Últimos Posts
cinema category image

Maria e João: O Conto das Bruxas | Crítica

18 fevereiro 2020 0 Comentários

Muitos de vocês cresceram ouvindo ou lendo os contos de fadas escritos pelos irmãos Grimm, todos contendo uma linda história de amor, de amizade de família e finais felizes. Mas a maioria desses contos, na realidade, escondem histórias tristes e horríveis como no caso de João e Maria, que na verdade não foram procurar amoras para a torta de sua mãe, mas sim abandonados na floresta para morrerem por conta da grande escassez de comida na Idade Média onde homicídios de crianças eram comuns nessa época.

E é por aí que o filme Maria e João vai contar essa história. Após a morte de seu pai e a loucura que acomete sua mãe, os irmãos são obrigados a partirem para procurar comida e abrigo. Após enfrentarem alguns perigos, cansados e com fome, eles encontram uma casa com uma mesa farta de comida e aparentemente sem ninguém. Porém, eles descobrem que há uma moradora e ela não é tão boazinha assim como eles pensaram.

Essa adaptação dirigida por Oz Perkins tem como pano de fundo a história dos irmãos Grimm, mas não dá foco a ela. Seu foco na verdade são as bruxas, por isso, acredito eu, que o nome dos personagens foram trocados, iniciando-se com Maria ao invés de João como ficou conhecido. No início do filme é contado a lenda da Bruxa de Capuz Rosa e é essa lenda que irá guiar o filme até seu fim.

O filme é lindo, com cenários pitorescos e ao mesmo tempo sombrios do interior de uma floresta. As filmagens foram muito bem feitas, trazendo cenas esteticamente perfeitas, mostrando que a produção girou em torno da técnica de filmagem e se esquecendo do principal, o roteiro. Maria e João tinha tudo para ser um grande filme de suspense e terror com uma história diferenciada e bem adaptada, mas isso se perde no final do primeiro para o segundo ato.

Leia também:

Maria, interpretada por Sophia Lillis (It: A Coisa) tem falas e comportamento de enfrentamento que soam apelativos e destoam da narrativa sutil do filme, sendo insuficiente em sua interpretação, como também do ator mirim Sam Leakey, que interpreta João. Faltou uma construção sólida dos personagens, pois ainda que os conhecemos como João e Maria dos contos de fadas, no filme eles são outros personagens, que não têm nada em comum com os dos irmãos Grimm. Porém, a Alice Krige que interpreta a bruxa Holda foi muito boa em sua interpretação, mostrando todo o lado sombrio e misterioso de uma bruxa.

A narrativa é arrastada e cansativa, dando tédio em sua maior parte, sendo compensada apenas pelas belas cenas apresentadas. Como disse, o filme tinha tudo para ser incrível, mas foi se perdendo tanto que nada explica nada, e no terceiro ato traz uma finalização ridícula e completamente desproporcional a tudo que foi introduzido ao longo da história, o que mais uma vez decepciona, e muito.

Aparentemente o filme será um “abre alas” para um universo compartilhado de conto de fadas que será produzido por Perkins e espero que ele leve em consideração as críticas de Maria e João e entregue nos filmes seguintes uma história extraordinária como esse tinha tudo para ser.

Leia esses posts também