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Host – A sensação do momento vai te assombrar | Crítica

18 agosto 2020 0 Comentários

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Como era esperado, a pandemia impactou nossas vidas de uma forma drástica, estamos diante de uma nova era, tudo está em uma constante mudança, inclusive no mundo do entretenimento, especificamente na forma de gravar um filme. O gênero “found footage” não é novidade e se popularizou muito rápido após o fenômeno “A Bruxa de Blair” sair nos cinemas e virar uma sensação no mundo entretenimento sendo referência de originalidade e impacto em grande escala, tudo isso tendo um orçamento baixíssimo.

Seguindo essa linha de filmes com gravações que parecem amadoras e aproveitando o contexto da pandemia, o cineasta Rob Savage dirigiu essa obra independente de terror denominada “Host”, produzida pelo serviço de vídeo sobre demanda de assinaturas “Shudder”, que foca no seguimento de suspense, terror e ficção sobrenatural, sendo um dos produtos da rede norte americana AMC. Um longa de cinquenta e sete minutos (acima de quarenta minutos nos EUA, consideram uma produção como longa) que conta a história de seis amigos que resolvem se reunir para fazer uma chamada no aplicativo Zoom com uma médium e assim entrar em contatos com espíritos. As coisas não saem como planejado e o grupo começa a ser assombrado por uma entidade maligna.

É uma história batida, eu sei, porém “Host” se torna interessante e diferente de outros exemplares do gênero não só por usar câmeras de celular para as gravações, mas por conseguir situar seus personagens em pouquíssimo tempo e ainda criar um clima macabro cercado por muito mistério, desespero e sustos. O roteiro assinado por Savage, Gemma Hurley e Jed Sheperd usa o contexto do isolamento social para fazer a história ganhar ainda mais autenticidade e sentido, mesmo com limitações, a narrativa consegue ser envolvente e empolga por conseguir estabelecer uma tensão quase constante.

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Sem revelar muito da história, ou dar spoilers, vou resumir dizendo que este longa é bom, intenso, estranho, sangrento e extremamente bem equilibrado. A narrativa não tem propriamente três atos distintos, aqui é possível perceber um começo que estabelece rápido o universo onde se passa a história, além de seus personagens. Quando a contagem da projeção se aproxima dos trinta minutos, é como se entrássemos num grande terceiro ato onde entra em cena o suspense e o terror permanecendo até a última cena.

Sobre o elenco, a maioria são desconhecidos do grande público, porém as atrizes Haley Bishop, Jemma Moore, Emma Louise Webb, Randina Dandrova e Caroline Ward conseguem ser bem convincentes e naturais em seus respectivos papéis, o que me faz questionar o quanto de suas cenas são parte do roteiro e quantas foram improvisos, afinal as personagens são cheias de personalidade e o público acaba se identificando e se apegando rápido a elas. A direção de Rob Savage é bastante consistente, principalmente nos cortes quando alguma personagem ganha destaque na tela de zoom ou está lidando com algo sobrenatural, a tela única muda para compartilhada sempre que há necessidade deixando filme bastante dinâmico.

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Aqui sentimos uma vibe que mistura o longa de terror “Amizade Desfeita” com ecos de “Atividade Paranormal”, a ameaça mostrada é implacável, assustadora e caótica, com isso a narrativa mais uma vez ressalta que não se deve brincar com forças que você não conhece. “Host” é um longa direto que não poupa o expectador dos constantes sustos, das imagens horrendas, os truques de câmera funcionam, o clima sobrenatural é crescente, o mistério e o desespero dos personagens ajuda a intensificar o clima de terror e o sistema “found footage” cai como uma luva.

De uma forma geral, “Host” é uma grata surpresa, pega um contexto atual e faz sua premissa girar em torno dela, em tempos de isolamento, uma história redondinha como esta faz a estadia em casa parecer algo aterrorizante. E mesmo que o longa se mostre limitados nos recursos, a direção, o roteiro e as atuações funcionam tão bem em harmonia, que a trama acaba por funcionar naturalmente, ainda que não chegue para mudar o gênero, gera uma enorme quantidade de sustos e cria um clima sufocante atiçando a geração internet e revivendo um gênero que a muito tempo não surpreendia.

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