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Itaewon Class | Uma reflexão sobre a vida

13 abril 2020 6 Comentários

Itaewon Class: Uma reflexão sobre nossas escolhas

O mundo dos doramas ou K-dramas – como você preferir chamar – não é novidade para mim, tendo consumido inúmeras produções ao longo dos anos, confesso que muitas foram decepcionantes devido as suas repetitivas narrativas. Contudo, em pleno 2020, a Netflix resolveu nos presentear com Itaewon Class, um dorama que evoca uma reflexão sobre nossa vida.

Produzido em parceria com o canal sul-coreano JTBC, a narrativa de Itaewon Class é centrada na jornada de Park Sae-royi (Park Seo Joon), um rapaz comum, que por seguir seus princípios entra em confronto com Jang Geun-won (Ahn Bo-hyun), herdeiro de uma das maiores empresas do ramo alimentício da Coreia do Sul, após impedir que este praticasse bullying com um colega de classe.

Não é preciso dizer que tal atitude faz com que o garoto seja expulso do colégio e que seu pai – que por coincidência trabalhava na mesma empresa – perca o emprego. Algo comum nas narrativas coreanas.

Com essa sinopse você pode achar que está diante de um dorama qualquer. Contudo, Itaewon Class, te surpreende, e toma um rumo completamente diferente, levando o espectador acompanhar uma jornada sobre vida, princípios e segundas chances. Ao longo de 16 episódios – cada um com uma hora de duração – o dorama vem a tratar de assuntos como racismo, disparidades de classes sociais, corrupção, ressocialização e transfobia. Temas necessários e que trazem um profundo peso na trama.

Itaewon Class

O roteiro de Itaewon Class é competente em discutir assuntos que exigem visibilidade e reflexão do espectador – um avanço para um país tão conservador como a Coréia do Sul – como também, envolvê-lo nessa jornada por justiça de Park Sae-royi. A todo momento, a história não põe Sae-royi no papel de vítima, pelo contrário, ele mostra as escolhas e consequências em razão deste defender os seus princípios. Independentemente de estas serem justas ou não – cabendo nesse caso de uma interpretação pessoal – o personagem vê sua vida mudar e mesmo diante de tantas quedas e vitórias, as aceita diante de suas escolhas.

Esse é o principal ponto deste texto. Não quero fazer uma crítica sobre o dorama, isso fica para o futuro. A questão que me fez me apaixonar completamente por esta produção, foi ela tratar sobre a vida. Colocando em focos pessoas comuns, com dúvidas e histórias correlacionáveis, Itaewon Class traz a reflexão de como estamos vivendo.

Itaewon Class, implica que existir não é viver, algo tão bem explanado na jornada de Sae-royi, mas que também serve como um momento de autorreflexão. Será que estamos vivendo ou apenas existindo?

Itaewon Class

Viver implica aprendizado, progresso, vulnerabilidade. Enquanto existir, implica algo passivo, e não necessariamente vivo. Trazendo uma analogia mais fácil, existir é como fossemos um motor no ponto morto. Cabendo a nós ligar ou não a ignição.

Confesso que a decisão entre existir e viver é difícil, pois implica exposição e nem sempre estamos prontos para isso. Como o próprio Glauter Jannuzzi, diz em seu texto “Viver ou existir”, viver implica em não nos sentirmos vítimas de nossas circunstâncias, nos tornarmos donos de nossos destinos e protagonistas de nossa existência.

Às vezes diante da realidade em que vivemos, existir é mais fácil que viver, funcionado como uma forma de autopreservação, para não nos machucarmos ao longo de nossa existência. Contudo, qual é o caminho correto?

Independente de sua resposta, o que eu queria trazer com esse texto, é a reflexão de como estamos vivemos. O próprio Park Sae-royi demorou a entender isso. Apesar de não se por como vítima, este até determinado momento nunca se tornou protagonista de sua vida, pelo contrário, sempre terceirizou a prioridade consigo mesmo. Só depois se dando conta o quão necessário era se deixar sentir.

Em tempos de pandemia e isolamento social devido ao COVID-19, temos a oportunidade de realizar essa análise pessoal. É importante ver em qual momento nos encontramos, para sabermos se estamos prontos ou não para viver. É hora de usar esse tempo que temos para investir em uma autoanálise para decidirmos se estamos prontos para sair do ponto morto e ligarmos a chave de ignição.

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