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DC FanDome: o retorno de Zack Snyder e o futuro da DC

23 agosto 2020 0 Comentários

DC FanDome: o retorno de Zack Snyder e o futuro da DC

DC FanDome – A maioria das pessoas deixa de acreditar em super-heróis quando entra na adolescência. Pode ser por conta dos hormônios ou do afloramento nada espontâneo das pressões sociais. De repente, não parece tão legal esconder revistinha colorida entre as páginas do livro didático na aula de matemática. No entanto, por não brincar bem com outras crianças e, consequentemente, me tornando um adulto entediado e aterrorizado pelas interações sociais, a alegria das capas, superpoderes e identidades secretas demorou um pouco mais para acabar. Para mim, o último dos super-heróis só se aposentou em 2017 quando Zack Snyder perdeu uma de suas filhas e foi afastado da direção de Liga da Justiça.

Sim, eu sou um desses caras. Eu nunca duvidei que este momento chegaria (talvez um pouquinho, mas só porque o mundo é mesmo injusto e por muito tempo eu achei que a verdade de Snyder nunca venceria). Assim, três anos depois que colocaram a fita errada para passar no lançamento de Liga da Justiça, eu me vejo empolgado com o universo dos super-heróis de novo. Quando Snyder perdeu a filha e se afastou da produção, eu fiquei triste, mas não achei que fosse definitivo. Também não achei que a Warner Bros. pudesse se aproveitar de uma tragédia para cometer outra.

DC FanDome: o retorno de Zack Snyder e o futuro da DC

Mas isso foi antes. Ontem, dia 22 de agosto, ocorreu o DC FanDome, evento realizado para falar sobre as futuras produções da DC, mas a coisa mais importante que eles tinham para contar era que o bem venceu. E isso é muito importante. Mesmo que você odeie Snyder (não sou nem capaz de imaginar), tem que perceber como é importante que vivamos realmente num momento da indústria do entretenimento em que eles têm que ouvir o que o público está com vontade de falar (sobretudo se o público insistir por três anos e deixar claro que consegue insistir por muito mais).

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No painel, Snyder responde algumas perguntas do público (lidas pelo elenco original) e conversa um pouquinho com Fiona, a fã que iniciou todo o movimento pelo seu corte do filme. Ele não dá muitas informações sobre as mudanças, mas dá para ter uma boa ideia, considerando que ele nunca assistiu a versão de 2017 e sempre se mostrou bastante confuso com algumas cenas inclusas ali, quando descritas por fãs. Nos seus comentários, durante seu painel no DC FanDome, Snyder fala do destaque que o Ciborgue deveria ter tido na história (e que foi roubado dele), de como o personagem deveria ser a liga que mantém os outros unidos. Ele diz que sua versão desenvolve a dimensão emocional do Flash, que lida com a perda e com a solidão para além do alívio cômico (ele fala um pouco dos poderes do Barry também, não da velocidade, parece que alguém vai viajar no tempo…). Ele volta a mencionar que o filme tem um sentido de família e criação de laços, para ele, todos os heróis da Liga são em algum sentido solitários ou tristes, seja pela perda ou pela responsabilidade, como os Sete Samurais (uma das suas referências originais, lá no início do processo). Para o Snyder, a ideia de um filme da Liga é muito mais sobre aquilo que os une como pessoas do que como heróis (porque de fato fazer um monstro de CGI para lutar no final não é grande coisa, até aquele outro conseguiu fazer).

DC FanDome: o retorno de Zack Snyder e o futuro da DC

“O Superman diz ‘você sangra’ para o Batman?”
“Não, isso literalmente não faz nenhum sentido”.

De fato, no fim das contas, foi melhor que as coisas tenham acontecido como aconteceram. Um filme de duas horas não seria suficiente para tanta ideia. Para desenvolver seis personagens e fazer com que todos sejam relevantes, a versão de Snyder da Liga da Justiça vai funcionar no formato de uma minissérie em quatro episódios (uma hora de duração cada) para a HBO Max. Contudo, o diretor mencionou que a opção de assistir como filme também estará disponível, além de estar trabalhando na distribuição do longa para que países que ainda não tenham o serviço de streaming disponível.

Por fim, o painel se encerra com o primeiro trailer da nova versão. Ao som de Hallelujah, de Leonard Cohen, vemos Darkseid mandando suas hordas para a Terra e Batman juntando seus samurais (mesmo aquele que morreu no filme anterior) para mostrar que na Terra todos os planos malignos intergalácticos perecem.

Além da Liga da Justiça, o DC FanDome apresentou jogos, filmes e séries numa variedade de painéis que quase me faz acreditar que a Warner consegue organizar um calendário de verdade. Quase.Um novo jogo para já extensa linha do universo do Batman foi anunciado. Dessa vez, Batman está morto e devemos comandar quatro de seus pupilos em Gotham Knights: Batgirl, Asa Noturno, Robin e Capuz Vermelho.

Além disso, tivemos um papo com a diretora Patty Jenkins e o elenco de Mulher Maravilha 1984. As perguntas feitas por fãs e personalidades da mídia não podiam ser mais banais e pouco imaginativas, não vou mentir, mas, a verdadeira atração, no fim das contas, era o anúncio do segundo trailer oficial do longa.

No painel do Flash, considerando que a produção ainda está em fase de conceito (há um milhão de anos, diga-se de passagem), tivemos basicamente um show de um homem só estrelando Ezra Miller e seu humor esquisito. A roteirista Christina Hodson e os diretores Andy Muschietti e Barbara Muschietti falaram um pouco sobre as possibilidades para o universo DC (cinema e televisão) com a introdução de um multiverso que virá com o filme (o que faz todo o sentido após a confirmação das versões do Batman de Ben Affleck e Michael Keaton no filme). Além disso, vimos a arte conceitual do novo uniforme do personagem, que, basicamente, parece uma versão mais acabada da mostrada em Liga da Justiça, agora com energia vazando através de linhas a partir do símbolo no centro do peito.

DC FanDome: o retorno de Zack Snyder e o futuro da DC

Falando em universos alternativos, Walter Hamada confirmou o óbvio: The Batman não se passa no universo da Liga original, o que deve abrir algumas portas para a criatividade de Matt Reeves, já que não precisa ficar preso a continuidade alguma.

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No painel sobre o Esquadrão Suicida de James Gunn, um circo inteiro de balbúrdia quando o elenco de fila quilométrica entra na chamada e começam algumas brincadeiras. O painel apresentou um teaser divertido que fala um pouco de cada personagem (e são muitos) como também um sena Peak dos bastidores do longa. Tente não se apegar tanto aos mais excêntricos. O nome do filme é Esquadrão Suicida. Não devem durar.

Como uma surpresinha no fim da tarde, Jim Lee dá a entender que um filme do Super-Choque está em negociação. É interessante pensar na possibilidade, já que, mesmo tendo sido absurdamente popular aqui no Brasil, lá nos EUA, sempre foi considerado um personagem de segundo escalão.

No início da noite, tivemos o painel de Adão Negro, estrelado por The Rock. O painel revelou o envolvimento da Sociedade da Justiça no filme e o ator deu a entender que em um futuro próximo poderia haver um confronto com o Superman ou a Liga, me deixando bem curioso. A verdade é que The Rock tem tudo para se tornar um dos maiores anti-heróis, como também um dos mais queridos, do universo que a DC está construindo.

Continuando o DC FanDome, tivemos o painel da série Titans anunciou alguns novos personagens para a terceira temporada, o vilão Espantalho, a heroína Barbara Gordon e o anti-herói Capuz Vermelho (no caso, Jason já faz parte da série, mas, no momento, ainda com o codinome Robin, para que ele se torne o Capuz Vermelho uma série de crimes terríveis têm que acontecer ao longo da temporada).

Por fim, um dos trailers mais aguardados no DC FanDome era o The Batman, estrelando Robert Pattinson, Jeff Wright, Paul Dano, Colin Farrell e Zoë Kravitz, com direção de Matt Reeves. O trailer, a meu ver, bastante esquisito, mesmo que interessante, não me remete de imediato a ideia de super-herói. Eu já sei que o Batman é o amigo sinistro e depressivo, mas esse trailer tem um clima de suspense muito mais pesado do que eu estava acostumado. Inquietante e curioso, pelo menos. Certamente, vem algo no mínimo diferente. O que já é de se agradecer bastante, considerando o monte de filme igual que eu já vi nos últimos dez anos.

Segundo o diretor, no painel, The Batman é uma história de detetive, o que tem muito a ver com o clima esquisito do trailer, é uma investigação de assassinato que se conecta a origem do próprio herói (porque tem a ver com a morte de seus pais) e a origem de vilões icônicos como o Charada e o Pinguim. É interessante considerar o Charada como vilão principal, é um personagem extremamente interessante, mas tão pouco explorado no cinema. Tivemos a versão do Jim Carrey, mas, com certeza, esse não é um Charada engraçado e brincalhão. Reeves diz que essa é uma versão do Charada que ninguém nunca viu, o que não é muito difícil, já que vimos tão poucas, mas também é muito empolgante.

Por não se tratar de um filme de origem tudo outra vez, o Batman de Pattinson deve trazer a mesma sensação agradável que o de Affleck. Não precisamos falar disso tudo outra vez, vamos olhar para outros becos, outras coisas terríveis acontecendo por Gotham e dando pano para mais mistérios a ação.

Eu recentemente escrevi sobre como estava exausto desses filmes de super-herói (bem aqui) e como tudo parecia uma mesma coisa. Enfim, a hipocrisia. Na verdade, voltar ao universo de Snyder parece diferente e empolgante e as coisas que Reeves quer construir daqui para frente, bom, eu falei que estava cansado desse universo, mas também disse que queria um universo novo.

Bem esse foi meu pequeno resumo sobre o que achei de mais interessante nessa primeira parte o DC FanDome. Lembrando que o evento continua no dia 12 de setembro. Deixe nos comentários quais foram seus momentos favoritos e aproveite e segue a gente no instagram: @euastronauta.

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