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O Grito (2020) | Crítica

13 fevereiro 2020 0 Comentários

O Grito

Em 2003, Takashi Shimizu presentou o cinema e, principalmente, o gênero terror com o longa Ju-on. Ao contar a história da maldição da casa que foi palco de um terrível assassinato, cuja forcas malignas tomaram conta do local e se propuseram a destruir a vida daqueles que pisassem neste. Não demorou muito para que o longa ganhasse a atenção do público e principalmente de Hollywood. Pois bem, dois anos depois estreava a versão americana do longa protagonizada por Sarah Michelle Geller, que possui algumas continuações totalmente esquecíveis. Agora, 20 anos após o primeiro filme, um reboot de O Grito chega aos cinemas para unir toda a mitologia, mas será que vale a pena assistir? Ou melhor, será que este continua aterrorizante em pleno 2020?

A função do reboot essencialmente é designar uma nova versão de uma obra, sendo consistente com o cânone previamente estabelecido, e basicamente trazendo para a atualidade sua narrativa. Neste novo O Grito, consigo ver o esforço do diretor Michael Pesce em querer trazer uma narrativa mais dramática e humana, que consiga conversar com os fatos dos filmes anteriores. Mas talvez seja no fato de querer alinhar toda a mitologia, que se encontra o maior erro do longa.

No filme, temos o primeiro contato com a maldição através de Fiona Landres (Tara Westwood), que trabalhou na casa onde o espírito de Kayako provocou mortes horrendas, levando consigo essa corrente de ódio para uma cidadezinha na Pensilvânia onde reside com sua família. Não demora muito para que a tragédia ocorra e que o caso seja arquivado sem nenhuma conclusão. Passados dois anos, finalmente nos deparamos com a nossa protagonista,  Muldoon (Andrea Riseborough), uma policial que procura um novo começo junto ao seu filho, após perder o marido para o câncer. Contudo, esse recomeço de uma vida pacata é posto de lado ao se ver envolvida neste inexplicável caso e mesmo sob as advertências do detetive e amigo Goodman (Démian Bichir), a personagem mergulha de vez nos acontecimentos, até se tornar vítima da própria maldição.

O Grito

                                                                     créditos: Sony Pictures Entertainment

Utilizando-se de uma narrativa não-linear, Michael Pesce conta os horrendos crimes que ocorreram na casa 44 da rua Reyburn Drive, desde a volta de Fiona à sua casa, até a chegada de novos inquilinos e dos dos agentes imobiliários responsáveis pela venda do imóvel. Juntamente com Muldoon, vamos ligando cada fato até chegar à causa principal. Algo que entretém e realmente provoca interesse ao trazer três arcos completamente diferentes para a narrativa, e que ainda assim conversam com sua protagonista. No entanto, tal complexidade some ao longo da exibição, ao vermos  o roteiro se perder diante das inúmeras ramificações de sua história, nos deparando com atitudes ou decisões sem nexo ou completamente tolas dos personagens.

A introdução de John Cho e Betty Gilpin, que interpretam, respectivamente, o casal de agente imobiliários, é de longe o arco mais interessante da trama fazendo com que você se preocupe mais com eles do que de fato com a protagonista do longa. E não querendo desmerecer Andrea Riseborough, que por sinal está ótima no papel e realmente tenta extrair o melhor que pode de sua narrativa, mesmo diante de um roteiro que não ajuda em nada a jornada de sua personagem. A presença de Lin Shaye, também é uma agradável surpresa, mas muito mais pela história que a atriz possui com o gênero terror, do que pela personagem.

Mesmo diante de tantas falhas, O Grito consegue provocar alguns sustos. A produção é violenta e possui o gore que os fãs da franquia tanto esperam, e apesar de se utilizar de forma exarcebada dos jump scares, o que torna-se um pouco cansativo diante da falta de criatividade de Michael Pesce em utilizar o recurso, é fato que a sensação de tensão perdura ao longo do filme por conta do elenco que se entrega em cena.

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Um senso de pressa também toma conta da produção em seu terceiro ato, o que acaba afetando o embate final. O momento, em tese, ápice da produção, se torna algo muito abaixo da expectativa fazendo com que questionemos se valeu a pena assistir essa história durante os 94 minutos de projeção, diante de uma conclusão tão irrelevante. Sendo assim, nos deparamos com uma versão rasa e provavelmente com um reboot que não deveria existir.

O Grito estreia hoje, dia 13 de fevereiro, nos cinema.

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