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Evanescence | The Bitter Truth

31 março 2021 0 Comentários

Depois de dolorosos 10 anos de espera dos Evfãs na espera de um álbum só com originais, finalmente os humilhados foram exaltados com The Bitter Truth, com a tradução para a verdade amarga, que nada mais é que o álbum de toda história da banda. 

Pós era Synthesis, ainda vemos muitos elementos presentes do álbum passado, com a presença de sintetizadores e teremim, muito visível na intro Artifact/The Turn. Já imagino na volta aos palco, onde a iluminação fica bem fraquinha e o telão atrás com vídeo de um rio e enquanto a música vai dando continuidade as luzes ficam cada vez mais fortes a ponto de começar o famoso bate cabeça da frontwoman, Amy Lee. Minha imaginação está muito fértil com a falta de concertos. 

A música que é a identidade de Evanescence agora, com toda certeza é Better Without You. Para aqueles que acompanham a banda há um certo tempo, sabe que houve diversas desavenças com muitas pessoas e que já tentaram destruir a banda de dentro para fora, essa música e Broken Pieces Shine é a despedida do passado sombrio onde eles eram manipulados o tempo inteiro. No início da carreira deles, com o primeiro álbum de estúdio Fallen já tiveram que lidar com o dilema de “A música de vocês é boa mas melhor com outra pessoa” logo no single mundialmente famoso, Bring Me To Life. A compositora Amy Lee teve que reescrever algumas partes da música para colocar um rap e assim, encaixar uma voz masculina para “melhorar”. Lee e seus companheiros ficaram a mercê da gravadora por 13 anos, onde já ocorreu negligência profissional, assédio sexual (por parte do empresário), além de descartarem um álbum completo e darem um prazo curtíssimo para produzir um novo. O álbum descartado se chama Broken Record e a música Feeding the dark pertencia a ele. 

O que dizer da minha nova música favorita? Feeding the Dark está no mesmo lugar no meu coração com a Sweet Sacrifice. Uma música que lembra muito bem a época Fallen, com suas letras sombrias e um instrumental bem rock alternativo. Novamente eu imagino em um show bem no refrão uma luz bem forte iluminando a Lee enquanto ela está com o braço levantado.

A primeira música deste álbum não é Wasted on You, o que muitos imaginam, e sim Take Cover, tocada pela primeira vez no show de 2016 em Dallas. Lee, antes de começar a música diz “Essa música é para todos aqueles que tentaram destruir a banda de dentro para fora” e recebemos um trabalho cheio de indiretas diretas. Com a nova integrante, desde o hiato, a Jen Majura, conseguimos ver claramente o que ela está agregando a banda com seu novo estilo e uma nova backing vocal. Desde do álbum auto intitulado a banda passou por bastante coisa. Além do hiato e cada um fazendo seus projetos solos, eles se tornaram bem mais experimental trazendo novos elementos, como por exemplo a nova versão do single Bring Me To Life com a primeira vez na história a Amy cantando o rap (e isso ocorreu aqui no Brasil!), participações como da Lindsey Stirling no Synthesis

Mas nem tudo foram flores. Amy Lee e Tim Mccord perderam parentes, Amy seu irmão e Tim sua enteada. A música Far from Heaven fala sobre a dor de perder alguém e a distância entre você e o céu. No dia 25 de março perdi meu avô e a música se enlaça perfeitamente comigo e o sentimento que carrego no peito. Não sabemos se a banda tocará esta música, algumas músicas com peso emocional muito forte como Like You e Hello nunca foram tocadas. 

E se eu não conseguir mais ver sua luz?

Porque eu passei muito tempo no escuro

E eu estou de joelhos

sem vergonha implorando para acreditar

Mas me sinto tão longe do céu

 

Part of me eu relaciono ela como a superação de uma depressão. Você sobreviveu e não quer mais voltar a tê-la, as cicatrizes mostram a vitória na luta e faz parte de você agora, elas te moldaram para o que você é agora. No caso de Evanescence, todos esses problemas que ocorreram amadureceram a banda e tornaram os membros mais unidos para qualquer coisa. Já Blind Belief, eu acredito que é sobre o auge do fundo do poço, quando você está na pior mas sabe que quem te empurrou para lá irá puxar para lhe tirar. Evanescence possivelmente pensava assim em relação com a gravadora/amigos, que todo mal causado era pro bem deles. O que fortalece mais a minha teoria é The Game is Over, quando você percebe quem é o culpado de toda a tragédia. “O jogo acabou para você”, para o vilão da história, tratavam Evanescence como se fosse um jogo, onde ele poderia manipular e moldar na forma que quisesse, tirando-lhes a liberdade de expressão fingindo ser uma banda que não é. 

Me transforme em algo em que eu acredito

Me transforme para eu não precisar fingir

Doces palavras, não significam nada, elas não são verdadeiras

Porque o jogo acabou

 

“Sim, claro” possivelmente quase todos nós recebemos esta resposta quando estamos discutindo com alguém. Na música Yeah Right, Lee reconhece que é uma estrela do rock ressuscitada (Sim, nós fãs que diga que ela estava morta) e que quer começar novamente a carreira, mesmo após vender suas almas, como na velha lenda o diabo da encruzilhada. O solo da guitarra me lembrou bastante a era Fallen, como se ela quisesse mostrar a história da música como no início da carreira. Aliás, o álbum faz uma passagem de sonoridade de todos os trabalhos da banda, desde o visual gótico de Fallen, do coral de The Open Door até a eletrônica de Evanescence/Synthesis. E em falar em coral, na música Use My Voice, canção um tanto quanto apelativa para votarem consciente nas eleições, temos a participação de Lzzy Hale (Halestorm), Lindsey Stirling, Taylor Momsen (The Pretty Reckless), Sharon den Adel (Within Temptation), Deena Jakoub (Veridia), além da esposa de Troy, Amy McLawhorn e as irmãs da Amy Lee, Lori e Carrie.

E por fim, temos Wasted On You, a música mais especial do álbum que teve até um texto exclusivo só pra ela, você pode ler aqui:

Eu simplesmente amei o álbum, estava com medo de criar expectativa e me decepcionar, mas se tratando de música e Evanescence não podemos ter medo. Na minha opinião, é o melhor álbum da banda, ultrapassando até mesmo o aclamado Fallen e o The Open Door. Como eu tinha dito anteriormente, a banda está mais madura que nunca, o desafio de gravarem no meio de uma pandemia foi superado. Minha professora de artes do colegial disse uma vez que o sentimento mais verdadeiro é a tristeza, porque nós conseguimos ver a dor e não há como fingir, Lee a transformou em letras poéticas para nós chorar olhando a janela do ônibus. 

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