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Resenha | Metrópolis

13 dezembro 2019 0 Comentários

Ah, os clássicos da ficção científica, como não amá-los de todo o coração?! Pegue uma caneca de café, ou de sua bebida preferida, e me acompanhe nessa viagem de volta no tempo, ressuscitando uma das cidades futurísticas mais antigas, inspiradoras e primordiais que conhecemos: Metrópolis!

Sim, se você também é fã de sci-fi, você provavelmente conhece o filme de Fritz Lang, lançado em 1927. Acontece que poucos sabem que o roteiro dele é baseado no livro de sua esposa, Thea Von Harbou, que o escreveu em 1925 e que a editora Aleph homenageia com um lançamento inédito aqui no Brasil, em uma edição espetacular.

Para quem não conhece o contexto, Metrópolis possui uma divisão da população, entre os nobres que vivem no andar de cima, desfrutando de todo o bom da vida, enquanto os demais trabalham de maneira escrava no subterrâneo, alimentando as máquinas que sustentam a cidade avançada. Como sempre, a crítica da ficção científica gritando as falhas de nossa sociedade — independente do tempo.
Até que Freder, filho do Senhor de Metrópolis, se apaixona por Maria (que é a inspiração para o famoso robô da obra) e passa a conhecer as condições enfrentadas pelos trabalhadores e fazendo-o entrar em conflito com seu pai e então dar seguimento na mudança da história da cidade, sempre criticando que tudo o que a cidade é depende do significado que a vida humana lhe dá.

Se refletirmos um pouco, perceberemos o medo das pessoas do passado, em que as máquinas substituiriam as pessoas, tanto em importância, quanto em valor e até mesmo em utilidade. Bom, claramente também já percebemos que eles estavam certos em temer, afinal, já vivemos neste cenário.

A história escrita segue por uma linha poética, filosófica e com uma simbologia que muitas vezes pode parecer estar bem próxima da alienação e do misticismo, que às vezes faz com que o leitor se perca nos devaneios de alguns personagens e nas intenções de determinados diálogos — principalmente quem ainda não assistiu ao filme —, mas acredito que seja muito mais fácil compreender a ideia e as referências de Thea, hoje, do que na época em que o livro foi escrito.

E falando no filme, ele se torna muito mais compreensível “a todo mundo” do que o livro, mantendo-se fiel à toda ideologia da autora. De fato a obra é um presente da editora Aleph, para os amantes de sci-fi e para a perduração de algo tão importante para a história do mundo. Quem não é fã do gênero provavelmente não vai gostar do livro, então não comece a ler ficção científica por Metrópolis.

A arte da capa consegue resgatar todo o núcleo de 1925, com um traço bem atualizado pelas mãos de Pedro Inoue. Além disso, várias artes de Mateus Acioli recheiam o livro, exaltando ainda mais a edição que foi traduzida por Petê Rissatti e que realmente foi desenvolvida com muito carinho pela editora Aleph.

Eu trouxe aqui um pouquinho da importância que a obra teve em influenciar outras coisas que tanto amamos e mais algumas referências que talvez você não conheça…

STAR WARS

Mesmo se você não assistiu ao filme, olhe para a arte da capa do livro… Agora veja o C-3PO, que chegou 50 anos depois.

DE VOLTA PARA O FUTURO

Os Dr. Emmet e Rotwang têm a mesma caracterização de “cientista maluco”.

BATMAN

Misteriosa, opressora e imponente, não podemos comparar Metrópolis com um ambiente muito parecido com que encontramos em Gotham?

NA MÚSICA

Metrópolis está presente em “Radio Ga Ga”, da banda Queen.

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