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Destrinchando a segunda temporada de Titãs

10 janeiro 2020 0 Comentários

Passou-se um bom tempo desde que a primeira temporada de Titãs estreou em meados de 2018 e se consolidou como sucesso ao ser distribuída pela Netflix meses depois. Com tanto sucesso e boa repercussão nas redes sociais, a DC tratou de renovar a série para segunda temporada, que foi exibida ano passado nos EUA, através do streaming da DC Entertaiment (que em breve deve virar um anexo do stream HBOMax), mas que agora ganha distribuição global estreando no dia 10 de janeiro na Netflix. Porém a pergunta que ficou no ar para os fãs brasileiros foi a seguinte, será que a segunda temporada conseguiria superar primeira e entregar um produto ainda melhor?

Nós aqui do Eu, Astronauta assistimos a segunda temporada inteira e vamos comentar o que achamos da série, sem revelar muito para não estragar as surpresas. Então vamos lá, muitos fãs adoraram a primeira temporada, mas talvez a principal crítica da série foi o final meio anticlímax apresentado, com a trama de Trigon (Seamus Dever) tomando forma tardiamente e deixando um gancho que poderia ter sido melhor desenvolvido. Corta para o início da segunda temporada, o episódio “Trigon” (2×01) é basicamente uma resolução da trama de Rachel (Teagan Croft) e seu pai, com a super-heroína enfrentando seus demônios internos ao mesmo tempo que tenta libertar seus outros amigos Titãs aprisionados em trevas.

A season premiere é correta, mas seu final é um pouco apressado em finalizar logo a trama de Trigon e seguir em frente com a trama da segunda temporada. O cerne da temporada fica por conta de Slade Wilson (Esai Morales), vilão clássico dos Titãs conhecido como Deathstroke que aqui vira o centro da trama que não só explora o passado da primeira geração dos heróis, como também traz novos personagens para a narrativa.

Os dois episódios seguintes a premiere, mostram a história ganhando mais corpo após uma breve passagem de tempo, com “Rose” (2×02) e “Ghosts” (2×03) a trama se dividiu entre três linhas narrativas, a primeira se estabelece no quartel general dos Titãs com Dick Grayson (Brenton Thwaites), Gar (Ryan Potter), Rachel e Jason Todd (Curran Walters) treinando e tentando se consolidar com a nova formação da equipe, a segunda com Kory (Anna Diop) e Donna Troy (Conor Leslie) combatendo crime enquanto forçam os laços de amizades, e a terceira com Hank (Alan Ritchson) e Dawn (Minka Kelly) tentando seguir a vida como casal comum. Ao mesmo tempo em que seguimos essas narrativas, o plot de Deathstroke vai tomando forma com a introdução de Rose (Chelsea Zhang), sua filha que surge como uma possível nova ameaça para os Titãs, enquanto isto em paralelo vamos descobrindo mais sobre o passado do vilão através de flahsbacks.

A primeira metade da segunda temporada lida muito com consequências de erros do passado dos antigos Titãs, ao mesmo tempo em que pavimenta um inevitável confronto entre os heróis e o vilão no presente. A construção narrativa aqui é bem-feita, usando a mesma técnica que deu certo na última temporada intercalando episódios no estilo flashback com heróis distintos ao mesmo tempo em que avança a narrativa em outros episódios ligados a trama principal.

Esta temporada ganhou muito em maturidade pelo fato dos atores se mostrarem muito mais à vontade e em pleno domínio de seus personagens. Mais uma vez Dick Grayson ganha bastante destaque aqui, numa jornada de autodescobrimento que contribui bastante para o amadurecimento de sua persona como líder e super-herói, Brendon consegue aprofundar as camadas dramáticas do antigo Robin, principalmente com a presença mais que bem vida de Bruce Wayne (Iain Glenn) na trama, servindo praticamente como a voz da consciência do antigo menino prodígio, aliás, o episódio “Bruce Wayne” (2×07), é um dos melhores episódios do Dick Grayson na série. Outro destaque importante é Kory Anders, que ganha mais espaço com sua trama espacial numa guerra intergaláctica com membros de sua família alienígena, uma pena que essa trama necessite de mais polimento, mas sua base foi plantada bem e promete ser importante nas próximas temporadas da série.

Dentre os outros personagens, Rachel é uma personagem que cresce muito na questão de poderes na trama, mas sinto que a personagem foi subaproveitada na história como um todo, talvez por ter tido um grande destaque na primeira temporada, a personagem teve pouco a fazer após a finalização do arco de seu pai. Jason Todd é outro que tem algum destaque, mas lhe falta uma trama própria para crescer, assim como Gar, que continua sendo o alívio cômico preferido da série e bastante carismático, mas ainda não atingiu todo o potencial que sabemos que o personagem tem, afinal Mutano nos quadrinhos é um dos mais fortes dos Titãs.

Talvez este seja um dos grandes problemas desta segunda temporada de Titãs, são muitas histórias, muitas narrativas, muitas subtramas e muitos personagens para lidar, tudo isso torna a série inchada e por diversas vezes sem muito foco, dessa forma como citei, personagens principais perdem espaço ou não conseguem um desenvolvimento satisfatório, sem falar que se na primeira metade da trama, as brigas e os constantes conflitos entre os heróis são interessantes, na segunda metade da temporada eles se tornam cansativos e repetitivos, transformando a trama em algo um pouco maçante de acompanhar.

Ainda que tenha todos esses problemas, a segunda temporada de Titãs ainda tem muitas qualidades e episódios interessantes o bastante para que não percamos a fé no seriado. Como citei anteriormente, quando a série quer introduzir um super-herói na trama, normalmente é certeira ao focar em personagens específicos, são nesses momentos em que ela dá um salto de qualidade, os episódios “Aqualad” (2×04) e “Conner” (2×06), são bons exemplos disto, o primeiro situado no passado mostrando o herói que veio de Atlântida para lutar ao lado dos Titãs originais liderados na época por Dick Grayson como Robin, que ainda tinha Donna, Hank e Dawn, formando a primeira geração. O segundo no presente é introduzido no que talvez seja o melhor episódio da temporada, com a introdução da misteriosa Cadmus e da mitologia do Superman na trama, representado pela figura de Conner, conhecido como Superboy nos quadrinhos, o episódio é de tirar o fôlego e termina de uma forma ainda mais espetacular.

Falando em terminar o episódio bem, outra característica positiva desta segunda temporada é saber criar ótimos ganchos para deixar o espectador ansioso para o que estar por vir, a maioria deles empolgam e por esse motivo estão sempre ligados a trama principal com Deathstroke, episódios como “Deathstroke” (2×05) e “Jericho” (2×08), são ótimos em estabelecer conflitos e são ainda melhores no quesito ação, além de serem importantes para entender a verdadeira ameaça que Slade Wilson representa na narrativa.

De uma forma geral, a segunda temporada é boa, mas infelizmente oscila muito principalmente na sua metade final, episódios como “Atonement” (2×09) e “E.L._.O” (2×11) são episódios mais fracos que não contribuem muito em termos narrativos ou de desenvolvimento de personagens, assim como as tramas de “Fallen” (2×10) e “Faux Hawk” (2×12), que apesar da boa ação em determinados momentos, deixam muito a desejar em termos de roteiro e execução. O season finale “Nightwing” (2×13) é o momento em que todas as tramas se unem e apesar de ser bastante superior ao final da temporada anterior, ainda faltou algo para ser memorável, mas não há como negar que tem momentos excelentes como a aparição de um super herói bastante aguardado na trama e a luta final dos Titãs contra Deathstroke, estes acontecimentos valem cada segundo, além de uma reviravolta que promete dividir os fãs pelo desfecho inesperado.

Este episódio final fecha a temporada de forma sólida apontando um futuro promissor (a série já foi renovada para terceira temporada), mas Titãs ao meu ver apesar de alguns ótimos momentos, andou sobre terreno perigoso, se mostrando frágil narrativamente por diversas vezes, a quantidade de subtramas e personagens para serem desenvolvidos deixou a história bagunçada, carecendo de mais foco para que a fluísse de uma forma melhor e seus super-heróis não aparentarem estar sendo sub aproveitados. No entanto, é possível perceber que mesmo com falhas, a série tem um potencial muito grande para crescer, a segunda temporada mostrou isso, e a tendência é que Titãs se torne referência no que diz respeito a ser uma ótima série de super heróis, pessoalmente acredito que em maratona, esta nova temporada deve ser melhor de assistir, do que semanalmente como eu fiz, então termine esse texto e corre lá para assistir, se você é fã desses heróis da DC, então não pode perder nenhum segundo deste novo ano.