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Expresso do Amanhã (Netflix) | Crítica sem spoilers

16 junho 2020 0 Comentários

Expresso do Amanhã Crítica

A Netflix nos deu um passe para embarcar em sua nova produção, a bordo de um trem que viaja ao redor do mundo. Apesar de parecer maravilhoso, a verdade é um pouco mais trágica já que este passeio só ocorreu devido ao congelamento da Terra, entrando o planeta em um inverno eterno e rigoroso, sendo impossível a sobrevivência fora dele. Tudo o que resta da humanidade está lá a bordo do Snowpiercer, onde uma guerra entre as classes sociais (separadas por vagões) está prestes a acontecer.

Expresso do Amanhã é baseada na HQ francesa de mesmo nome da Titan Comics e também teve uma versão cinematográfica em 2013 dirigida por Bong Joon Ho. Na série da Netflix, a história segue a mesma premissa – e como é muito obvio nas mudanças de formato (filme -> série), os acontecimentos acabam sendo mais lentos e com mais camadas para incrementar o enredo, e dessa vez, sem gastar muito tempo com cenas de lutas.

Com 1001 vagões, o Snowpiercer tem uma divisão de classes completamente estereotipada: nos vagões dianteiros temos a elite, que vive no luxo, com bastante espaço e refeições fartas. No meio temos a segunda classe, com alguns vagões para abrigar os trabalhadores. E por último, lá no fundo e com poucos vagões de espaço, temos os pobres (chamados de “fundistas”) aglomerados, na sujeira e comida limitada.

A série nos entrega um desenvolvimento interessante ao escolher Layton, um detetive de homicídios da última classe, interpretado por Daveed Diggs, para nos guiar através dos acontecimentos e nos apresentar essas divisões e seus passageiros, sendo a conexão de toda a história. Nesta narrativa ainda conhecemos, Melanie Cavill, interpretada por Jennifer Connelly, passageira da primeira classe que atua como a voz do trem – cuja função é realizar anúncios diários aos demais passageiros pelo sistema de som – e que teme uma revolução na locomotiva tanto pelos abastados, inebriados pelo poder, ou pelos fundistas, em busca de uma vida mais digna.

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A ideia de um trem sendo o único refúgio para os humanos em um fim do mundo congelado pode incomodar ou até ser ilógica para alguns, caso seja a primeira vez de estarem em contato com a história. Ainda que a locomotiva esteja sujeito a falhas por inúmeras outras causas ambientais. Sem mencionar os problemas com a manutenção da via, a mecânica etc. Só não se esqueçam que estamos diante de um cenário de ficção científica onde tudo é possível e vai acontecer. Sua ambientação é proposital e Snowpiercer acaba sendo uma bela metáfora de como nossa sociedade e as divisões de classe são um ciclo interminável que, dadas as circunstâncias, pode entrar em colapso a qualquer momento. E se engana quem pensar que só os “fundistas” serão o grande problema da história.

Com boas atuações e cenários de encher os olhos; para ter um maior proveito da série, a melhor coisa é assistir sem ficar pensando no filme, porque sim, surgirão N diferenças. Então acompanhe o desenrolar da história e esqueça por um momento a parte de todos estarem à bordo de um trem, porque como eu disse, isso vai incomodar em algum momento. Você precisa se desprender dessas comparações e deixar sua imaginação fluir através do que é apresentado. Aí sim terá uma visão menos crítica e mais proveitosa da obra.

Com 10 episódios, transmitidos às segunda-feiras, Expresso do Amanhã está longe de ser uma série que chegará ganhar alguma premiação, com uma segunda temporada já aprovada, a produção possui suas falhas mas ainda assim sua história consegue  prender sua atenção e te emocionar.

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