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O Preço da Verdade – Dark Waters | Crítica

19 fevereiro 2020 0 Comentários

o preço da verdade

Baseado no artigo do The New York Times, “The Lawyer Who Became DuPont’s Worst Nightmare“, escrito por Nathaniel Rich, o longa O Preço da Verdade – Dark Waters traz a batalha  judicial encabeçada por Robert Bilott (Mark Rufallo) contra um dos maiores conglomerados dos EUA, após evidências de crimes ambientais e direitos humanos cometidos por este. Ao longo da história vemos a jornada do advogado ao longo de quase 15 anos, sendo detalhada cada perda, vitória e desgaste emocional vivido pelos envolvidos. Expondo a história real, sem romancear sua narrativa, a produção consegue trazer o alerta necessário sem se tornar maçante.

Dirigido por Todd Haynes (Carol), o filme inicia sua narrativa com Robert se tornando sócio de um grande escritório de advocacia, que por obra do destino defende grandes empresas do ramo químico. Feliz com a promoção, como também, em sua vida pessoal, não demora para que está mude drasticamente. É em uma das reuniões de seu escritório que o protagonista entra em contato com Wilbur Tennant – interpretado pelo brilhante Bill Camp -, um agricultor da região onde viveu na infância, que vem até Cincinatti pedir auxílio ao advogado após coletar evidências de que a fábrica da DuPont vem despejando lixo tóxico no rio da cidade, contaminando não somente os animais de sua fazenda, como toda a população da região.

Neste momento, inicia-se uma jornada cheia de reviravoltas, ao expor todos os fatos desta extensa saga judicial. O roteiro feito a quatro mãos por Mathew Michael Carnahan e Maria Correa é eficiente em detalhar todas as informações do caso, sem que  se torne cansativa ou complexa – abordagem está parecida com a que vemos no filme O Relatório (2019) – devido a sua narrativa objetiva e envolvente. A direção de Haynes também ajuda encontrar esse tom ao trazer para para a tela uma visão bem crua dos fatos, abusando a fotografia de tons terrosos, esverdeados e amarelados que trazem um ar depressivo quanto tenebroso para a trama. Escolha está que lembra muito a cinematografia de Ridley Scott.

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                                                                                   créditos: Paris Filmes

E no meio deste redemoinho, encontra-se Mark Ruffalo, o condutor desta história. Não é surpresa do envolvimento do ator na produção, já que este é figura referência em causas ambientais. Contudo a maestria do ator ao dar vida a batalha interna quanto externa de Robert é realmente algo incrível. O desgaste emocional e físico transmitido em tela realmente é algo tão bonito quanto real. Anne Hathaway que no filme interpreta sua esposa, Sarah Billot, também merece destaque. A sinergia entre os dois atores é convincente, ao mostrar as consequências do caso em sua vida pessoal, uma vez que, toda a sua família passa a vivenciar esse turbilhão.

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O longa conta ainda com a participação de um grande elenco como Tim Robbins, Bill Pullman e Victor Garber, peças fundamentais desta história, que ao longo da jornada atraem cada vez mais a curiosidade do espectador. O Preço da Verdade – Dark Waters, não traz um final conclusivo, mas mostra como nós somos reféns de um maquinário. Seja por corrupção, trâmites contratuais, hábitos de consumo, opressão ou até mesmo do próprio poder judiciário, o filme faz um alerta diante de uma abordagem  impactante.

O Preço da Verdade – Dark Waters durante quase duas horas de projeção propõe uma reflexão ao mostrar como ser humano possui o poder de mudança. Se desprendendo do sistema e decidindo combater esse maquinário invisível mas altamente destrutivo, vemos que somos um grande oponente na luta contra toda essa poluição existente dentro dele. Um mal silencioso mas que pode ser enfrentado.

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