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Courtney Milan e a representatividade em romances históricos

30 novembro 2020 0 Comentários

courtney milan e a representatividade nos romances históricos

Courtney Milan e a representatividade em romances históricos” é um nome muito longo que infelizmente eu não pude resumir mais do que isso.

Já faz mais de um mês que eu comecei a ler um romance histórico (ou de época? Qual é o termo correto?) atrás do outro e, por algum motivo, eu fui parar na bibliografia de uma autora ainda não publicada no Brasil (eu queria poder colocar ênfase em “ainda”, mas vamos ser realistas aqui: A mulher publica desde 2009, já podiam ter trazido.). Como eu encontrei Courtney Milan? Não faço a menor ideia. Provavelmente foi na minha busca por protagonistas que não fossem 1. Incrivelmente machistas e possessivos, no caso dos homens, ou 2. O estereótipo padrão de protagonista feminina de romances históricos, no caso das mulheres.

Sim, eu estava procurando romances históricos dentro desses parâmetros, porque… sim.

Mas, durante esse mês intenso de leituras em todos os momentos livres feat. a bibliografia inteira de Courtney Milan, outro conteúdo interessante para fãs de romances históricos saiu: O teaser de Bridgertons, nova série da Netflix produzida por Shonda Rhimes baseada nos livros de Julia Quinn. E um dos fatores mais interessantes dos teasers é que eles mostram claramente a diversidade do elenco. Poxa, que legal. Mas sabem o que é mais legal ainda? Personagens canonicamente representativos. E sabe quem tem representatividade canônica em seus livros? Isso mesmo: Courtney Milan.

Então, vamos falar mais sobre Courtney Milan e a representatividade em romances históricos, porque ela merece, e a gente também.

courtney milan e a representatividade nos romances históricos
Mais do que isso. Courtney Milan foi um nome muito discutido no final de 2019, quando foi retirada de seu cargo na administração da RWA (Romance Writers of America) depois do recebimento de reclamações formais de autores e editores contra ela. O motivo? As pessoas não gostam quando você fala, na cara delas, que elas são ou estão apresentando comportamentos racistas.

Oh, well.

O livro mais recente da autora, The Duke Who Didn’t, tem protagonistas de ascendência asiática e se passa num vilarejo habitado por uma miríade de etnias que se agruparam por motivos que vão desde migração em fuga de conflitos até a inospitalidade da sociedade britânica.


O próximo livro da saga da família Worth, atualmente com dois romances e três novelas, vai ter protagonismo negro e asiático.

Além disso, Courtney Milan também tem o cuidado de criar personagens e situações que preencham as narrativas de tal forma que nunca parecem apenas personagens num romance se envolvendo romanticamente e sendo românticos.

Em sua série mais famosa, The Brothers Sinister, ela apresenta personagens inteligentes e situações complexas que engajam o leitor, incluindo conflitos entre classes e os direitos do trabalhador, as dissonâncias entre ciência e religião e a luta sufragista. Em sua duologia sobre a família Carhart, ela aborda violência doméstica e depressão.

E, não bastasse isso, ela trabalha relacionamentos de forma que os personagens sejam mais do que pares românticos: A grande maioria deles forma, ao mesmo tempo ou até antes, amizades e relações de respeito que servem de fundação para o que vem depois.

“If I had been given the chance to choose your friendship again – and again – and again. I would choose everything about you except the one thing I have been given, which is a you who did not choose me. (After the Wedding)”
“Se eu pudesse escolher sua amizade de novo – e de novo – e de novo. Eu escolheria tudo sobre você, exceto a única coisa que me foi dada, que é uma versão de você que não me escolheu. – After the Wedding”

Então, é isso. Dentro do reino dos romances de época/históricos, o que você procurar, Courtney Milan vai entregar.

Um duque que quer a dissolução da aristocracia e uma estrategista brilhante? Tem.

“Who would you be if you didn’t devote three quarters of your attention to hiding what you could accomplish? (The Duchess War)”
“Quem você seria se não devotasse três quartos de sua atenção para esconder o que você pode realizar?” – A Guerra da Duquesa”

Um soldado negro americano e um militar inglês se apaixonando após se conhecerem na batalha de Yorktown? Tem.

Uma cientista darwinista e seu melhor amigo, que apresenta as descobertas como se fossem dele para pularem a parte da misoginia e partirem direto para as acusações de heresia? Sim, por favor.
Um romance entre idosas lésbicas? Por essa você não esperava, né? Mas a resposta continua sendo sim.

Quando eu intitulei esse texto de “Courtney Milan e a representatividade em romances históricos”, eu estava falando bem sério.

Infelizmente, como eu disse no início do post, Milan ainda não é traduzida para o português brasileiro, mas alguns livros dela já foram traduzidos para português de Portugal. Além disso, vários de seus títulos no original em inglês tem preços bacaninhas em e-book. Se você, leitor de romances históricos, se interessar pela premissa dos livros dela, definitivamente dê uma chance.

Pessoalmente, eu começaria pela série mais recente, The Worth Saga e suas novelas, porque além de tudo o que já falei, essa série ainda tem um plot complexo no plano de fundo e relacionamentos familiares complexos que me deixaram muito curiosa. Mas, caso você prefira algo já terminado, The Brothers Sinister é ótimo do início ao fim.

“My love for you is like a field going to rot. It will grow without bounds. You cannot burn it out, I promise you, no matter how much you may want to afterward.
But I love my family – all my family – and I cannot stay here any longer.”  (After the Wedding)

“Meu amor por vocês é como um campo que vai apodrecer. Ele vai crescer sem limites. Vocês não podem queimá-lo, não importa o quanto vocês queiram, mais tarde.
Mas eu amo minha família – toda a minha família – e não posso mais ficar aqui. – After the Wedding.”

E, se tiverem mais alguma autora para indicar, por favor, comentem e digam por onde começar!

Quer outras dicas?

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