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Cursed: A Lenda do Lago – uma releitura com méritos e tropeços | Crítica

20 julho 2020 2 Comentários

cursed: a lenda do lago

Cursed: A Lenda do Lago é uma das grandes apostas do Netflix para o mês de julho, mas será que vale à pena? Baseada na HQ de Thomas Wheeler e Frank Miller, a obra tem como objetivo contar a clássica lenda do Rei Arthur sob uma nova perspectiva, tendo ela seus méritos e tropeços.

Na trama acompanhamos a jornada de Nimue (Katherine Langford), também conhecida no clássico como a Dama do Lago. A misteriosa personagem aqui ganha espaço e se torna nossa guia dentro deste mundo mítico que trava uma batalha para a sobrevivência do povo feérico. Ao escolher como figura principal uma personagem com um passado pouco explorado, a produção abre precedentes para inúmeros caminhos a serem contados, o que o faz, tendo seus momentos positivos e negativos.

A personagem é o ponto chave dentro da lenda por ser à responsável de entregar Excalibur à Arthur sob a condição de que ele respeitasse os cultos de Avalon. Contudo, em Cursed: A Lenda do Lago, o destino da famosa espada é um pouco diferente. Aqui Nimue é encarregada de entregar Excalibur à Merlin (Gustav Skarsgård) à mando de sua Mãe como uma forma de proteger o poderoso objeto de ser capturado pelos Paladinos Vermelhos, guerreiros da Igreja Católica liderados pelo Padre Carden (Peter Mullan) cujo objetivo é exterminar o povo feérico, sua religião e práticas, para que assim o cristianismo ganhe o poder e influência necessária dentro de todo território. Tendo em mãos o disputado objeto, cujo a lenda diz que aquele que a possui-la será o rei da Grã-Bretanha, Nimue acaba virando um alvo para aqueles que querem usurpar o artefato mágico para si, levando-a à uma jornada de amadurecimento.

Com 10 episódios, todos com quase 1 hora de duração, é mostrado ao espectador as dificuldades que ela tem de enfrentar para cumprir o pedido de sua mãe, como também, encontros com inúmeros personagens conhecidos dentro das lendas arturianas. Cursed: A Lenda do Lago, em sua primeira metade, consegue estruturar bem a sua história, ao explicar o passado da protagonista e desenvolver sua relação com personagens chaves dentro da narrativa.

cursed: a lenda do lago Netflix

A forma que é trabalhado seu crescimento nos cinco primeiros episódios chama atenção. O fato de termos uma jovem em posse de um valioso e desejado objeto e o roteiro optar por abordar Nimue (Langford trazendo uma boa atuação) como uma personagem em meio a um processo de amadurecimento, é algo positivo. Ela sente o peso de sua função, e se mostra determinada a cumpri-la, mas ainda sim demonstra suas inseguranças, medos,  falhas, indecisões até que chegue a uma posição onde se sinta segura consigo mesma. Sendo visível sua evolução, que por sinal é muito prazeroso de se acompanhar em tela. O espectador entende que Nimue não é uma líder nata e que sabe usar toda sua capacidade feérica, mas sim que adquire tais trejeitos e habilidades por meio dos obstáculos que vivencia, tornando-a uma pessoa confiável de se seguir.

Contudo, tal ascensão desaparece na segunda parte da temporada e aqui que começa um caminho cheio de tropeços para Cursed: A Lenda do Lago. Tendo como exceção, o sexto capítulo (The Joining e 1×06 – Festa and Moreii) que é sem dúvidas o melhor da temporada, o resto dos episódios parece que simplesmente joga fora o construído no início fazendo com que o roteiro coloque seus personagens em círculos, não desenvolvendo seus arcos ou avançando com a história, dando a impressão de que estavam preenchendo lacunas para que assim a produção tivesse enredo para 10 episódios. O que poderia ser prevenido caso a série fosse encurtada para oito capítulos.

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A adesão de novos personagens na reta final da temporada também é um problema, já que o roteiro se atrapalha e não consegue desenvolve-los, tornando-os rasos e sem uma função pertinente. Outro fato é que com tamanha aglomeração, personagens centrais acabam perdendo espaço e sendo jogados de escanteio, Arthur (Devon Terrell) e Pym (Lily Newmark) são grandes exemplos deste furo narrativo. Irmã Igraine (Shalom Brune-Franklin), umas das personagens mais interessantes, também tem seu arco narrativo prejudicado, de modo de que certos acontecimentos são simplesmente jogados na trama sem nenhuma explicação, tornando tudo muito anti-climático.

cursed:a lenda do lago

Na minha opinião, apenas Merlin (Gustav Skarsgård) e o Monge Chorão (Daniel Sharman) conseguem manter arcos satisfatórios, demonstrando evolução e coerência narrativa. Sendo eles os grandes destaques dessa primeira temporada. Skarsgård demonstra todo seu carisma e sabe conduzir muito bem esse Merlin sarcástico, astuto, beberrão e um tanto solitário. O mesmo pode-se dizer de Sharman, ao dar vida ao personagem mais misterioso da série. Ele convence em suas cenas de luta e consegue ativar a nossa imaginação sobre quem realmente é este personagem e qual é o seu passado.

Por fim, posso dizer que Cursed: A Lenda do Lago possui uma paleta recheada de cores vivas, como também, uma cinematografia belíssima que dá gosto de ver em tela. E mesmo diante de uma temporada com  inconsistências narrativas, a série possui seus méritos, podendo corrigir seus erros caso haja uma segunda temporada.

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