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Pequenos Incêndios por Toda Parte | Crítica

27 maio 2020 0 Comentários

pequenos incêndios

Estreia recente da Hulu na Amazon Prime do Brasil, Little Fires Everywhere (Pequenos Incêndios por Toda Parte) é uma minissérie baseada no livro homônimo escrito por Celeste Ng (Tudo o que Nunca Contei) e estrelado por Reese Witherspoon (Pequenas Grandes Mentiras) e Kerry Washington (Scandal).

Situada no final dos anos 1990 numa cidade de classe alta chamado Shaker Heights, Pequenos Incêndios por Toda Parte conta a história das famílias de Mia Warren (Washington), mãe solteira recém-chegada, e Elena Richardson (Witherspoon), moradora proeminente da cidade que resolve ajudá-la a se situar, alugando moradia e oferecendo emprego.

Dessa relação, aos poucos surge uma animosidade que embarca questões envolvendo classe social, raça e maternidade num entrelaçado complexo de relacionamentos culminando no incêndio que é mostrado ao espectador na primeira cena da série.

Pequenos Incêndios por Toda Parte é uma série de narrativa rica em drama familiar de todos os tipos, e o tempo todo impele o espectador a tomar partido. Tanto no relacionamento de Mia com sua filha, Pearl (Lexi Underwood) quando na dinâmica familiar de Elena com seu marido Bill (Joshua Jackson) e filhos, principalmente Izzy (Megan Scott), a mais nova, a série monta um enorme quebra-cabeças de amor e ressentimento que é retratado com uma minuciosidade impressionante.

Quando falo em impelir o espectador a tomar partido, não falo apenas dos relacionamentos intrafamiliares retratados. O maior ponto de discórdia entre Mia e Elena surge na divergência de opiniões sobre maternidade – num caso específico que é retratado e discutido dentro da série -, mas Pequenos Incêndios também fala articuladamente sobre sexualidade, raça, direitos reprodutivos e classe social. Um dos maiores representantes desses momentos são os questionamentos e discursos de Mia, talvez a figura mais complexa da narrativa, não apenas por sua história pessoal, mas também pelo papel que ela desempenha no desenrolar das histórias dos demais personagens.

“Você não fez boas escolhas, você teve boas escolhas! Opções que ser rica, branca e privilegiada te deram”

Outro ponto forte da série são as atuações, em especial a de Reese Witherspoon. Manter o equilíbrio perfeito entre uma mãe dedicada e uma mulher invasiva e fora de controle – e eventualmente perder esse controle e criar antipatia num ponto que ao mesmo tempo inflama o espectador e leva a narrativa para frente – não é tarefa fácil, mas ela a cumpre com muita eficiência. Elena Richardson consegue ser uma locomotiva de determinação que é essencial para o andamento e desenrolar da trama, e ao mesmo tempo uma figura quase antagônica na maneira como apresenta seus achados e interfere na vida das pessoas ao seu redor. A ilustração perfeita da dona de casa suburbana, mas com uma profundidade que permite a quem assiste a série entender de onde ela vem e os motivos que a levam a agir da maneira como age – o que não significa empatizar ou concordar.

Ao fim dos oito episódios, ainda que restem muitos questionamentos quanto ao destino dos personagens, foi impossível não apreciar a viagem. Pequenos Incêndios por Toda Parte tem enredos complexos, protagonistas multidimensionais, questionamentos provocativos e narrativa estimulante que certamente renderá ótimas discussões entre aqueles que escolherem assistir.

Quer outras ideias do que assistir/ler? A tripulação ajuda!

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