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Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars (Netflix) | Crítica

30 junho 2020 0 Comentários

Eurovision Netflix

O Festival Eurovision de Canção foi criado em 1956, com o intuito de gerar um sentimento de união numa Europa pós-guerra através da música. Tendo 64 anos de existência, e mesmo não sendo conhecido por muitos, o festival é uma verdadeira febre, sendo o evento não esportivo de maior audiência do mundo, com cerca de 180 milhões de espectadores. Por isso, quando descobri que Will Ferrell faria um filme baseado no evento, fiquei curiosa com o que poderia ser criado.

Veja bem, Eurovision realmente é um festival de união e comemoração entre mais de 40 países participantes, no entanto o que o caracteriza são todas suas apresentações grandiosas e até exageradas. Sabendo desse clima que permeia o Eurovision, e da comédia escrachada do comediante, algo divertido e brega sairia de sua mente e foi assim que me deparei com Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars, lançado recentemente pela Netflix.

Na trama, conhecemos Lars (Will Ferrell) e Sigrit (Rachel McAdams), amigos de infância, músicos aspirantes, cujo o sonho é serem campeões do Eurovision. Contudo, tal objetivo não é muito bem recebido pelo pai de Lars, Erick (Pierce Brosnan), que constante faz críticas ao sonho, sem sentido, segundo ele, do filho. Não sendo levado a sério pelas suas famílias, nem pelos residentes de Husavik (Islândia) — onde moram — a sorte dessa dupla muda quando uma chance surge para participarem do festival, levando o espectador em uma jornada um tanto quanto caótica.

Eurovision Netflix

Com duas horas de duração — um verdadeiro exagero — o filme dirigido por David Dobkin (Bater ou Correr em Londres, Penetras Bom de Bico), com roteiro de Will Ferrell e Andrew Steele (Saturday Night Live), possui aquele humor exagerado típico de comediantes como Adam Sandler, Robb Schneider e do próprio Ferrell (quem já viu O Âncora sabe do que estou falando) e apesar deste sofrer em certas cenas por possuir uma abordagem de esquete (talvez pelo próprio envolvimento de Steele no roteiro), ainda assim consegue divertir.

Na verdade, acho que esse é o verdadeiro espírito do filme. Além de não se levar a sério, é trazer um cenário over the top que é característico do próprio Eurovision. Sendo assim, todo esse clima, que para muitos se torna bizarro, para mim é algo que fica muito natural diante da realidade apresentada. Sim, estamos diante de um roteiro bem simples e personagens bem caricatos, mas ainda assim a produção possui pontos positivos. O fato do roteiro de trazer o costume e folclore islandeses para a narrativa é algo positivo — eu chorei de rir toda vez em que os elfos foram mencionados — ainda mais quando eles foram inseridos nas músicas do longa, como vemos Volcano Man e Husavik.

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Aliás a música é a liga que torna o filme tão simpático aos olhos do espectador. Sua trilha sonora é excelente e cai como uma luva nas cenas, por simplesmente serem um complemento da narrativa e seus personagens. Além disso, todas sem exceção trazem uma musicalidade bem característica do Eurovision e que poderiam ser possíveis vencedoras do festival caso fossem inseridas na competição, Double Trouble com toda certeza seria uma delas.

eurovision Netflix

Com uma trilha sonora tão boa, é obvio que as apresentações se tornam a melhor parte do longa. A química de Ferrell e McAdams convence, como também mostra como ambos estão se divertindo em cena. Outro que se tornou uma agradável surpresa é Dan Stevens (Bela e a Fera) que interpreta Alexander Lemtov, o representante da Rússia no longa, e que inicialmente pode ser visto como um vilão, mas na verdade traz uma lição bem legal para a trama.

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Apesar de McAdams não cantar, sendo as músicas gravadas pela cantora islandesa My Marianne, a atriz traz uma dublagem perfeita (ouviu essa RuPaul?) por ter cantado durante as gravações das cenas, possuindo assim uma sincronização perfeita. O mesmo ocorre com Dan Stevens que originalmente cantaria, mas por conta do COVID-19 não teve tempo para gravá-las, sendo sua música Lion of Love interpretada pel cantor Erick Mjones. A cantora Demi Lovato também faz uma pequena participação como a cantora Katiana. Ademais, o fato de estarmos diante dessa comédia musical é perceptível que a presença de Pierce Brosnan é mal aproveitada, tendo em vista que o cantor se sente confortável no gênero.

No final das contas, muitos podem ver Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars como uma paródia, mas eu vejo como uma verdadeira homenagem ao trazer esse espírito de solidariedade e união que o festival representa. Em tempos em que o mundo se encontra diante de cenários tão pesados, um filme como Eurovision — que realmente não é um grande filme — traz em seu positivismo a brecha que precisávamos para nos sentirmos mais leves e felizes.

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