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Dark – 3ª Temporada | Crítica sem spoilers

25 junho 2020 2 Comentários

dark 3ª temporada crítica

Estamos a dois dias do apocalipse vivido pelos moradores de Winden, e em seu terceiro e último ciclo. Dark, está de volta para responder todos os nossos questionamentos e fechar uma narrativa extremamente complexa. Mas será que a produção consegue atingir tal objetivo?

A resposta é sim. Tive o privilégio de assistir a terceira temporada da série com certa antecedência – que estreia dia 27 de junho na Netflix –  e hoje venho aqui relatar o que vivenciei com os últimos 8 episódios dessa jornada, porque infelizmente chegamos ao fim. Iniciando sua história no momento em que a temporada anterior se encerrou, encontramos Jonas (Louis Hofmann) se deparando com uma nova Martha (Lisa Vicari), agora a pergunta não é mais que de qual ano esta é, mas sim de qual mundo. Introduzindo o conceito de realidades paralelas em sua história, Dark se arrisca ainda mais em sua complexidade para chegar a origem do enigma.

Seus criadores, Baran bo Odar e Jantje Friese, possuem um completo controle da história. Expandindo ainda mais o universo de Dark, a introdução de uma realidade paralela possibilita uma nova releitura dos personagens, trazendo reviravoltas, inúmeras referências as temporadas anteriores, como também, encaminhando o espectador à uma cadeia de explicações. Sem furos, sem erros, Baran e Jantje trazem um final coeso.

Possuindo um tom um pouco mais explicativo em seus dois primeiros episódios, Dark nos familiariza com este novo mundo, diferenciando-o através dos mínimos detalhes, entre eles o uso de colorações distintas, uma forma inteligente e visualmente linda para aqueles que assistem a série. Aliás a direção de arte, fotografia e edição continuam magistrais, mostrando todo cuidado técnico em sua produção.

Porém, não se engane, não pense que esse carácter explicativo, não exija do espectador um nível de concentração e atenção, já que nesta trama uma resposta sempre vem seguida de uma nova pergunta. Pode parecer loucura, mas diante de tantos simbolismos e conceitos filosóficos, científicos e até mesmo psicológicos, a narrativa consegue se conectar como um todo e envolver ainda mais o espectador, mostrando que apesar de toda sua espiral enigmática, Dark é uma série extremamente humana, pondo em constante prova a nossa existência.

Os eventos que entrelaçam os Tiedemann, Doppler, Kahnwald e Nielsen são correlacionáveis, fazendo com que o público sinta o peso de suas escolhas, que possuem um carácter ainda mais decisivo em sua última temporada. Aliás a liberdade de escolha é algo constantemente lembrada na série. Através da nossa autonomia moral e existencial, nós, assim como os personagens, fazemos escolhas para nossa vida, o que implica em inúmeras possibilidades que podem nos gera ganhos e perdas.

dark 3ª temporada crítica

Esse flerte com o existencialismo, é extremamente elucidado através de Jonas e Martha. O par, realmente mostra perfeição em suas cenas. Louis e Lisa – que ganha muito mais espaço na narrativa – mostram uma genialidade e veracidade que emociona. Um fato interessante e que para mim fez todo sentindo, foi trazer um pequeno easter egg do fio de Ariadne a trama, esse conceito diz muito sobre os personagens e simplesmente resume seus sentimentos, ao elucidar essa exaustiva procura, através de suas mais variadas formas, para salvar aqueles que amam de um eminente apocalipse. Demonstrando que cada causa gera uma reação e cada ganho uma perda.

Tal reflexão, também me faz pensar que Dark é uma história essencialmente sobre o amor, em suas mais diversas formas, e os limites que ultrapassamos para preserva-lo. Tal pensamento ainda pode ser traduzido nos arcos de Hanna (Maja Schöne), Katharina (Jördis Triebel), Charlotte (Karoline Einchhorn), Noah (Mark Waschke) e Claudia (Julika Jenkins) esta ultima se consolidando como a minha personagem favorita, como também, possuindo um papel essencial na história.

E é em meio a esse confuso emaranhado que o espectador torce para que tudo seja resolvido, causando uma efusão de emoções até o último episódio. Com essa sensação de urgência que Dark entrega um final magnífico, que se encaixa tão perfeitamente e com tanta naturalidade a tudo a que nos foi apresentando. Gostaria de ser um pouco mais direta com vocês como tais acontecimentos causam impacto, mas seria um egoísmo da minha parte priva-lós de tais experiências, por está razão e também a pedido da Netflix, essa crítica é sem spoilers.

Dark foi uma jornada indescritível, e nos créditos finais me vi chorando diante de tanta beleza poética. Sem precisar deixar finais em aberto, a produção finalmente coloca um fim neste ciclo, e se despede da mesma forma que se iniciou: no topo. Se consolidando como uma das melhores séries já produzidas na indústria do entretenimento.

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