Últimos Posts
series-e-tv category image

Messiah | Você o seguiria também?

16 janeiro 2020 0 Comentários

messiah Netflix

Messiah, nova série da plataforma de streaming da Netflix, já nasce envolta de grandes polêmicas e revoltas de cunho religioso. Isso tudo é devido a temática da trama que trata da segunda vinda do Messias prevista nas religiões Cristãs e Muçulmana. Mesmo com uma estreia tímida e sem muitos holofotes, Messiah já conta com protestos nos Estados Unidos e Oriente Médio. Segundo o site da Folha, há uma campanha no site Change.org que pede o boicote da série descrito como “propaganda maligna e anti-islâmica”.

Polêmicas à parte, Messiah é uma série de ficção que cumpre o propósito a qual veio; provocar os telespectadores sobre como seria a segunda vinda do Messias em um mundo globalizado e completamente tecnológico, resultando em fanatismo, guerras civis, a tentativa de desacreditá-lo e a dúvida interna de se saber se ele é ou não o Messias tão aguardado.

Ter conhecimento dos textos do Novo Testamento e do Alcorão não é fundamental, mas fará um grande diferencial, pois a todo o momento há elementos figurativos que levará o telespectador se aprofundar na trama. Ainda mais quanto às questões religiosas do Oriente Médio que divide Israel e Palestina.

Se percebe que há falta de informações por grande parte de canais e veículos quando esses falam que a série se trata da “segunda vinda de Cristo/Jesus”. Essa afirmação, para a série, é completamente errônea, pois há diferenciações em cada uma das religiões. Os cristãos esperam pela segunda vinda do próprio Jesus, já os muçulmanos esperam pela vinda do Messias, tendo passado pelo mundo os messias Jesus e Maomé, fazendo com que o próximo seja o terceiro Messias a andar sobre a terra.

messias

                                                                                créditos: Netflix Brasil

Introdução feita, vamos falar da série em si. Messiah trata do surgimento de um líder religioso que é chamado por “Messias” ou “Al-Masih” (Mehdi Dehbi), que ao parar um ataque terrorista em Damasco mandando uma chuva de areia chama atenção da agente da Cia Eva Geller (Michelle Monaghan). Eva é responsável por identificar possíveis terroristas e vê em Al-Masih um potencial terrorista vindo à tona, ainda mais quando, após o episódio em Damasco, Al-Masih lidera os 2.000 refugiados palestinos até à fronteira de Israel em busca de abrigo e comida.

O time de elenco foi muito bem escalado e passam verdade em suas atuações o que deixa a série bem real, com destaque para o ator Tomer Sisley, que interpreta o agente israelense Avrim Dahan. A fotografia está ótima, principalmente nas cenas filmadas na Jordânia. E vai uma dica especial: podem assistir dublado sem medo. A dublagem está impecável, respeitando as falas em hebraico e árabe, que nesse caso estão legendadas.

O enredo se desenvolve de forma lenta e ao mesmo tempo empolgante, pois mostra as reações das pessoas após cada ato do suposto Messias, o que faz com que você as vezes passe a acreditar nele e em outras vezes te faz se sentir um idiota por crer em um charlatão e possível terrorista. Mas uma coisa é certa, você terminará de assistir a primeira temporada sem saber se o seguiria também ou não.

Destrinchando a segunda temporada de Titãs

Criador da série, Michael Petroni realmente consegue trazer várias indagações ao longo dos dez episódios. Além, é claro, de provocar cada indivíduo em si mesmo com uma temática tão misteriosa e controversa que é a vinda de um Messias prevista no livro mais lido do mundo; a Bíblia. Petroni foi muito cuidadoso na criação dessa série ao não vincular o Messias com nenhuma das religiões citadas acima e procurou a ajuda de vários especialistas nas línguas como hebraico e árabe para não cometer nenhum erro capaz de insultar a fé e as crenças das pessoas do Oriente Médio.

Mas uma coisa que é fato e que até chega a incomodar, é que mais uma vez americanos tentam trazer para suas produções questões e histórias pertencentes a povos longínquos sem que para isso tenham familiaridade com o tema. Ainda que se tenha o suporte de pessoas entendidas no assunto, o Oriente Médio, visto pelo ponto de vista dos americanos, sempre será retratado como um país que fabrica terrorismo e que eles, americanos, são os salvadores do mundo. A imaginação deles é tão insultante que em um determinado ponto da história eles incluem a Rússia como sendo o país onde um grande terrorista (que fará parte da trama) está, sendo que ele poderia ter se refugiado em qualquer outro país. Ainda que faça sentido tal insinuação (Rússia apoiando inimigos dos EUA), querer trazer para a história dois países que têm problemas com os Estados Unidos, só demonstra mais o complexo de superioridade dos americanos.

Ainda assim, vale a pena ver a série, que por enquanto não tem demais informações sobre uma segunda temporada, mesmo que necessária.

Leia esses posts também