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The Old Guard | Crítica

14 julho 2020 0 Comentários

The Old Guard movie review – a promising start | Lyles Movie Files

Não é de hoje que histórias em quadrinhos tem dominado o universo do cinema com infinitas adaptações sendo responsáveis pelas maiores bilheterias da era moderna. Em 2020, isto não seria diferente, se a pandemia não tivesse mudado nossos hábitos drasticamente e os cinemas não tivessem fechado em consequência disto. Os hábitos mudaram, assim como a forma de assistir filmes, pelo menos por enquanto, e o streaming se tornou nossa fonte de entretenimento infinita. Com The Old Guard, estamos vivendo exatamente a consolidação do streaming como fonte de entretenimento e a continuação das adaptações de quadrinhos para filmes, e nesse ponto, estamos seguindo no caminho certo.

As HQs de “The Old Guard” foram criadas por Greg Rucka e Leandro Fernandez em 2017 e conta a história desse grupo de mercenários imortais que fazem missões ao redor do mundo durante décadas, lutando, vivendo e tentando fazer o que é certo segundo seus valores. Os quadrinhos se dividem em cinco partes e ainda continuam sendo publicados atualmente. O longa da Netflix segue a mesma premissa dos quadrinhos sendo dirigido pela novata Gina Prince-Bythewood (A Vida Secreta das Abelhas) e protagonizado por Charlize Theron (Mad Max: Estrada da Fúria).

Esta nova produção da Netflix segue a linha dos bons filmes de ação, tem uma premissa familiar, uma protagonista vibrante e uma construção de universo bastante competente. The Old Guard é escrito pelo próprio Greg Rucka, então bebe muito da sua contraparte dos quadrinhos, desta forma conhecemos o grupo de Andy em uma de suas missões apresentando seus poderes para entendermos como esses personagens resistiram por tanto tempo. Ao mesmo tempo somos apresentados a novata Nile (Kiki Layne), que descobre que é uma imortal do pior jeito possível.

O longa não traz grandes novidades em termos de história, às vezes é até bastante previsível, porém a capacidade da narrativa de envolver o espectador é muito eficiente e isso se deve muito à direção. Gina Prince consegue trazer elementos de ação bastante bem dirigido e coreografados, a violência gráfica não é poupada em nenhum momento e os personagens parecem evoluir a cada nova cena de ação que se tornam mais brutais e perigosas.

O roteiro traz flashbacks de forma a explorar e mostrar que esse universo é maior do que possamos imaginar. A personagem Nile serve como os olhos do expectador, como tudo é novidade, seguimos o ponto de vista da personagem, enquanto descobrimos mais sobre a história de Andy, Booker (Matthias Schoenaerts), Joe (Marwan Kenzari) e Nicky (Luca Marinelli) que atravessam décadas, séculos e até mesmo milênios.

Charlize Theron's 'The Old Guard,' Netflix's Most-Watched Movie ...

Mais um dos pontos positivos de The Old Guard é a riqueza na construção de universo, você fica querendo saber mais sobre esses seres imortais, como surgiram, como vivem e como morrem. O roteiro abre várias lacunas e perguntas, mas traz poucas respostas, como é um primeiro filme, tudo se mantém um mistério, típico de um começo de franquia. Porém aqui o longa tem uma história mais fechadinha, apesar dessas lacunas de expansão, ao mesmo tempo que esses imortais tentam viver suas vidas sem chamar atenção, pessoas ambiciosas descobrem a existência desses seres extraordinários e tentam captura-los para replicar esse dom, esses são representados pelo misterioso contratante Copley (Chiwetel Ejiofor) e o inescrupuloso empresário Merrick (Harry Melling).

A primeira metade do filme estabelece a dinâmica dos imortais, a segunda metade entra num território mais genérico dos vilões tentando capturar os mocinhos. Uma das vantagens de The Old Guard é justificar toda a previsibilidade que possa ter na sua trama em sequências de ação bacanas que mantém o público interessado, isso não daria certo se o elenco não convencesse. Charlize Theron no papel da líder Andy é um poço de carisma, a atriz esta super a vontade no papel da imortal e consegue passar tudo aquilo que se espera de uma protagonista, convence nas cenas de ação e nas partes dramáticas, não foi a toa que a escolheram para este papel de protagonista. Kiki Layne no papel da novata Nile também é um bom destaque, ainda que falte mais desenvolvimento na sua personagem, a atriz consegue ter boa química com Charlize e sua trajetória fica ainda melhor no terceiro ato.

Outros atores de destaque no elenco são os atores Marwan Kenzari e Luca Marinelli no papel do casal Joe e Nicky, dois personagens que mostram que o amor pode atravessar gerações e ainda continuar forte quando se é um imortal. O casal traz uma representatividade bem vinda para um filme que respira representação de bandeiras, sem forçá-las de forma gratuita, tudo é colocado de uma forma bastante orgânica na trama que se mostra bastante acessível e atualizada.

Diretora de The Old Guard explica final confuso do filme da Netflix

É importante entender que The Old Guard não vem para mudar o gênero, mas definitivamente é uma boa adição ao gênero de ação. Para um filme que serve de porta de entrada para um universo, o longa cumpre seu papel de uma forma bastante competente e como entretenimento funciona melhor ainda para quem está à procura de um filme de pura ação que tem pouco mais de duas horas de duração.

O longa é um bom acerto da Netflix e cumpre seu papel de entreter quem assiste (não se apresse em adiantar os créditos porque tem cena extra para uma possível sequência). O elenco liderado por Charlize Theron é bastante competente e as cenas de ação e porradaria dão um tom bastante urgente a trama que tem muito para render em futuras continuações. The Old Guard é um filme ideal para quem busca um pouco de escapismo neste período de confinamento, tem sim suas ressalvas, mas o resultado é bastante positivo e deixa sim um gostinho de quero mais.

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