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Reality Z (Netflix) | Crítica

18 junho 2020 0 Comentários

reality z (netflix) crítica

Você já assistiu Reality Z? A nova produção brasileira que relata um apocalipse zumbi nas terras tupiniquins chegou recentemente a plataforma e têm sido alvo de muitas críticas em razão de sua qualidade. No entanto, a verdade é que a série possui sim muitos erros, mas também acerta em alguns pontos.

Caso você não conheça a premissa da série, Reality Z é uma adaptação da minissérie britânica “Dead Set“, de Charlie Brooker (sim, o criador de “Black Mirror“), onde um apocalipse zumbi ocorre em meio a transmissão de um reality show. Sim, enquanto os participantes esperam a eliminação de algum de seus concorrentes, o caos e o pânico tomam conta das ruas do Rio de Janeiro, sendo a emissora o único local seguro da cidade. Diante disso, o grupo de confinados se vê envolto a um teste de sobrevivência onde o grande prêmio é não serem devorados pelos zumbis ou até mortos pelos próprios vivos.

O pandemônio apocalíptico comando por Claudio Torres possui seus acertos. Introduzindo a narrativa com uma  sátira a alienação, que me lembrou muito a feita em “Todo Mundo Quase Morto”(primeiro filme da trilogia Cornetto, estrelada por Simon Pegg e Nick Frost), já é possível entender o tom que a série tende a tomar. Sim, estamos diante de uma produção trash, o que particularmente adoro, porém o gênero trash não é sinônimo de indecisão e a falta de foco, sendo esses os maiores erros de Reality Z.

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Ao abraçar o exagero e o lado cômico,  a série recheada de sangue e zumbis famintos (que aqui já se torna um aviso caso você não curta produções gore) consegue entreter e justificar a existência de seus personagens unidimensionais, diálogos abrasileirados (já que a influência estrangeira nos diálogos é notável) e um overreaction que reina ao longo dos cinco primeiros episódios. A própria presença de Sabrina Sato no elenco, interpretando a apresentadora Divina, é um easter egg de como a produção irá tirar sarro dessa vertente de reality shows e abraçará a galhofa. Dessa forma, não me senti tão incomodada, pois em nenhum momento a levei a sério. Aliais, um dos pontos positivos de Reality Z, apesar de toda a sua loucura, é que por possuir esse conceito de reality show não existe um protagonista central, como também, passa a ideia de que todos os personagens são dispensáveis, dando a sensação de que qualquer um pode a morrer a qualquer momento.

Contudo, para mim Reality Z  peca quando demonstra dúvida com toda essa galhofa e de repente muda o tom de sua narrativa para algo completamente sério. Caso você não esteja entendendo, a produção ela é dividida em dois núcleos, sendo os cinco primeiros episódio focados nos participantes do reality, e os cinco finais voltados a personagens que se encontravam fora da emissora. Essa quebra de expectativa tira completamente qualquer tipo de emersão que eu tenha tido com a série, pois demonstra a indecisão da produção no rumo em que a história quer tomar.

É como se a série tivesse ficado com vergonha alheia de sua galhofa – que divertia – para se transformar em uma trama pesada recheada de críticas sociais que não são bem desenvolvidas dentro do novo cenário proposto. Se a produção abordasse tais questões na forma satírica que possui em seus cinco primeiros episódios, talvez tais críticas ganhassem mais força na narrativa. Porém ao adotar uma postura com um tom muito mais sério, os questionamentos passam a não ter o peso necessário já que o tom não condiz com aquele mundo inicialmente construído, pois agora devemos nos desvencilhar da galhofa para dar espaço a uma série dramática.  Mudança tão brusca que quebra a expectativa e tira o foco de qualquer um.

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Tal decisão me entristece, pois o mundo criado em Reality Z possui uma pós-produção boa. É perceptível o cuidado em criar um ambiente que seja agradável aos olhos do espectador, como também, crível de um apocalipse zumbi, principalmente quando estamos falando em fotografia (que assume um tom assepsia que particularmente gosto muito) e efeitos visuais. E mesmo que está não possua a melhor direção e  utilize de forma excessiva o recurso de câmera lenta, a série consegue estabelecer um ritmo rápido e de urgência.

Sendo assim, eu consigo entender a desmotivação das pessoas em relação a série. Apesar de achar que produções brasileiras geralmente ganham um julgamento muito mais pesado do público do que em relação a produções internacionais, o descontentamento e as críticas são muito válidas, pois a falta de foco da produção acaba atingindo seu roteiro, que incialmente já não era grande coisa, mas que ao assumir essa postura mais séria coloca em evidência suas diversas falhas.

Sinceramente, gostaria que fosse dada uma segunda chance a série, para que assim seus erros fossem estudados e a produção voltasse mais confiante em sua proposta, porém sabemos que não é assim que funciona. Com isso, nessa primeira temporada, Reality Z perde a batalha contra os mortos-vivos, resta agora saber se haverá chance de um aftermath.

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