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Julie and The Phantoms – 1° Temporada | Crítica

21 setembro 2020 0 Comentários

Julie and The Phantoms - 1° Temporada | Crítica | Eu, Astronauta

Se você viveu os anos 2000, então você conhece séries como Hannah Montana, Os Feiticeiros de Waverley Place, As Visões de Raven, Drake & Josh, No Ritmo, iCarly, Brilhante Victoria, para citar os mais famosos da época, então talvez a nova série infanto-juvenil da Netflix seja perfeita para relembrar esses seriados bem humorados, com personagens carismáticos que nos faziam rir nos divertir durante anos e que são uma eterna lembrança de uma passado saudoso que marcou nossa memória afetiva.

Confesso que não sou muito de nostalgia, mas ainda assim ao assistir “Julie and The Phantoms”, eu senti um misto de alegria, saudosismo e uma vibe que lembra muito os seriados da Disney e da Nickelodeon citados anteriormente, e por isso chamou de imediato minha atenção. Este seriado que estreou no último dia 10 de setembro não teve uma grande divulgação, mas chamou atenção por dois motivos: o primeiro é relacionado a nós, o seriado norte americano é baseado numa versão brasileira chamada “Julie e os Fantasmas” criada pelo trio Paula Knudsen, Tiago Mello e Fabio Danesi, o seriado foi exibido entre os anos de 2011 e 2012, teve apenas uma temporada com 26 episódios de trinta minutos na Nickelodeon e posteriormente exibido na tv aberta na Band.

O segundo e importante motivo é Kenny Ortega, o criador da trilogia musical High School Musical e do conto de fadas Os Descendentes, tomaria conta da série e ainda estaria por trás das músicas originais e coreografias. Este último motivo inclusive foi o que me fez querer assistir a série, até porque não conhecia a versão brasileira, mas Ortega costuma entregar musicais bem feitos, bem humorados e com grandes números coreografados. Sendo assim devo dizer que “Julie and the Phantoms” entrega tudo que o Kenny Ortega tem de melhor, mas não espere uma história elaborada com grandes atuações calcadas no drama, aqui o sentimento é outro, então ir com a mente aberta é parte importante do processo.

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A premissa de “Julie and The Phantoms” continua semelhante a versão brasileira, mas com algumas pequenas mudanças pontuais. No piloto “Wake Up” (1×01) descobrimos que Julie (Madison Reyes) perdeu a vontade cantar e compor após a morte de sua mãe, vivendo com o pai e o irmão mais novo no subúrbio, ela descobre o cd de uma banda chamada “Sunset Curve” escondido na sua garagem e ao tentar ouvi-lo acaba libertando três fantasmas, Luke (Charlie Gillespie), Reggie (Jeremy Chada) e Alex (Owen Joyner) por acidente.

Julie and the Phantoms:

O primeiro episódio não traz grandes novidades e o humor não se encaixa muito bem, porém os efeitos visuais são decentes, o elenco se mostra promissor e a série mostra a que veio quando Julie solta a voz pela primeira vez na trama. Esta série tem uma cara bem familiar, parece uma série da Disney, fora da Disney, está tudo ali, roteiro previsível, humor non sense, performances musicais vibrantes, é muito difícil não se interessar pela série neste sentido.

O episódio seguinte, “Bright” (1×02), já mostra uma pequena evolução em termos narrativos direcionando para onde a trama irá se encaminhar, esta que inclusive se passa em dois locais, na escola que Julie frequenta e em sua casa como eu já havia mencionado. Na escola, temos ali a mesma trama típica dos adolescentes norte-americanos, a mocinha que tenta se reencontrar para voltar a cantar, a melhor amiga Flynn (Jadah Marie) que surge como fator motivador, a patricinha rival Carrie (Savannah Lee May) e o possível interesse amoroso, o certinho Nick (Sasha Carlson).

No segundo episódio, temos também uma vibrante performance musical de Julie e seus fantasmas, mostrando que este será o ponto forte da série. O mais interessante aqui é a energia que a história carrega, é claro que temos uma trama de mistério intrigante em relação a Luke, Reggie e Owen que tem seus momentos, mas eu falo em termos de sentimento, é uma série muito prá cima e motivadora, impossível não se sentir bem assistindo aos episódios.

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Em “Flying Solo” (1×03) e “I Got The Music” (1×04) a série já se mostra mais dinâmica explorando melhor seus personagens e se arriscando em números musicais maiores e mais redondinhos (inclusive no episódio 4 tem um número que lembra bastante High School Musical), ao mesmo tempo que coloca sua protagonista para brilhar. O segredo aqui é a feliz escolha do elenco, começando por Madison Reyes no papel de Julie, a menina tem carisma, uma voz encantadora e uma presença de palco bastante vibrante, ainda que se perceba que ela dubla as músicas, a voz de estúdio dela é impecável, sem falar que a garota parece estar vivendo o melhor momento da vida e isso fica muito claro na tela, sem falar que a química dela com resto dos outros atores torna a trama bastante fluída.

Julie e os Fantasmas"

O trio de fantasmas também manda bem, cada um com uma personalidade diferente, Charlie Gillespie consegue transformar o guitarrista Luke num mocinho carismático, charmoso e com um bom timbre musical, que fica ainda melhor dividindo os vocais com Reyes. Jeremy Shada no papel do baixista Reggie, é o famoso alívio cômico, o humor dele nem sempre funciona, mas no geral as melhores tiradas e maluquices são proporcionadas pelo mesmo. Owen Joyner no papel do baterista Alex é uma boa surpresa, cara sensível, confortável com a sua sexualidade e disposto a sempre ajudar e servir como mediador do grupo. O legal aqui é que os três tem muita química junto e conseguem passar a noção que são uma banda a bastante tempo e a química com a Madison no papel de Julie é ainda melhor e simplesmente magnética, a interação do quarteto é ótima de assistir também.

Outro ponto que vale destacar, é que “Julie and The Phantoms” é um seriado atualizado, ainda que tenha alguns estereótipos aqui e ali, a série se mostra diversificada não só por ter uma protagonista negra e latina, mas também por conseguir inserir mais inclusão na sua narrativa sem parecer piegas, acredito que o romance entre Owen e Willie (Booboo Stewart) é feito de uma forma natural e honesta, mostrando que tramas infanto-juvenis estão sim preparadas para se atualizar aos tempos modernos.

A segunda metade da trama, somos apresentados ao vilão da temporada Caleb (Cheyenne Jackson), mostrado no vibrante “The Other Side of Hollywood” (1×05). A mudança de foco nesta reta final de episódios, só faz a série ficar ainda melhor, ao invés de regredir, os episódios “Finally Free” (1×06) e no excelente “Edge of Great” (1×07) começam a explorar o triângulo amoroso entre Julie, Nick e Luke, dando espaço a ótimos números musicais, além de boas sequências de romances que vão fazer muita gente shippar forte um desses casais, é clichê, mas funciona.

Julie and the Phantoms

De uma forma geral, “Julie and The Phantoms” é uma grata surpresa, trazendo o melhor das séries produzidas de Kenny Ortega, o seriado é leve, mágico, bem executado e por mais que as vezes tenha um humor meio bobo, o que importa aqui é o quão em sintonia o elenco se encontra, , os figurinos exagerados, brilhantes e luxuosos, além das ótimas sequências musicais numa trama que é sim simples, mas em outros momentos consegue surpreender até mesmo na carga dramática, como fica evidente no episódio “Unsaid Emily” (1×08), ainda que não seja seu foco principal.

O season finale “Stand Tall” (1×09) é bastante previsível, mas também é a consolidação de uma fórmula que deu certo numa temporada bastante boa de assistir, com músicas viciantes, um clima divertido e capaz de contagiar até a pessoa mais séria. O seriado entrega tudo aquilo que promete e até um pouco mais, dentro de suas limitações e sem ser pretensioso, “Julie and The Phantoms” é a típica história adolescente com um toque sobrenatural que tem como objetivo falar de superação, amizade, romance e como a força da música pode trazer todas essas emoções e servir como catalisador de algo positivo para aqueles que passaram por um luto ou perda recente, pode ter certeza, a série é uma das boas surpresas do ano.

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