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Crítica | AD Astra: Rumo Às Estrelas

25 setembro 2019 0 Comentários

Astronautas, suspense espacial e Brad Pitt — talvez fora de sua zona de conforto — montam o cenário de AD Astra: Rumo Às Estrelas, que chega aos cinemas amanhã.

Como toda ficção-científica, o filme levará o expectador por algumas reflexões. Sejam existenciais, sejam sobre opiniões, quebra de ideologias próprias, propósitos de vida ou até mesmo um embate entre limites de certo e errado. Tudo isso encapsulado em um tom extra de suspense que até mesmo substitui a famosa música do logo da Century Fox tenho que certeza que você tocou a vinheta mentalmente.

Eu disse “extra” ali acima, porque naturalmente o que se passa em outer space é cheio de suspense, por estar fora da nossa zona e colocando a segurança em risco. E para adicionar mais um pouquinho de mistério, Roy é enviado em uma missão para combater seu pai, que está causando destruições em alguns pontos da galáxia, enquanto tenta provar — mais para si mesmo do que para a humanidade — a existência de vida alienígena.

Diante do cenário proposto pela trama, o protagonista de Brad Pitt precisa constantemente decidir entre seguir seu coração e agir como um filho, se convencer de que seu pai não é quem ele sempre quisera que fosse e cumprir os deveres impostos por sua missão. Tudo muito regado de incertezas que tornam alguns momentos um tanto angustiantes.

O filme peca um pouco em não desenvolver uma trama secundária ou motivacional, mantendo os holofotes apenas em cima dos dilemas de Roy — que estão impregnados em vários lugares — a ponto de mostrar até mesmo os efeitos catastróficos que a anti-gravidade pode oferecer em longa exposição. Tudo isso registrado através de um diário de bordo narrado, mostrando como seu sonho de garoto se tornou em pesadelos da vida adulta.

“Estou sozinho. Algo que eu sempre acreditei ser perfeito para mim, mas que agora está me destruindo.”

 Um ponto interessante a se observar é o deslocamento de um astronauta do mundo real. Seja pela falta de vida na Terra, seja por propósitos fora do comum e até mesmo pela renúncia de seus próprios sentimentos humanos. Algumas pessoas podem não perceber essa abordagem, mas alguns “astronautas” identificarão essa segunda dimensão, quase oculta por detrás do mais evidente.

A estes que são mais perceptivos, o filme fará muito mais sentido, uma vez que seu minimalismo exige a observação de detalhes sutis, assim como os closes nas rugas de Brad Pitt tempo inteiro. A cada nervo tremendo, a cada poro desgastado, a cada fundo desfocado que muitas vezes explicará o sentimento necessário para a cena.

Ao final da trama, AD Astra não entrega nada de grandioso ou inovador. Apenas inverte a busca incerta pelo que há fora do planeta, pela certeza do que é necessário ao interior de um ser humano. Um filme muito mais interpretativo do que declarado — um filme bom, mas que pode frustrar quem esperava grandes aventuras intergalácticas e outros elementos de ação.

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