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CLAMP | 30 anos de muito talento

11 julho 2020 0 Comentários

CLAMP

Um belo dia um grupo de garotas – 12 especificamente – decidiram se reunir e produzir doujinshis para serem vendidos em feiras especializadas. Dessa união, surgiu um dos maiores grupos de mangakás da atualidade: CLAMP.

Sua origem se deu por volta de 1987 quando o grupo resolveu criar paródias sexuais de mangás como Shurato, Cavaleiros do Zodíaco, Captain Tsubasa voltados para o gênero yaoi. 

O gênero yaio foi criado em meados da década de 70 por mangakás mulheres como uma forma de ironizar a visão machista existente nas obras daquela época, sob o nome de shonen-ai. Ponto esse importante na qual precisamos explicar. O gênero yaoi é uma ramificação do shonen-ai. Enquanto no ocidente o yaoi, é usado para descrever o gênero como um todo, no oriente há uma pequena diferença.

Shonen-ai é usado para descrever títulos que focam mais no romance e não inclui conteúdo sexual explícito, tal termo é usado para narrativas que possuem um romance leve, ou insinuado entre dois homens, podendo elas serem apenas passionais (personagens que fazem tudo por amor) ou que descrevem uma amizade (vínculo) muito fortes entre garotos. Já o yaoi é uma evolução desta, que se popularizou na década de 80, onde as histórias possuem conteúdo sexual explícito.

Após, essa pequena explicação sobre o termo, seu segundo questionamento deve ser: Porque raios essa pessoa está explicando o que é yaoi numa matéria sobre o CLAMP? Fácil. Nós precisamos entender o termo que basicamente foi o alicerce do grupo e que até hoje continua a ter uma voz ativa em suas obras

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Dito isso, em 1989, o primeiro trabalho do grupo foi publicado: RG Veda. Nessa época, o número de integrantes já havia sido reduzido para sete e, em 1993, mais três saíram. Restando, ao todo, quatro mulheres que lideram o grupo até hoje: Ageha Ohkawa (líder do grupo e roteirista); Satsuki Igarashi (coordenadora de produção e auxiliar de ilustração); Mokona (ilustradora chefe) e Tsubaki Nekoi (co-diretora do grupo e responsável por corrigir as ilustrações). Como vocês podem ver na foto acima.

O “quarteto fantástico” – como são conhecidas – é pequeno, mas veem zero necessidade em aumentar a equipe. Dividindo o mesmo espaço de trabalho há mais de 30 anos, a sincronia e parceria entre essas mulheres, tem nos agraciado com obras como Guerreiras Mágicas de RayeartSakura Card CaptorsChobitsxxxHolicKobatoX/1999, Sakura Card Captors Clear Card, Clover, etc.

O sucesso do grupo se deve ao fato de conseguir conciliar beleza gráfica com enredos fortes. Tornando-se esta sua marca registrada. Particularmente, o que mais aprecio no CLAMP são as contextualizações de seus enredos, por exemplo, em Guerreiras Mágicas de Rayeart somos apresentados a um universo totalmente inspirado nos jogos de RPG, em Chobits o pano de fundo é a discussão sobre Inteligência Artificial, ou ainda em RG Veda onde a trama é inspirada na mitologia grega e hindu.

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Para muitos, suas histórias podem parecer romances açucarados, estando equivocados. Os enredos de Ogeha sempre são preenchidos por algum tipo de crítica social e questionamento filosófico. Além disso, os personagens são acinzentados, cheios de camadas. Não posso afirmar que o CLAMP foi o percursor em trazer temas tão adultos em seus mangás, até porque seria mentira. Mas foi através deles que eu tive contato com assuntos como quebra do papel de gênero – quem não lembra do pai de Sakura e de Touya exercendo atividades como costurar, limpar a casa ou cozinhar (antes consideradas atividades plenamente femininas) serem exercidas com tamanha naturalidade. Ou de ler um mangá onde três guerreiras são as responsáveis pela proteção de uma princesa.

Além destes, a representatividade – assunto que o grupo sempre fez questão de trazer à tona em suas obras seja de maneira aberta ou mais sútil, sendo RG Veda um belo exemplo – a conduta do ser humano belamente exemplificado em X/1999 e Chobits ou até mesmo questionamentos filosóficos relacionados a liberdade, religião etc.

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Lógico que ao abordar temas considerado “polêmicos”, o grupo não escapou de certas problematizações. Insinuações de pedofilia ou incesto em suas obras, assim como, o uso de ‘queerbating‘ já foram amplamente criticados e ainda são bastante discutidos. Sobre tais fatos o grupo nunca se manifestou. 

Abordando os mais diversos temas eles conseguem transitar entre os mais diversos segmentos e públicos como shoujo (voltado para garotas abaixo dos 15 anos), shonen (voltado para garotos abaixo dos 15 anos) e até o seinen (voltado para jovens adultos na faixa dos 20 anos). Tais escolhas nem sempre serão bem recebidas e críticas ocorrerão (dependendo da razão até justificáveis), no entanto, foi por este caminho que o grupo teve sua ascensão e se consolidou no mercado. Através dele, o cenário dos mangás mudou e o protagonismo feminino ganhou mais espaço.

Por fim, o que posso dizer é que se vocês querem adentrar no mundo dos mangás ou se já são deste mundo e procuram personagens cativantes, enredos bem construídos e um universo apaixonante. Tudo isso envolto em belíssimas artes. Qualquer obra do CLAMP é a escolha certa para você. 

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