cath sempre sabe exatamente o que dizer, e pode escrever um romance muito mais intenso do que qualquer coisa que já experimentou na vida real. Mas agora que as duas estão indo para a faculdade, e Wren diz que não a quer como companheira de quarto, Cath se vê sozinha e completamente fora de sua zona de conforto. Uma nova realidade pode parecer assustadora para uma garota demasiadamente tímida. Mas ela terá de decidir se finalmente está preparada para abrir seu coração para novas pessoas e novas experiências. Será que Cath está pronta para começar a viver sua própria vida? Escrever suas próprias histórias?

Cath sempre esteve acostumada a ter sua irmã gêmea ao seu lado, mas agora que chegaram na faculdade, Wren quer explorar suas possibilidades e ter experiências que esse novo mundo pode dar. Já Cath que a princípio não gosta tanto assim desse mundo, não quer sair do quarto, exceto quando for extremamente necessário. Então nossa protagonista começa se sentir um pouco rejeitada por sua irmã e ainda mais solitária.  


De começo, eu achei a Cath bem chatinha, na verdade. Tem horas que ela me irrita tanto! Mas avançando o livro eu fui compreendendo um pouco mais a personagem e até achei nela um pouco de mim. E ao decorrer do livro ela amadurece e cresce tanto que no final eu já tinha um certo carinho por ela.

— Não preciso de gente nova.
— Isso mostra exatamente que você precisa de gente nova… — Wren segurou as mãos de Cath. — Cath, pensa só. Se ficarmos juntas, as pessoas vão nos tratar como se fôssemos uma só. Precisaremos de uns quatro anos até que alguém saiba diferenciar uma da outra.

Cath é absolutamente apaixonada por Simon Snow, uma série de livros e filmes que é basicamente igual a Harry Potter do nosso mundo. Encantada pela história, Cath escreve uma fanfic super famosa intitulada Carry On. Nela, Simon vive um romance com o vilão da história. É mais ou menos como se o Harry e Draco se apaixonassem – sabemos que há várias fanfics assim né. Ela conquistou vários fãs online com sua fanfic e se sente super confortável escrevendo ela. 


Sempre no final de cada capítulo do livro, há um pouco dessa fanfic escrita por Cath, que particularmente, eu achei a parte mais chata. Talvez Carry On – Ascensão e Queda de Simon Snow, que foi lançado ano passado, surpreenda e me faça ter um novo olhar para essa história/fanfic, mas aqui no Fangirl eu achei bem chatinha. Mas isso não atrapalha na história do livro, se não quiser ler a fanfic de Cath, é só pular que não altera em nada na história.

Por que eu escrevo? Cath tentou descolar uma resposta profunda – sabendo que não a diria em voz alta, ainda que a encontrasse. 
— Para explorar novos mundos – alguém disse
— Para explorar os antigos — outra pessoa acrescentou. A professora concordava.
Para poder ser outra pessoa, Cath pensou. 
— Então… – ronronou Piper. — Talvez para que as coisas façam sentido para nós?
— Para nos libertarmos – disse uma menina.
Pra nos libertarmos de nós mesmos. 

Logo no início somos apresentados a Reagan, a durona colega de quarto de Cath  e seu extremamente simpático namorado Levi. Aviso que você corre grande risco de se apaixonar por ele! Já ela, é caladona e mau humorada no início, mas depois se mostra uma ótima pessoa. Também me apaixonei por ela e já quero como miga! 


Levi se mostra curioso pelo jeito de Cath e fica sempre incentivando a mesma a sair de sua zona de conforto. Já Cath, se sente incomodada por Levi estar sempre em seu quarto e por ele ser tão “entrão” assim. Aos poucos a amizade deles vai evoluindo e um vai influenciando e incentivando o outro.

— Sempre me perco na biblioteca – disse ele -, não importa quantas vezes eu vá. Na verdade, acho que me perco lá mais quanto mais eu vou. Como se ela fosse me conhecendo e revelando mais passagens.
— Você passa muito tempo na biblioteca?
— Passo, sim.
— Como isso é possível, já que você vive no meu quarto?
— Onde você acha que eu durmo? – perguntou ele. Quando ela o fitou, ele estava rindo.

Não posso falar mais do que isto sobra a narrativa, por conta de spoilers, mas espero que tenha conseguido despertar a curiosidade de vocês.


Fangirl é um livro sobre amadurecimento do início da vida adulta, mas que abrange todas as idades! É um livro sobre relação familiar, sobre crescimento não só pessoal como profissional. É um livro que incentiva a sair zona de conforto para buscar os nossos sonhos. Enfim, é um livro com um romance fofo, mas que também traz assuntos importantes para o leitor como abuso de álcool, abandono familiar, dislexia, etc. Meu livro preferido da autora continua sendo Eleanor & Park, mas Fangirl me conquistou e ganhou uma posição na lista dos livros mais fofos da vida! 



Edição: 1
Formato: 16 x 23 cm
ISBN: 9788542803686
Acabamento: Brochura/Capa mole
Páginas: 424
Data de Publicação: 8/2014
Autor: Rainbow Rowell