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Made In Brazil | Resenha

17 junho 2020 0 Comentários

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Cruel, avassalador e surreal. Eu definiria o livro nessas três palavras, Made In Brazil, escrito pela Ilana Casoy não é um livro para todos, é indicado para maiores de dezoito anos por seu conteúdo forte. O livro fala dos seriais killers ou assassinos em série, brasileiros, com muita riqueza em detalhes, nos deixando absorto com tanta informação.

O primeiro caso que nos é apresentado é o José Augusto do Amaral, o “Preto Amaral”, considerado o primeiro serial killer brasileiro. Sua primeira vítima foi em fevereiro de 1926, quando o José se aproximou de uma criança de 9 anos, lhe oferecendo muito dinheiro em troca de um serviço rápido. Por sorte, durante o ataque, um carro apareceu e afugentou o assassino. A primeira vítima de fato, foi um homem franzino e doente, que o Preto Amaral usou essas características a seu favor para se aproximar do sujeito. Com um pouco de conversa e comida, conseguiu facilmente a confiança dele, o levando para um local deserto e assim, o matando. Ele fez mais duas vítimas antes de ser preso, em 1927, graças ao reconhecimento de testemunhas. 

Quando a gente lê, ficamos tão envolvidos que nós facilmente nos imaginamos lá, assistindo a situação ocorrer. Era surreal a destreza que eu possuía para imaginar São Paulo em 1926 e até mesmo, compartilhar o mesmo sentimento que as vítimas: O desespero. 

Mas o caso que foi mais agonizante ler, com toda certeza, foi o Benedito Moreira de Carvalho, o “Monstro de Guaianazes”. Acredito que foi o serial killer mais perturbado do livro, por ele sentir desejos incontroláveis e a urgência o tornava extremamente agressivo e inconsequente. Ele violentou crianças e como uma forma ter uma recordação, ele sempre levava algo da vítima consigo. Ilana Casoy conseguiu transmitir o horror das vítimas, em poucas palavras, na passagem do livro, foi bem difícil ler e analisar o caso. 

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Um dos pontos que eu acho interessante ressaltar, era como os seriais killers conseguiam conquistam a vítima para leva-la para um lugar deserto, era atingir o seu ponto fraco. Eles geralmente escolhiam vítimas franzinas, doentes ou até mesmo crianças que são mais manipuláveis, os assassinos ofereciam dinheiro ou comida e conquistava rapidamente a confiança da pessoa, o que faz hoje em dia nós desconfiarmos de boa vontade espontânea, sempre ficamos com um pé para trás.

E outro ponto que creio eu que seja importantíssimo falar, é o preconceito que as autoridades brasileiras para considerar um assassino em série, em um serial killer (mesmo que eu tenha dito praticamente a mesma coisa). Como há esse certo preconceito, demora para investigar os casos de homicídio como um todo. Infelizmente, nossa realidade não é como as séries americanas.

O meu livro é a versão com “Limited Edition” da maravilhosa editora Darkside. Nessa versão, são dois livros em um da Casoy, o “Louco ou Cruel?” que conta os seriais killers de outros países e o Made In Brazil. É um livro que vale muito a pena ler, ela gastou cerca de 5 anos de pesquisa, idas a penitenciárias, manicômios, ficando cara a cara com os assassinos. É um dos meus livros mais queridos da minha estante, por conta do meu livro ser autografado pela própria autora.           

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