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Vampiros x The Bronx – Lutando contra vampiros e a gentrificação | Crítica

13 outubro 2020 0 Comentários

Vampiros x The Bronx - Lutando contra vampiros e gentrificação | Crítica

Vampiros x The Bronx é um das novas produções da Netflix que estreou em outubro fazendo parte da leva de filmes para você assistir durante o Halloween no serviço de streaming. Uma narrativa que aparentemente parece batida, mas que irá te surpreender pelas questões sociais abordadas e homenagens ao gênero.

Dirigido por Oz Rodrigues, o filme acompanha um trio de amigos que moram no Bronx e que lutam contra a gentrificação do seu bairro e uma invasão de vampiros. Na trama Miguel (Jaden Miguel), Bobby (Gerald W. Jones) e Luis (Gregory Diaz) são melhores amigos que tentam salvar a bodega de Tony (The Kid Mero)– um antigo comerciante do bairro e amigo dos garotos – da falência, já que devido à crise econômica vem tendo dificuldades. O que eles não esperavam era lidar com a imobiliária Murnau Properties e seus estranhos donos.

Decidido a criar um tipo de resistência, Miguel ou Prefeitinho – como é conhecido pelo bairro do Bronx – organiza um evento para arrecadar fundos para o comerciante e assim salvar sua loja, o que ele não esperava é que teria que enfrentar vampiros no meio do caminho. Sim, pode parecer loucura, mas essa mistura de comédia típica da sessão da tarde envolta em uma narrativa repleta de reflexões sociais dá certo. A forma que o roteiro de Blaise Hemingway cria a história dessas crianças e sua luta pela permanência dos comércios e moradores de seu bairro é inteligente. Vampiros x The Bronx parece um conto infanto-juvenil recheado de lições moralistas, mas aqui com vampiros sedentos por sangue e pensamentos colonizadores. O que leva a outro ponto dessa trama, a forma que as questões sociais são abordadas no filme.

Vampiros x The Bronx - Lutando contra vampiros e gentrificação | Crítica

É bem interessante como a figura do vampiro é retratado em tela. Estamos diante da versão mais clássica dos sanguessugas, mas aqui usados como a representação do interesse privado. O fato destes também serem brancos reforça ainda mais a ideia de opressão direcionada a minorias e bairros de baixa renda, local foco de tais transformações, aqui no caso representado pela população negra e latina que vive no Bronx. Por fim, as inúmeras cenas em que aparecem os tapumes de lojas de produtos orgânicos, ou até mesmo os produtos em si, só reforçam o discurso usado por estas instituições que propagam “uma mudança benéfica, saúdavel” para os moradores daquela região, quando na verdade o único interesse é a especulação imobiliária, que se utiliza de tal discurso para deslocar tal população e transformar tais bairros em regiões nobres para que assim ocorra o repovoamento de uma classe social mais alta. Detalhes bem inseridos, que trazem um aprofundamento para a trama sem que ela perca sua natureza leve e divertida.

Outro destaque são as inúmeras referências ao universo vampiresco. Desde o nome da imobiliária Murnau Properties que faz clara referência ao diretor F. W. Murnau – responsável por dirigir Nosferatu – até mesmo as claras referências da cultura pop ao utilizar a estética visual dos vampiros vista na série Buffy, a Caça-Vampiros e as inúmeras menções ao personagem Blade – da franquia Blade – O Caçador de Vampiros protagonizada pelo Wesley Snipes –  que fazem você entrar em uma espiral saudosista.

Como uma boa amante desse universo, Vampiros x The Bronx foi uma agradável surpresa do serviço de streaming ao saber balancear suas críticas sociais numa aventura clássica de três amigos que utilizam água benta, crucifixos e estacas de madeira para lutar contra vampiros e a gentrificação do seu bairro.

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