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Enola Holmes: divertida, intrigante e nada convencional | Crítica

24 setembro 2020 0 Comentários

Enola Holmes: divertida, intrigante e nada convencional | Crítica

Enola Holmes estreou ontem, dia 23 de setembro, na Netflix. Criada por Nancy Springer, a irmã mais nova de Sherlock e Mycroft Holmes é uma personagem que não somente expande o mundo criado por Sir Conan Doyle, como também, foge de convencionalismos.

Enola (Millie Bobby Brown) – que na verdade é um anagrama para “alone” (sozinha, em inglês) – teve uma infância um tanto quanto diferente das meninas de sua idade. Educada por sua mãe, Eudoria Holmes (Helena Bohan Carter), a personagem ao invés de passar suas tardes tendo aulas de etiqueta, foi ensinada na arte da literatura, ciências e até mesmo em defesa pessoal.

Vivendo em um mundo bucólico, lúdico e quase perfeito, Enola saia de sua zona de conforto quando sua mãe desaparece sem explicações. Fazendo com que ela embarque em uma clássica jornada de amadurecimento enquanto tenta solucionar tal mistério.

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Dirigido por Harry Bradbeer (“Fleabag”), o filme faz com que você se sinta parte desta investigação. Quebrando a todo momento a quarta parede, Enola insere o espectador na aventura aos nos confidenciar seus planos, pensamentos e até mesmo compartilhar a resoluções das pistas que encontra. Uma produção divertida e que trás os elementos clássicos do universo de Sherlock Holmes.

Por falar no famoso detetive, ele também faz parte da narrativa. Sherlock (Henry Cavill), assim como, Mycroft (Sam Claflin), são os irmãos mais velhos da protagonista e que ao longo da narrativa ganham focos interessantes. Henry Cavill convence com seu Sherlock e demonstra algumas nuances bem intrigantes em suas interações com a irmã. Um homem tão racional, que vemos ganhando pequenos fechos de emoção. Já Sam Claflin está excelente, seu Mycroft possui um discurso ácido e conservador batendo constantemente de frente com a personagem. Mas e Enola Holmes?

Para muitos, a irmã mais nova e desconhecida de dois grandes nomes poderia perder facilmente seu protagonismo, no entanto, Millie Bobby Brown traz vivacidade, carisma e uma veracidade à Enola. A atriz se encontra radiante no papel e finalmente consegue florescer e demonstrar todo seu potencial. A figura de Enola Holmes é o que dá vida à narrativa, por ser uma menina que foi criada em meio aos campos verdes do interior e com ideais à frente de seu tempo, mas que se vê saindo de sua preciosa bolha e indo vivenciar um mundo muito mais acinzentado e opressor.

Enola é extremamente inteligente e sagaz. Um ponto de cor em uma cidade que luta por mudanças – o filme se passa no período da Reforma de voto de 1832 –, sendo todo este conceito muito bem representado pela fotografia, ao introduzir uma Enola de vermelho em uma Londres vitoriana tão opaca, mostrando ser a chama de um ideal.

Contudo, nem tudo são flores e a produção apresenta alguns problemas em seu roteiro, ao introduzir lorde Tewksbury (Louis Patridge). Por mais que seu arco tenha vínculo com a narrativa principal, a mudança de foco causa um problema nítido de ritmo no filme. Outro ponto que também que merece ser mencionado é a construção do antagonista – ou antagonistas – na narrativa. Por mais que eles cumpram um dos objetivos que é movimentar a trama, suas motivações são muito simplistas pelo fato do roteiro não saber desenvolve-las. Como disse a mudança de foco no filme trás essa quebra e, consequentemente, se apressa em sua resolução final não criando o impacto esperado, dando uma “amornada” em toda a história.

Por fim, o ultimo ponto que me desagradou também está ligado a figura de lorde Tewksbury (Louis Patridge) ao tentarem forçar o personagem como um possível interesse amoroso, algo  inconveniente, principalmente quando analisamos todo o discurso que o filme quer transmitir.

Ao longo de duas horas de filme, percebemos o que Eudoria (Helena Bohan Carter) quis transmitir à sua filha. O “alone” que está atrelado ao seu nome não é no sentido de se tornar uma mulher solitária, mas sim autônoma. Se utilizando dos ensinamentos de sua mãe para descobrir o paradeiro da mesma, percebemos que Enola foi criada para ser independente. Uma mãe que acolheu, mas que transmitiu conhecimentos a filha, por ela representar a projeção de um progresso.  Sendo assim, Enola não precisar ser de alguém, sendo essa insinuação de “casal” um tanto desnecessária, diante de um discurso tão poderoso.

Apesar de Enola Holmes possui seus percalços narrativos, o filme ainda assim é extremamente divertido por possuir uma protagonista altamente instigante, me deixando animada para possíveis novas aventuras em um futuro não tão distante.

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