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Power: Grandes poderes e nem tantas responsabilidades | Crítica

14 agosto 2020 0 Comentários

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Power, novo filme da Netflix, chega hoje na plataforma de streaming e possui um interessante questionamento: o que você faria se tivesse por cinco minutos um superpoder? Tal pergunta faz com o destino de um ex-militar, uma adolescente e um policial acabem se entrelaçando, resultando em um  filme que conta com um trio carismático, boas sequências de ação e uma história que entretem.

Por mais que pareça uma adaptação de uma história em quadrinhos, Power surgiu da mente criativa de Matton Tomlin e é sua interessante premissa que chama atenção. Por muitas vezes me lembrou um mashup entre os filmes Sem Limite/Heróis e digo isso na melhor das intenções porque o roteiro de Tomlin realmente traz uma ideia muito bem construída sobre o uso dessa pílula que ao ser tomada dá ao seu usuário a possibilidade de adquirir superpoderes de forma temporária.  Contudo seu uso não desabilita o consumidor de consequências. Vejam bem, a droga insere no corpo o DNA de diversos animais fazendo com que ele adquira um mutação (te lembrou algo?) temporária ocasionando a manifestação – pelo prazo de cinco minutos – de um poder em seu usuário, porém há aqueles que não conseguem contê-lo levando o corpo a combustão. Praticamente uma roleta russa, onde você pode morrer ou adquirir um poder que nunca imaginou.

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Agora você deve estar pensando: será que vale o risco? Bem, Power te responde essa pergunta logo nos primeiros minutos ao construir essa narrativa em nossa realidade, rodeada de dificuldades que vivenciamos em nosso cotidiano, sendo a droga um fácil acesso para aqueles que cobiçam o poder. Se tornando a porta de entrada para o caos, devido as tendências egoístas do ser humano. “No one man should have all that power“, é a frase que ecoa durante todo o filme. A afirmação retirada da música POWER, de Kanye West, cai como uma luva na narrativa principalmente quando colocado em evidência o falso senso de comunidade existente no homem, a esmagadora opressão do sistema e a falta de empatia perante tanto poder.

A produção possui um cunho social mesmo que não muito desenvolvido, contudo suas nuances são notáveis. Aliás, tais nuances feitas pelo roteiro é que fazem nosso trio de protagonistas entrelaçarem seus caminhos. De um lado temos Robin (Dominique Fishback) um estudante que trafica a droga para sustentar o tratamento de sua mãe que tem diabetes. Do outro, Frank (Joseph Gordon -Levitt) um policial que combate exaustivamente o aumento da criminalidade devido a existência dos “super-heróis temporários”, mas que ao mesmo tempo consome a droga para poder detê-los, usufruindo-se do seu próprio código de conduta. E, por último, mas não menos importante, há Art (Jamie Foxx), um ex-militar com um passado misterioso que quer desmantelar o sistema e achar o responsável pela criação da pílula. Pessoas com realidades completamente diferentes que se unem diante de um propósito comum. E, caramba, que time!

A química entre eles é inegável. Jamie Foxx como sempre carismático, consegue criar um Art – mesmo dentro das limitações narrativas – que se correlaciona com o público, fazendo você se importar com ele e seu objetivo. Por outro lado, Joseph Gordon-Levitt é competente em fazer um policial que vive no meio termo da lei e com boas tiradas trazendo um tom cômico em ótimos momentos para aliviar a tensão. E a verdadeira joia dessa filme, Dominique Fishback, que além de ser o elo que une os dois personagens, simplesmente encanta com sua atuação – mesmo diante de dois grandes astros sua presença é marcante -, principalmente através de suas rimas que formam discursos poderosos, fazendo com que o rap não seja apenas a trilha sonora do filme, como também, o transmissor das mensagens ditas pela sua protagonista.

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Focados, o trio parte em direção ao seu objetivo, mostrando uma narrativa frenética que começa a fazer escolhas bem clichês. Não me entendam mal, o filme possui uma boa premissa, mas o roteiro da metade do segundo ato para o terceiro começa a se utilizar de recursos bem estereotipados do gênero, o que tira o fator supresa e fazendo com que você descubra as reviravoltas. Como disse, o filme não é ruim, pelo contrário extremamente divertido, porém analisando por esse ponto de vista é notável que narrativa seguiu para um caminho mais conveniente principalmente ao envolver a filha de um dos protagonistas na trama central. Outro fator, são os antagonista extremamente caricatos. Rodrigo Santoro, interpreta um vilão megalomaníaco que sinceramente não me passou temor, mas sim uma certa simpatia por suas expressões exageradas. Adoro ver atores brasileiros em produção internacionais, e o personagem de Rodrigo infelizmente sofre com a falta de desenvolvimento, porém o ator consegue não torná-lo completamente esquecível.

Henry Frost e Ariel Schulman, dupla responsável pela direção, mostram que sabe conduzir sequências de ação. Fazendo uso dessa visão em terceira pessoa, os diretores evocando a urgência necessária, como também, fazem uso de ângulos interessantes. A Nova Orleans criada por eles é escura, misteriosas e dura, confesso que foi difícil em momentos não lembras de Gotham City, ainda mais quando você tem Joseph Gordon-Levitt interpretando um policial (não Fernanda esse não é o John Blake em uma realidade alternativa, para com isso). A fotografia também ajuda nesse sentido usando cores ambientações escuras mas com toques de cores bem marcantes dando até um ar de cyberpunkDevido aos seus limites orçamentários, Power sabe utilizar essa escuridão em suas cenas de ação, uma vez que essas sim causam impacto, principalmente com o uso de um bom CGI (finalmente Netflix) dando um visual bem estiloso a produção.

No fim, Power é um filme que vem explorar uma nova vertente dentre esse imenso mundo dos super-heróis ao entregar uma ideia intrigante que faz questionar a estrutura social na qual vivemos, e apesar de alguns tropeços em seu roteiro ao seguir por um caminho mais cômodo, o filme cumpre o que o seu objetivo: entretenimento do começo ao fim.

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